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No futuro, as assistentes virtuais poderão salvar a sua vida

Assistentes virtuais poderão evoluir para identificar alterações como ataques cardíacos e notificar automaticamente o serviço de emergência

27/06/2019 às 9:30

É fato que as assistentes virtuais como Amazon Alexa, Siri, Cortana, Google Assistente, Samsung Bixby e cia. limitada ajudam bastante no dia a dia, mas há a preocupação legítima com a coleta maciça de dados que todas fazem, o que levanta questionamentos sobre segurança e privacidade.

No entanto isso pode ser usado de forma benéfica, como sugere um novo estudo de pesquisadores da Universidade de Washington: as assistentes poderiam ser treinadas para detectar alterações no estado de seus usuários, como ataques cardíacos e acionar os serviços de emergência automaticamente.

Amazon Echo, Apple Homepod e Google Home / assistentes virtuais

O artigo (cuidado, PDF) descreve meios de detecção automática de infartos do miocárdio ocorridos fora de hospitais, que é uma das causas de morte em todo o mundo; só na América do Norte ela é responsável por cerca de 300 mil óbitos por ano. Essencialmente andamos com uma bomba relógio no peito, o coração é afetado por uma série de comportamentos de risco como fumo, vida sedentária, consumo de alimentos com alto teor de colesterol, obesidade, diabetes, hipertensão e estresse, além de predisposições genéticas.

Curiosamente o consumo de álcool de forma regular é um comportamento relativamente benéfico ao coração (embora não comprovado com 100% de certeza), embora traga outros problemas tão ou mais graves quando abusado, mas divago.

Falando especificamente das assistentes virtuais, é fato que usuários donos de alto-falantes inteligentes como o Amazon Echo, o Apple HomePod e o Google Home, entre outros possuem dispositivos que estão ouvindo o ambiente 24/7, e já foram pegos em situações constrangedoras: a Alexa, por ter mais tempo de janela com o Echo (ele foi lançado em 2014) é a que mais coleciona causos:

A Google Assistente também não escapou ilesa, houve a vez em que o Burker King a usou como garota-propaganda involuntária.

Tecnicamente as assistentes virtuais são pequenas maravilhas de Big Data, pois estão ouvindo, catalogando, analisando dados o tempo todo para retornar resultados de pesquisas relevantes, executar funções cotidianas ou complexas e claro, usam as informações do usuário para vender anúncios (como o Google sempre faz) ou para melhorar seus recursos. Logo, por que não fazê-las trabalhar para proteger o usuário?

O estudo analisa casos onde um usuário, na impossibilidade de dar comandos de voz de forma correta à assistente dispararia alarmes no software, que entraria em um modo de coleta de dados específico para identificar o que está acontecendo.

Os pesquisadores acreditam que Alexa e cia. são plenamente capazes de identificar o áudio de uma respiração agonal, um quadro diretamente ligado a arritmia cardíaca (uma das maiores causas de morte súbita) e infarto; nesses casos ela acionaria o serviço de emergência, do 911 e 192 ao famoso...

No estudo, os pesquisadores treinaram uma rede neural com 7.316 áudios de 2,5 segundos capturados por celulares ou outros dispositivos smart no curso de oito anos, todos com registros de respiração alterada, além de 83 horas de sons de respiração normal em repouso ou durante o sono.

A seguir, algoritmos de aprendizado de máquina entraram em ação para que a IA aprendesse a discernir um som de uma pessoa respirando normal de um possível quadro de infarto.

Como resultado, a IA foi capaz de identificar corretamente um estado de respiração agonal a até seis metros de distância do usuário.

A pesquisa provou que o sistema, no estado em que se encontra já poderia rodar em alto-falantes inteligentes, mas a pesquisa continuará para refinar ainda mais o reconhecimento de quadros de saúde anormais de modo que o pré-diagnóstico seja preciso e evite ao máximo falsos positivos, o que é o mínimo necessário para que a função seja minimamente confiável.

O que será bom para todo mundo.

Com informações: ExtremeTech, Bloomberg

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