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Wolfenstein: Youngblood — Review

Spin-off da franquia clássica, Wolfenstein: Youngblood tateia no escuro ao testar novas opções, acerta em algumas coisas e erra em outras

15/08/2019 às 9:30

Wolfenstein: Youngblood é a nova aventura e o primeiro spin-off da clássica franquia de FPS da Bethesda, desde a retomada com The New Order (2014). A MachineGames e a Arkane Studios se permitiram brincar com novas mecânicas, como o modo co-op com um amigo ou a IA e uma nova forma de progressão, além de introduzir as novas protagonistas, as gêmeas Jess e Soph Blazkowicz.

Embora o resultado não seja perfeito e o título fique atrás de The New Order e The New Colossus, Wolfenstein: Youngblood traz um desafio alto e a boa e velha diversão da série, que é matar nazistas a rodo e de todas as formas possíveis.

Bethesda Softworks / Wolfenstein: Youngblood

Tal pais, tal filhas

A história de Wolfenstein: Youngblood se passa em 1980, 19 anos após os eventos de The New Colossus. Neste universo alternativo os nazistas venceram a Segunda Guerra Mundial e conquistaram o mundo inteiro, mas B.J. Blazkowicz (aka "Terror Billy") e seus aliados conseguiram botar os chucrutes para correr e libertaram os Estados Unidos no fim do jogo anterior, seguido por outras regiões, enquanto boa parte da Europa continua ocupada.

Anya e B.J. treinam suas filhas Jess e Soph para que elas assumam os negócios da família junto à Resistência (matar nazistas, lógico), só que em um determinado momento o papai some, tendo sido visto pela última vez em Paris.

As gêmeas e a amiga Abby, filha de Grace Walker (agora diretora do FBI) se mandam para lá, com dois trajes de combate que irão auxiliá-las na missão de ajudar a Resistência Francesa a dar cabo dos nazistas, enquanto procuram por B.J.

A premissa segue a iniciada em The New Order, uma realidade alternativa onde os nazistas se tornaram a Nova Ordem Mundial e influenciaram todos os aspectos da vida cotidiana, o que pode ser visto nos cenários, desde elementos arquitetônicos de Paris referenciando o estilo de Albert Speer, a cartazes, propagandas e fitas cassete, com músicas dentro do estilo dos anos 80 mas com contornos germânicos.

Bethesda Softworks / Wolfenstein: Youngblood

Soph e Jess são duas personagens interessantes, jovens que cresceram à sombra dos pais e esperam cumprir com o legado dos Blazkowiczs, mas são obviamente inexperientes no campo de batalha, nunca tendo entrado em combate até os eventos do jogo. Embora a trama não as explore a fundo, é legal ver como as gêmeas evoluem e deixam de ser pós-adolescentes empolgadas e impressionáveis, para virarem caçadoras de nazistas de primeira.

"Nazis. I hate these guys."

A estrutura de Youngblood é exatamente a mesma vista desde The New Order, passando pela prequel The Old Blood e a sequência The New Colossus, com mecânicas semelhantes de combate e inimigos em profusão, dos mais variados. A novidade agora é o modo cooperativo, onde você pode jogar com um amigo (tendo ele ou não o jogo e vice-versa, basta quem comprou o game convidar o parceiro ou parceira) ou deixar o computador controlar a segunda irmã.

Mecanicamente elas são idênticas, você vai comprando habilidades conforme evolui durante o jogo, ganhando pontos de experiência e liberando recursos, mais energia, escudo e outras coisas. Você pode também evoluir as suas armas, melhorando a mira, diminuindo o recuo e aumentando o dano, como num jogo de RPG.

Bethesda Softworks / Wolfenstein: Youngblood

Wolfenstein: Youngblood é, sob todos os aspectos um laboratório. A MachineGames contou desta vez com uma mãozinha da Arkane Studios (franquia Dishonored) para implementar melhorias na engine id Tech 6, lançada com DOOM (2016) e usada em The New Colossus e DOOM VFR. O visual está bem detalhado e os gráficos são limpos e com cenários amplos, para implementar a nova forma de combate.

Jogando com um amigo ou sozinho, você pode contar com sua irmã tanto para auxiliar no combate para apoia-la, ambas podem usar comandos de incentivo (que no jogo é como um "tá mandando bem, mana") para reforçar sua saúde um pouco, ou resgatar seu parceiro quando ele é abatido. Algumas áreas e caixas só podem ser acessadas quando as gêmeas agem juntas, logo trabalho em equipe é essencial.

