Home » Internet » Google faturou US$ 4,7 bilhões com o setor de notícias em 2018, aponta estudo

Google faturou US$ 4,7 bilhões com o setor de notícias em 2018, aponta estudo

Google ganhou quase o mesmo que todo o setor jornalístico dos Estados Unidos em 2018, graças ao motor de busca e o Google Notícias

12/06/2019 às 9:30

Google, Facebook e outros agregadores lucram muito com notícias nos últimos anos: em geral eles fazem mais grana do que muitos sites, portais, blogs, revistas e jornais de todos os tamanhos, o que vem tirando a cúpula da Velha Mídia do sério há tempos. Agora, um novo estudo jogou mais lenha na fogueira, ao revelar que apenas em 2018, Mountain View faturou US$ 4,7 bilhões com o setor, graças ao Google Search e Google Notícias.

A título de comparação, a totalidade da indústria jornalística dos Estados Unidos ganhou US$ 5,1 bilhões com publicidade digital no mesmo período.

Android / Google Notícias

O estudo (cuidado, PDF) publicado pela News Media Alliance  ainda lembra que os números referentes ao montante podem ser consevadores, já que não levam em conta o valor dos dados digitais dos usuários, coletados pelo Google cada vez que ele clica em um link e acessa um artigo (como este), indexado pelo motor de busca ou exibido através da plataforma Google Notícias.

Vale lembrar também que os dados oficiais referentes à receita gerada por ambas ferramentas, bem como os dados de buscas são mantidos sob sigilo pelo Google, da mesma forma que a empresa protege o algoritmo de seu motor de buscas (sua galinha dos ovos de ouro) trancado à sete chaves.

O Google Search e o Google Notícias trabalham para privilegiar conteúdos de grandes portais e sites jornalísticos, mas condiciona um melhor posicionamento e visualização a uma série de regras e procedimentos, entre eles a quase obrigatoriedade da adoção do AMP, o layout proprietário para páginas em dispositivos móveis, além de regrinhas de sanitização e eliminação de conteúdos problemáticos, como pr0n por exemplo.

Seguindo os direcionamentos do Google, os sites ganham maior visualização e visitas, o que se reverte em um incremento no AdSense que pode ser verdadeiramente substancial, dependendo da média de visitação mensal. Ao mesmo tempo, e essa é a fonte das reclamações do setor de imprensa impressa e digital, a gigante das buscas exibe anúncios e privilegia suas próprias ferramentas, o que se reverte em muita grana para si, geralmente mais do que os autores receberam.

tablet / jornal / Google Notícias

David Chavern, presidente e CEO da News Media Alliance acredita que os sites, blogs, jornais e afins têm direito a uma parcela dessa grana, pois são eles quem correm atrás para publicarem seus conteúdos. Mesmo que o Google trabalhe para adequa-los à linguagem da net, a empresa se valeria da Lei do Menor Esforço e proporcionalmente ficaria com a maior parte do bolo.

De acordo com o estudo, entre 16% e 40% de todos os cliques em resultados do Google se dão em notícias, e a cada um, cai mais um dinheirinho na caixinha da Dona Baratinha, lembrando que a empresa não paga um centavo para ter acesso a tais conteúdos. Hoje ele até privilegia conteúdos de sites com paywall, mas isso não seria suficiente para estancar o sangramento do setor.

Essa reclamação não é nova: em 2018 Rupert Murdoch, co-presidente executivo da Fox Corporation e News Corp. (as partes da Fox que a Disney não levou, que compreendem a Fox Broadcasting e o The Wall Street Journal, entre outros) disse que o Google e o Facebook, que também faz grana com seus Instant Articles, deveriam pagar a agências e sites de notícias para publicarem artigos confiáveis.

Isso sem contar o Apple News+, que reunirá sites, blogs, revistas e jornais com e sem paywall numa versão revisada do apple de notícias da maçã, ao custo de US$ 9,99 ao mês e que para o ódio da indústria, Cupertino ficaria com metade de toda a grana.

Hoje circula no Congresso norte-americano um projeto chamado Lei de Competição e Preservação do Jornalismo, que entre outras coisa prevê isenção de quatro anos quanto a leis antitruste aos conglomerados de notícias, e cria mecanismos para que os mesmos possam negociar melhor com portais agragadores, como Google, Apple, Facebook e outros. De certa forma, ele criaria meios de fazer empresas de tecnologia pagarem para indexar e publicar notícias.

Embora isso não tenha dado certo na Espanha, o Google estaria sujeito à implementação do Artigo 15 (antigo Artigo 11) da Lei de Direitos Autorais da União Europeia, aprovada em março; ainda que ela tenha sido bastante modificada, ela ainda prevê o pagamento de uma taxa em situações restritas, e impediria a própria manutenção de serviços como o Google Notícias, os Instant Articles e o Apple News+ no continente.

Caso o mesmo aconteça em casa, seria interessante ver que tipo de argumento o Google (e outros) usaria para não ter que pagar por notícias.

Com informações: News Media Alliance.

relacionados


Comentários