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Um milhão de internautas especiais planejam invadir a Área 51

Tentaram invadir a Área 51. Como já pode imaginar, não funcionou

20 semanas atrás

Em Janeiro de 1967 um bando de hippies emaconhados se juntou próximo ao Pentágono para protestar contra a Guerra do Vietnã. Seguindo a sugestão de um poeteiro chamado Gary Snyder, a turma, chapada de LSD em quantidades industriais, se concentrou cantando mantras com objetivo de fazer o Pentágono levitar, exorcizando o prédio de toda sua Maldade. Spoilers: Não funcionou. A bola da vez é com a Área 51.

Os hippies não foram muito bem recebidos, mas esses protestos podem virar brincadeira de criança diante de uma bobagem que está sendo organizada por retardados de internet, se você perdoa o meu francês.

Um grupo começou como uma piada que saiu de controle, e até o momento são mais de 750 mil idiotas planejando invadir em massa a Área 51, para descobrir de vez a verdade sobre os alienígenas.

Que Diabos É a Área 51?

Pra começar, não existe "Área 51", É um nome que não é usado em nenhum documento, oficial ou não. Acredita-se que seja uma brincadeira com um sistema de mapeamento da Comissão de Energia Nuclear, que dividia as regiões em grades e ao lado do que seria a Área 51, havia a Área 15, mas o nome pegou principalmente entre os ufeiros.

As instalações de Groom Lake ficam no Deserto de Nevada, a 100 Km de Las Vegas. O Lago Groom é uma imensa planície de sal com 6Km de comprimento na parte mais larga. Em 1942 foi usada para construir duas pistas de pouso, e permaneceu uma tranquila e remota área semi-abandonada até 1955, quando Kelly Johnson (esse sim provavelmente um alien), projetista da Lockheed-Martin passou por lá, procurando áreas remotas semi-abandonadas para o Projeto Aquatone, da CIA.

O objetivo era criar uma base de testes longe de olhos curiosos, para desenvolver o que se tornaria o U2.

Não esse, autor animal, este aqui:

O Lockheed U-2 era um avião espião revolucionário, voou impunemente sobre a União Soviética até o dia em que um tal de Francis Gary Powers descobriu que os russos haviam feito um upgrade em seus mísseis, e o teto de 80 mil pés não era mais garantia de que você não seria derrubado capturado e mandado para uma prisão russa.

Curiosidade: O U-2 usava dois rodízios auxiliares para as asas não baterem no chão durante a decolagem, mas o piloto tinha péssima visibilidade, e o pouso era pior ainda. A melhor solução encontrada foi colocar um outro piloto em um carro para acompanhar (bem) de perto a decolagem, e instruir o piloto no avião nas manobras.

Como não havia Uno com escada disponível em 1955, o jeito foi comprar... carros esporte, e a Força Aérea dos EUA (OK, na verdade a CIA) passou a ser orgulhosa dona de Pontiacs e Mustangs. O U-2 ainda voa, mas o carro da vez agora é... um Tesla, que tem uma aceleração boçal e é perfeito para a tarefa:

O U-2 não foi o único avião testado na Área 51, toda a tecnologia stealth americana surgiu lá, além do venerável SR-71 Blackbird. Os relatos de aeronaves estranhas e extremamente rápidas começaram a aparecer, enquanto o governo negava ter conhecimento.

Hoje sabemos que (pelo menos) plataformas de testes como o Tacit Blue

e o Have Blue.

Os soviéticos, que não eram bobos nem nada, logo descobriram a base, mas era complicado espionar, por um motivo bem simples: O lugar era extremamente popular com a comunidade dos Ufeiros. Por anos a Força Aérea negou veementemente a existência da base, depois se recusou a comentar quando questionados sobre... alienígenas.

Toda a região é proibida para sobrevoo por aeronaves civis, e o perímetro é marcado por placas como esta:

Embora tecnicamente seja igual a qualquer instalação militar, a descrição explícita de que o uso de força letal está autorizado para proteger a base torna mais suculenta a situação. Outras placas proíbem fotografias e uso de drones.

Isso criou uma verdadeira peregrinação de "investigadores paranormais" que dão plantão nas fronteiras da base. Os militares fazem constantes patrulhas mas não interferem com quem fica do outro lado da cerca. A situação é tão surreal que há excursões diárias por US$205,00 para conhecer a região da Área 51.

Sabe quem odeia isso? Espiões russos. Originalmente seria simples para um agente da KGB montar um posto de observação no deserto, e ficar discretamente acompanhando os voos dos aviões secretos, mas quando a região é um formigueiro de ufeiros paranoicos mordidos por um Mulder radioativo, qualquer um com sotaque estranho seria imediatamente desmascarado.

A estratégia foi genial para manter espiões longe e para abafar as pesquisas reais. Nenhum dos ufeiros dava a menor bola quando via algo que era obviamente um avião, e a quantidade de relatos de "avistamentos", entre falsos e verdadeiros gerava tanto ruído que um espião não conseguiria gerar um padrão útil de operações das aeronaves.

A Insanidade Continua

Claro que pro pessoal que acha que a Terra é a Encruzilhada do Universo uma explicação racional de que a base é usada para testar aviões secretos não é convincente, é mundana demais, e insistem com as teorias conspiratórias, e não há nada melhor do que a Internet para jogar as teorias conspiratórias no 11.

Entra em cena uma página idiota de Facebook. Os caras criaram um evento, marcado para dia 20 de Setembro de 2019, com o objetivo de invadir a Área 51, libertar os aliens prisioneiros e descobrir os segredos espaciais guardados lá.

Pode parecer uma brincadeira idiota, e tecnicamente começou assim, mas até agora um milhão de pessoas (estou sendo otimista aqui) confirmou comparecimento, enquanto outros 850 mil declararam interesse.

O grupo vai se reunir no Area 51 Alien Center, uma armadilha pra turistas a uns 100Km da base, e de lá irão em caravana, com a estratégia "eles não vão conseguir deter todo mundo".

A Força Aérea foi bem enfática dizendo  "desencorajamos qualquer um de tentar entrar nessa área", e que já estão cientes do "evento".

A página entrou em modo contenção de danos e está repetindo que é uma brincadeira, mas a Internet sendo Internet, é perfeitamente viável que uma fração dos que confirmaram presença acabem aparecendo, e mesmo que apenas 0.5% leve a coisa a sério, são 5000 pessoas.

Como a Força Aérea dos EUA lidaria com uma multidão dessas tentando invadir uma base? Bem, simples sentinelas não dariam conta, isso parece mais com um apocalipse zumbi onde os mortos-vivos estão mais vivos do que mortos (mas não por muito tempo) e a melhor arma pra esse caso é um AC-130.

Será que os militares americanos vão usar armas contra seu próprio povo? Será essa uma situação de legítima defesa? Essas questões são todas acadêmicas, mas de um lado temos uma força militar profissional que protegeu a todo custo os segredos da base em Groom Lake por mais de 50 anos, e do outro lado temos a possibilidade de que a Internet será incrivelmente retardada correndo estilo Naruto (palavras deles) contra uma guarnição armada.

Da minha parte já marquei o dia na agenda e separei a pipoca.

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