O grande problema é que embora seja divertido a beça jogar com um amigo, Youngblood não foi projetado como uma aventura single player e a IA do modo offline deixa isso bem claro. Enquanto eu jogava com Jess, muitas vezes eu vi Soph agir como um alvo, parando de atirar e ficando parada na frente dos inimigos, em pouco tempo virando uma peneira. Noutras ocasiões, ela demorava muito para vir me socorrer quando eu perdia toda a energia.

Bethesda Softworks / Wolfenstein: Youngblood

Isso pode ser um problema não só por causa da dificuldade elevada (uma marca registrada da série), mas também porque Soph e Jess compartilham um número limitado de vidas: quando você ou sua irmã é abatida, é preciso gastar uma delas para trazê-la de volta à ação; caso todas sejam usadas e ambas sejam derrotadas, a dupla volta para o último checkpoint. Embora isso possa ser contornável com um jogador humano esperto, o mesmo não se aplica à IA.

Wolfenstein: Youngblood como um Serviço

Há outros problemas, como a insistência da Bethesda em monetizar. Embora Youngblood não seja um jogo de preço cheio (a desculpa da desenvolvedora é por ele usar muitos recursos de The New Colossus, sendo basicamente uma reciclagem e não um jogo 100% novo), para convidar outro jogador é preciso ter o Buddy Pass, que acompanha a versão Deluxe, mais cara (mas não tanto).

Segundo, o título deixou de ser linear para se comportar como uma aventura livre, com mapas diferentes que podem ser explorados em qualquer ordem. Após a missão inicial, você ganha acesso ao lobby já clássico, desta vez, nas catacumbas de Paris, que oferece possibilidades como missões extras dadas por NPCs e desafios diários e semanais, oferecidos por Abby, a "nerd na cadeira" do jogo.

Se as palavras Destiny e Borderlands vieram à sua mente, você está no caminho certo. No entanto, ir e voltar aos mapas logo se torna cansativo, dada a repetitividade. Nisso jogar com um amigo ajuda a tarefa a ser menos chata.

A campanha é curta e o enredo não é tão explorado quanto nos jogos anteriores da série, o que é uma pena, já na parte sonora, enquanto as músicas sejam muito boas e os efeitos sonoros idem, da segunda metade para o final uma série de bugs de áudio começaram a aparecer, com diálogos e música saindo picotados. Por um momento eu pensei que os arquivos do jogo estivessem corrompidos, mas este parece ser um bug que ocorre geralmente. Ou seja, Bethesda sendo a Bethesda.

No fim, fica a sensação de que a distribuidora está buscando cada vez mais aderir ao modelo GaaS (Jogos como um Serviço), algo que já não deu muito certo com Fallout 76; só espero que não aconteça algo assim com o próximo título da série Wolfenstein, ou com DOOM Eternal.

Conclusão

Wolfenstein: Youngblood não é bem uma aposta, mas um experimento da Bethesda sobre que novas mecânicas podem ou não funcionar em um FPS. A ideia do modo cooperativo e boa, ainda que ela tenha sido desenvolvido de modo a fazer com que o jogador opte por dividir a partida com um amigo, ao invés de formar dupla com uma IA.

O resultado final é inferior ao visto em The New Order e The New Colossus, além de dar pistas de que a distribuidora pretende lançar seus futuros jogos como serviços, o que nunca é um bom sinal, mas ainda assim o resultado final não é ruim.

Wolfenstein: Youngblood é uma curiosidade dentro da franquia, que deixa pontas a serem exploradas em futuros títulos da franquia como um foco expandido em Jess e Soph, que podem muito bem voltar em uma aventura completa ao lado de B.J., fazendo o que essa família faz de melhor: mandar nazistas para as profundezas do inferno.

Wolfenstein: Youngblood— Ficha Técnica

  • Plataformas — PS4, Xbox One, Nintendo Switch, Windows via Steam e Google Stadia (análise baseada na versão para PS4 Pro);
  • Desenvolvedoras — MachineGames e Arkane Studios;
  • Distribuidora — Bethesda Softworks;
  • Preço — R$ 114,90 para PS4, R$ 115 para Xbox One e Windows e US$ 29,99 para Nintendo Switch;
  • Classificação Indicativa — 16 anos.

Pontos Fortes

  • Gráficos sons e trilha sonora muito bons;
  • As gêmeas Blazkowicz são interessantes;
  • Diversão em dupla graças ao modo co-op com um amigo;
  • Excelente ambientação da Paris alternativa.

Pontos Fracos

  • Variabilidade de missões e desafios se torna repetitiva bem rápido;
  • Bugs irritantes;
  • Enredo colocado em segundo plano;
  • Microtransações em Wolfenstein? Sério, Bethesda?

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