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Microplásticos também contribuem para o aquecimento global

Microplásticos suspensos na atmosfera têm 16% do efeito climático da fuligem; índice é maior em regiões com acúmulo de lixo plástico

05/05/2026 às 9:20

Fato: microplásticos e nanoplásticos (MNPs) estão em todo lugar. Eles já foram detectados no fundo dos oceanos, no topo do Everest, infiltrados no solo e em núcleos de gelo polar, e inevitavelmente vão parar nos organismos de praticamente todos os seres vivos, incluindo humanos.

Claro que MNPs, especialmente nanoplásticos, também se encontram suspensos na atmosfera, mas um estudo recente derrubou um conceito antigo de que eles não contribuíam para o aquecimento global: há bem mais partículas coloridas, que retêm calor em maior quantidade do que as transparentes e brancas, do que os cientistas pensavam.

Microplásticos dispostos sobre dedo humano (Crédito: Alexander Stein/Ullstein Bild/Getty Images)

Nano e microplásticos estão em todos os cantos do planeta, e a atmosfera não é exceção (Crédito: Alexander Stein/Ullstein Bild/Getty Images)

Microplásticos em todo lugar

O estudo (cuidado, PDF) foi conduzido por pesquisadores de Química Atmosférica da Universidade de Fudan em Xangai, China, liderados pelo prof. Dr. Hongbo Fu e com colaboração do Dr. Drew Shindell, professor de Ciências Terrestres da Universidade Duke, no Reino Unido, uma das maiores autoridades científicas no que se refere ao aquecimento global.

Uma das especializações do Dr. Shindell é justamente o papel de micropartículas na captura de calor nas camadas superiores da atmosfera, especialmente fuligem oriunda da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento por queimadas; a pesquisa buscava verificar se MNPs possuíam alguma participação relevante, e os resultados desmentiram concepções antigas.

O estudo mostra que o papel dos micro e nanoplásticos, especialmente a segunda categoria, composta por partículas de até 1 nanômetro de diâmetro e que, por serem muito leves, atingem as camadas superiores da atmosfera e geram um efeito de aquecimento equivalente a 16,2% do da fuligem, ou seja, têm um papel significativo no aumento gradual das temperaturas globais.

MNPs se originam como subproduto da reciclagem e da quebra gradual de lixo plástico, principalmente nos oceanos, onde eles são fragmentados pelas correntes marítimas e lançados no ar. A concentração destes é particularmente maior nas regiões de giro oceânico, onde concentrações do material acabam criando ilhas flutuantes de plástico, sem mencionar a formação de sedimentos permanentes, observados pela primeira vez na ilha de Trindade.

Grande Porção de Lixo do Pacífico, uma "ilha flutuante" de lixo plástico, tem tamanho estimado de 1,6 milhão de km² (Crédito: The Ocean Cleanup)

Concentração de MNPs suspensos é maior nos oceanos e sobre concentrações como a Grande Porção de Lixo do Pacífico, uma "ilha flutuante" com tamanho estimado de 1,6 milhão de km² (Crédito: The Ocean Cleanup)

O ponto principal da pesquisa foi desmontar uma antiga concepção errônea, de que a maioria dos MNPs suspensos seria branca ou transparente e, consequentemente, reteria menos calor; dessa forma, o material não influiria em nada para o agravamento do aquecimento global, no que a maioria dos modelos climáticos atuais adotam essa perspectiva.

Agora, o estudo mostrou que, primeiro, a maior parte dos nano e microplásticos em circulação no ar são coloridos, estes capazes de reter até 75 vezes mais luz solar que os brancos e transparentes; a cor também influencia na capacidade de absorção, em que os fragmentos pretos capturam mais luz, seguidos por amarelos, azuis e vermelhos.

Os brancos possuem um efeito mínimo na absorção da luz solar, mas isso nos leva ao segundo ponto: conforme o plástico envelhece, ele muda de cor. Partículas brancas tendem a amarelar e passam a reter mais calor, enquanto as vermelhas perdem cor e, com ela, a capacidade de absorção.

Um efeito acaba anulando o outro, mantendo assim a capacidade de retenção de calor das "nuvens plásticas" estável por toda a vida útil do material, que todos sabem, se estende por séculos. O tamanho também influi; nanopartículas absorvem e dispersam mais luz proporcionalmente à sua massa do que micropartículas.

No momento, a concentração de MNPs na atmosfera não é generalizada, mas concentrada sobre acúmulos de lixo significativos, principalmente nos oceanos. Nessas regiões, como a da Grande Porção de Lixo do Pacífico, o aquecimento causado pelos plásticos chega a ser 4,7 maior do que o de fuligem na mesma área, mesmo com este material espalhado de forma mais uniforme ao redor do globo.

Ainda assim, a pesquisa acendeu um alerta para que pesquisadores passem a observar com mais atenção a distribuição de MNPs no ar e seus efeitos no aquecimento global, ainda mais por se tratar de um material que perdurará por muito tempo no Meio Ambiente.

Referências bibliográficas

LIU, Y., FU, H., ZHANG, H. et al. Atmospheric warming contributions from airborne microplastics and nanoplastics. Nature Climate Change (2026), 17 páginas, 4 de maio de 2026.

DOI: 10.1038/s41558-026-02620-1

Fonte: Gizmodo

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