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Linux matou o disquete, 21 anos depois da Apple

O driver do Linux para disquetes acaba de se tornar órfão, provavelmente ficará sem suporte, encerrando uma era

29/07/2019 às 19:24

O Linux é constantemente louvado por funcionar em sistemas legados, curiosamente fazer a mesma coisa se tornou um dos maiores calcanhares de aquiles do Windows, mas agora uma das tecnologias mais antigas deixará de ser suportada, ou pelo menos, manutenida (sim, existe essa palavra).

A idéia foi de 1967, mas a IBM levou 5 anos até lançar a primeira unidade comercial de disquetes, na época a mídia era somente de leitura. Isso mesmo, você não podia gravar nos disquetes de oito polegadas, que comportavam incríveis 80KBytes.

Curiosidade assustadora: O Sistema Estratégico Automatizado de Comando e Controle do Departamento de Defesa dos EUA, que coordena mísseis nucleares, bombardeiros, submarinos, etc, usa até hoje disquetes de 8 polegadas.

Com o tempo os disquetes foram ficando menores em tamanho e maiores em capacidade. Por um bom tempo o de 5¼ polegadas, com capacidade 360KB reinou absoluto, com direito a todo mundo ter um amigo com um furador, para transformar disquetes face-simples em face dupla e dobrar a capacidade.

O auge do formato foi o disquete de 3½ polegadas, que existiu em diversas capacidades e formatos. Não se engane, era quase impossível você trocar disquetes entre computadores diferentes, mas como éramos extreamente tribalistas, tudo bem. A turma do Amiga jamais se misturaria com os degenerados do PC ou com aquele cara esquisito que tem um Atari ST.

Mesmo com o advento do CD-ROM, o disquete ainda manteve sua importância, 1.44MB pode não ser muito mas pelo menos dava pra gravar, e todo PC vinha com CD-ROM e drive de disquete, até 1998, quando a Apple lançou o iMac G3,

Em um daqueles momentos em que o Futuro chega arrastado gritando em protesto, a Apple ousou vender um computador com drive de CD-ROM, o que não era muito comum, e sem drive de disquete, o que era impensável. Muita gente protestou, a Apple mandou se virar com pendrive USB ou drive externo, e de qualquer jeito era o futuro e no futuro ninguém mais usaria disquetes.

No mundo dos PCs a desadoção dos disquetes foi mais lenta, mas acabamos chegando a um ponto em que o drive de disquete servia só para dar boot e instalar o Windows, e os CD-ROMs e DVDs tornaram mesmo esse uso obsoleto.

Lentamente, sem que ninguém prestasse atenção, disquetes morreram na vida do usuário doméstico, mas sobreviveram em aplicações específicas, automação industrial e outros usos onde o Linux reina.

Por muitos, muitos anos mesmo sistemas foram mantidos funcionando graças ao Linux e sua habilidade de funcionar com todas aquelas portas esquisitas (RS232, Centronics) que Millenials nem sabem que existem, mas mesmo os disquetes acabaram evoluindo.

Aquele conector de cabo flat de 34 pinos não é encontrado mais nem nas placas-mães que ainda vêm com uma porta IDE, as unidades de disquete vendidas hoje em dia são todas USB.

Ainda assim o Linux ainda mantinha um driver específico para os controladores de disquete, mas ele foi se tornando menos e menos usado e cada vez mais difícil de ser atualizado.

Agora em um commit de Linus Torvalds, ele avisa que provavelmente o driver vai ser abandonado. Não será removido do sistema, mas como o responsável por ele sequer tem acesso a um drive físico para testar o software, e seu uso é quase todo restrito a máquinas virtuais, não há mais incentivo para despender tempo e dinheiro cuidando dele.

Linus imagina que mesmo o uso virtualizado logo dará lugar aos dispositivos USB igualmente virtualizados, mas dado o modelo de desenvolvimento, as portas estão abertas para quem quiser continuar atualizando o driver.

Não que isso vá acontecer, a era dos disquetes já acabou, quem precisa deles pode continuar usando o Linux (e o Windows também!) se o hardware suportar, mas é viver no passado, e já que não temos mais a Apple para nos forçar a inovar, temos que criar coragem e pelo menos de vez em quando deixar o hardware jurássico para trás.

Bônus: Era assim que a gente copiava um disquete no tempo do Amiga, principalmente quando queríamos fazer um backup de um disco com algum esquema exótico de proteção...

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