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Huawei consegue licença temporária para operar nos EUA; DJI entra na mira

Licença temporária permite que Huawei mantenha serviços de telecomunicações e atualizações do Android; DJI pode ser a próxima vítima

26 semanas atrás

A Huawei entrou para a lista negra dos Estados Unidos, estando desde a última quarta-feira (15) impedida de manter negócios com empresas americanas: o Google revogou sua licença do Android, companhias de componentes como Intel, Qualcomm e Broadcom não mais comercializarão chips com ela, e parceiros de outros países estão tomando decisões parecidas.

Para que o estrago não seja gigante e imediato, entretanto, a empresa conseguiu uma licença temporária junto ao governo dos EUA, para manter serviços e suporte, incluindo atualizações de sistema do Android, ao menos até agosto.

Huawei

A decisão do Departamento de Comércio dos Estados Unidos não é nada mais do que um momento de sensatez: a Huawei é a maior fornecedora de infraestrutura para telefonia do mundo, e está bem à frente da Nokia e Ericsson no que tange à implementação do 5G. A decisão do presidente Donald Trump, ao assinar a ordem de emergência visava impedir o que o governo chama de "espionagem industrial" (o que a Huawei diz que nunca foi provado), e não diz respeito apenas a celulares.

A restrição à Huawei, como esperado causou grandes estragos: parceiras comerciais, como a franco-italiana STMicroeletronics, a alemã Infineon e a americana Index perderam valor de mercado, e Wall Street também teve queda acentuada, afetando inclusive a Apple, que também está no meio do fogo cruzado da guerra comercial entre EUA e China.

A licença temporária, embora privilegie usuários de Android, não foi feita pensando primeiramente neles: há uma desconfiança de que a Nokia e a Ericsson não consigam atender a demanda da implementação do 5G em todo o mundo (principalmente a Ericsson), e a Huawei joga inclusive com essa carta, de que é essencial para a próxima evolução da telefonia móvel; assim, a ordem executiva pode afetar negativamente os esforços globais para a implementação da tecnologia.

Vale lembrar que o arranca-rabo entre a Huawei e o governo dos Estados Unidos é bem complexo, e pode ter remificações bem danosas ao mercado de telefonia móvel e infraestrutura em todo o mundo.

Huawei P30 Pro

O que vai acontecer agora: a Huawei conseguiu uma permissão limitada, para fornecer e ter acesso a serviços de suporte e manutenção aos produtos disponíveis no mercado até o dia 16 de maio de 2019, o que inclui equipamentos de infraestrutura e seus celulares mais recentes, como a linha P30. Estes poderão contar com updates de segurança e atualizações de sistema; ao mesmo tempo, a licença não se aplica a produtos posteriores.

Isso significa que a menos que um novo acordo seja definido, ou o governo dos EUA reverta sua decisão, o P30 Pro e o P30 Lite não receberão o Android Q, e permanecerão para sempre no Android 9 Pie.

A licença temporária tem validade de apenas três meses, vencendo no dia 19 de agosto; segundo o secretário de comércio dos EUA Wilbur Ross, sua função é de permitir que a Huawei e parceiros operem por mais tempo, enquanto dá ao governo mais espaço para avaliar os impactos da ordem de emergência.

Entretanto, ela também permite que uma transição de soluções da empresa chinesa para companhias sancionadas pela administração Trump (como Nokia e Ericsson na parte de infraestrutura) seja feita nesse período, o que seria o melhor cenário para o governo.

Depois da Huawei, DJI pode ser a próxima

DJI / Mavic 2 Zoom / Huawei

A Huawei, como sabemos não é a única empresa que não agrada a administração Trump: várias outras companhias chinesas, como a ZTE, já caíram na malha fina do Departamento de Segurança Nacional, pelas mesmas acusações: atuarem como espiãs no mercado norte-americano, repassando informações e tecnologia do país inclusive a países sancionados, como o Irã.

Até hoje, não há provas concretas de que tais empresas estão mesmo fazendo isso, o que motiva o governo chinês a retaliar comercialmente, e colocou o mundo inteiro de refém da briga comercial entre as duas potências. Agora, a bola da vez é a fabricante de drones DJI.

Segundo um relatório conseguido pela rede de notícias CNN, o DHS afirma que os quadricópteros fabricados "por certas empresas chinesas" (a companhia não foi nomeada, mas não é preciso ser um gênio para saber que estão falando da DJI) são capazes de coletar dados dos usuários e/ou empresas que os possuem e operam, e envia-los para a China.

Embora o documento em si não seja uma ordem legal, é fato de que o alerta do Departamento de Segurança Nacional será levado em conta no futuro. A DJI já se enrolou com o governo dos EUA em 2017, quando o Exército emitiu um memorando que não recomendava o uso de seus drones, por questões de segurança. Pouco tempo depois, seus equipamentos receberam um "modo privado", que corta a internet enquanto o drone está no ar.

Em nota, a DJI informa que "a privacidade é sua maior prioridade", que todos os seus equipamentos passaram por inspeções de segurança de órgãos norte-americanos, e por fim, que o usuário possui o pleno controle de que dados ele deseja compartilhar com a empresa.

Com informações: The Verge, CNN.

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