Rupert Murdoch quer que Google e Facebook paguem por notícias confiáveis

A decisão recente do Facebook de mexer profundamente no Feed de Notícias, acabando por privilegiar a veiculação de postagens de pessoas sobre as de páginas e consequentemente, de canais oficiais de notícias e a ideia de jerico (só que não, ela está tirando o seu da reta) de fazer com que os usuários cataloguem o que é confiável não está agradando os veículos tradicionais de mídia, nem os investidores.

A bem da verdade os conglomerados de mídia odeiam a internet e nunca gostaram de oferecer seus conteúdos na internet de graça. O paywall ainda é algo tão defendido que a Apple foi obrigada a se adequar e o Facebook também, alterando como o Instant Articles funciona; houveram casos em que veículos impediam judicialmente o uso de links e portais aboliram o deep linking, forçando o usuário a entrar no site manualmente (porque nem a home linkavam) e procurar a notícia, como um neandertal.

Rupert Murdoch, diretor executivo da News Corporation pode até encher os bolsos com a venda da 21st Century Fox para a Disney, mas sob o comando das companhias de mídia que ainda controla como Fox News, The Wall Street Journal e The New York Post, entre outros é um dos que mais defende a posição de que as mídias sociais não devem ser pagas para veicular conteúdos fiáveis de notícias, e sim exatamente o contrário. Em uma carta aberta o executivo deixou claro que os canais tradicionais “reforçam o valor e credibilidade do Facebook através de suas notícias e artigos, mas não são devidamente pagos por isso”.

A carta, embora mire principalmente na rede social também menciona o Google, posicionando ambas companhias como responsáveis por fazerem muito dinheiro com algoritmos de veiculação de notícias não-confiáveis, ao mesmo tempo que lucram com materiais produzidos por agências sérias e não retornam um tostão. Murdoch sugere (e essa é a parte engraçada) que tais empresas paguem uma taxa semelhante à imposta a canais de TV a cabo, para que esses veiculem conteúdos das grandes produtoras.

Murdoch não é o único a pensar assim: em 2016 a União Europeia apresentou um Projeto de Lei completamente insano, que obrigaria o Google e outros agregadores/sites de busca a pagarem por cada link indexado oriundo de grandes portais de notícias, porque sob seu entendimento o usuário perde o interesse em clicar na matéria ao ler apenas o resumo.

O problema da ideia de Murdoch é que ela não está alinhada com a realidade de hoje. Numa situação em que os canais de mídia de grande porte estipulem taxas para veicular seus conteúdos em redes sociais, portais e motores de busca, a reação óbvia é que Facebook, Google e outros removam sumariamente todos os links de tais fontes e no caso de Mountain View, tal medida seria catastrófica para esses veículos; vale mencionar que isso hilariamente já aconteceu na Espanha, três anos atrás e permanece assim desde então.

O mais provável é que a declaração de Murdoch, que está em vias de se aposentar não dê em nada, visto que ninguém é tão louco a ponto de prejudicar ainda mais a visitação de seus sites de notícias; ainda assim, é engraçado imaginar um cenário onde todos os links para a Fox News e WSJ desaparecessem do Google Search, só para acompanhar o posterior chilique dos executivos da News Corp. implorando por um link.

Fonte: News Corp.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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