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A Apple caminha a passos largos para ser uma empresa de serviços

A Apple está apostando quase que todas as suas fichas em serviços como música, filmes, backup e até jogos.

20 semanas atrás

A Apple faz seu próprio software, que roda em seu hardware e faz isso bem. Mesmo assim ela não é uma empresa de serviços, mas a última apresentação de novos produtos foi inteiramente focada nisso. A Apple como conhecemos está mudando e isso pode ser bom para a concorrência também.

Em resumo

Ontem (25) a Apple mostrou ao mundo que tem mais produtos do que era esperado, só que só um deles é palpável. Primeiro veio o News+, que é exclusivo do iOS e macOS, e coloca mais de 300 revistas, jornais e acesso para sites com paywall (uma praga da internet atual) por US$ 9,99 por mês - em uma conta que pode ser dividida em até seis pessoas, dentro do compartilhamento familiar.

Depois a marca da maçã mostrou que quer um espaço ainda maior em pagamentos e criou um cartão de crédito virtual chamado Apple Card. O foco está no Apple Pay (que, pasmem os senhores: funciona no Brasil!) e todo o controle dos gastos é feito via app. O foco é tão no aplicativo, que até existe um cartão de crédito físico e feito de titânio, mas ele não tem número, código de segurança e nem sua assinatura - tudo isso está no app. Ele existe pra apenas duas coisas: utilizar onde não existe suporte ao Apple Pay e para dar um ar de luxo ao já luxuoso status que só a Apple consegue em eletrônicos de consumo.

Depois a empresa mostrou o Arcade, que é uma assinatura mensal que dá direito ao acesso irrestrito de uma lista de jogos exclusivos para iOS - que rodarão num iPhone, iPad, Mac ou Apple TV. Ainda é cedo pra afirmar que isso vai funcionar, mas é a única plataforma móvel de jogos que está investindo fortemente em sua base de exclusivos - algo semelhante ao que fazem todos os consoles...faz tempo.

Por fim chegou o Apple TV+, que é a Netflix da Apple. Como a empresa nada no cofre do Tio Patinhas, ela trouxe nomes de (muito) peso pra colocar conteúdo na plataforma como Jason Momoa, Alfre Woodard, J.J. Abrams, Steven Spielberg, Vila Sésamo e Oprah Winfrey. Ainda não tem preço de assinatura, mas a promessa de lançamento tem lista de 100 países já no segundo semestre deste ano.

Alguns deles são acessíveis fora da Apple

Tudo bem que o cartão de crédito, a banca de revistas e os jogos são exclusivos de produtos da Apple, mas a marca vem abrindo os espaços. Recentemente ficamos sabendo do suporte do AirPlay 2 para TVs de fabricantes como Samsung, Sony e LG. Ontem mais duas marcas foram adicionadas, mas não são de TVs: Amazon com o Fire TV e o Roku, que não existe no Brasil.

O novo app da Apple TV, que mostrará conteúdo do TV+, estará nestes produtos. Falta só lançar pro Android. Falando nele...o Apple Music foi lançado pra Android também, depois da empresa ter reinado quase que sozinha no mercado de venda direta de músicas - ela não reina no streaming, perdendo feio para o Spotify.

Mudar para serviços pode salvar a marca

Não é nenhuma novidade que o mercado de smartphones chegou em um cume de desenvolvimento. Lançamentos chamam cada vez menos atenção, seja na Apple, na Samsung, Sony, LG, Motorola e até mesmo na Asus.

Os lançamento são...incrementos. Tudo estava bom no ano passado e não precisa de um novo produto, mas lá está o XYZ 2 no mercado. Ele é 10% mais veloz, tem tela 5% melhor e mostra jogos com melhoria de 15% em relação ao modelo anterior. Você precisa? Não, mas vai comprar.

Apple / iPhone XS and XS Max

Tablets sofrem ainda mais, já que são vistos como produtos de maior duração nas mãos - quase que tão longa duração quanto um computador. Os tablets fizeram sentido quando um smartphone tinha menos da metade do tamanho de tela de um tablet. Hoje a coisa mudou. Hoje o mercado de tablets sobrevive quase que exclusivamente para duas marcas: Apple e Samsung.

A IDC disse no final do ano passado que este mercado, dos tablets, caiu quase que 8% no entre 2017 e 2018. Os tablets destacáveis estão numa pior: queda de 13,1% em um ano, no mesmo período.

A Gartner aponta que as vendas de iPhones no último trimestre de 2018 foram menores do que no mesmo período do ano anterior. A Apple deixou de ter 17,9% do mercado pra listar 15,8% dele.

Como que uma empresa faz mais dinheiro (o capitalismo funciona assim) com pessoas que compram menos? Coloque recursos extras, via software. É neste ponto que o mercado de serviços entra e ele já não é novidade na Microsoft, por exemplo. O Windows deixou de ser um produto de loja e é distribuído de graça em atualizações pra quem comprou um PC da forma correta. É só atualizar.

Pelo olhar da Apple você pode até não comprar um iPhone novo por ano, mas vai pagar X por mês pra ler revista, Y pra escutar músicas, Z pra assistir filme, já paga A pra armazenar seu backup, pagará B para baixar muitos jogos e mais C pra mais espaço no backup por conta dos vídeos que faz em 4K em 60 fps. Se quer mais tranquilidade, paga D do AppleCare pra ter garantia maior.

Tudo isso com a quantidade de 1,4 bilhão de dispositivos da Apple que estão ativos (número que a Apple compartilhou em janeiro). Como o pacote de novos serviços acabou de chegar, o resultado financeiro deve mudar por lá.

Menos inimigos, mais amigos

Se a Apple realmente está trilhando este caminho, é importante que ela faça mais amigos do que inimigos. Você deve se lembrar da época das propagandas "Eu sou um Mac, e eu um PC", né?

Então, se você quer ganhar em serviços, precisa vender coisas pro "Eu sou um PC" e não falar que ele é inferior, de raça abaixo da sua. Em dezembro o Windows marcou 86,2% de todo o mercado de computadores (o macOS está em 10,65% do mercado e Linux fica com 2,78%), a Apple precisa desse pessoal assinando ao menos o Music e TV+ pra ficar menos dependente de um smartphone apenas. No Android o mercado, segundo o IDC, também está em 86% dos dispositivos - a Apple marca 13,2% com o iOS. Ao menos por lá o Apple Music está presente.

Se ao menos um quinto dos Android aderirem aos produtos da maçã, ao serviços que ela oferece, será uma virada financeira bastante generosa para a empresa. E eu acredito que isso vai acontecer, já que o dinheiro está lá e o Google não faz muito neste sentido.

A concorrência ganha

Vamos supor que o Google fica interessado em bater nesta Apple que cresce com serviços e melhora seus próprios. Ou então que ele resolve lançar o "Play Filmes+" mais barato e mais acessível, com atores, diretores e apresentadores também famosos. Neste cenário, da competitividade entre ambas as empresas, ganha quem utiliza Android, ganha quem utiliza iPhone e ganha até quem não usa nenhum deles e fica só no PC mesmo.

Eu quero um mundo assim.

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