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Os políticos brasileiros — e até um príncipe — contra os games

Além do Príncipe Harry ter defendido que o Fortnite seja banido, um projeto de lei pretende criminalizar os jogos violentos no Brasil.

52 semanas atrás

Os videogames sempre foram vistos por algumas pessoas como um grande risco, um passatempo capaz de viciar aqueles que ousam lhes experimentar e até com potencial para acabar com a vida (real) dos jogadores. Imagine então um jogo que é adorado por dezenas de milhões de pessoas, muitas delas crianças ou adolescentes e que ainda por cima pode ser obtido gratuitamente?

Não é de se estranhar, portanto que vez ou outra o Fortnite seja apontado como um vilão, um título com um enorme poder viciante e que tem disparado um alerta em todos aqueles que abominam os jogos eletrônicos. E sabe quem faz parte desta lista? Henry Charles Albert David, popularmente conhecido como Príncipe Harry.

No ano passado o Duque de Sussex já havia virado manchete ao dizer para um grupo de crianças que elas “realmente não deveriam jogar Fortnite”, mas ao participar de um evento esta semana na YMCA, ele foi ainda mais duro com a criação da Epic games, chegando inclusive a sugerir o banimento do game.

[O Fortnite] não deveria ser permitido. Qual o benefício de tê-lo na sua residência? Ele foi criado para viciar, um vício para te manter diante de um computador pelo maior tempo possível. Isso é tão irresponsável. Os pais ficam de mãos atadas — eles não sabem o que fazer em relação a isso. É como esperar que o dano seja causado e as crianças destruírem suas famílias.

Harry também aproveitou para criticar as mídias sociais, o que considera “mais viciantes do que álcool e drogas,” tendo afirmado ainda que elas são mais perigosas por serem aceitas pelas pessoas e por não haver restrições ao seu uso. O monarca ainda disse que essas redes acabam com as conexões humanas, fazendo assim com que quando temos um problema, fiquemos sem ter para onde ir, restando apenas o ambiente online e onde acabaremos sofrendo bullying.

No fundo eu até entendo a preocupação e o comentário feito pelo duque, mesmo porque ele é uma pessoa pública e que precisa passar a melhor imagem possível. Porém, ao criticar abertamente um jogo tão popular ou as mídias sociais, não estaria Harry apenas “jogando para a galera”? Apenas atacando o meio e simplificando um problema comportamental muito maior?

Enquanto isso…

Do lado de cá do oceano o cenário que está sendo pintado para os videogames parece ainda pior. Após os jogos terem sido irresponsavelmente associados ao terrível massacre que aconteceu recentemente na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) protocolou um pedido de audiência pública questionando o impacto dos jogos violentos nos jovens e infelizmente, a ação pode ter sido apenas o primeiro passo em direção à demonização da mídia.

Talvez inspirado pelo seu colega, logo depois o deputado federal Júnior Bozzella (PSL-SP) apresentou o projeto de lei 1577/2019, cujo objetivo é, acredite, "criminalizar o desenvolvimento, a importação, a venda, a cessão, o empréstimo, a disponibilização ou o aluguel de aplicativos ou jogos eletrônicos com conteúdo que incite a violência".

Se aprovado, o projeto faria uma mudança no nosso Código Penal, com a punição passando a ser de detenção de três a seis meses ou multa, mas se o crime tiver sido "praticado pela internet ou meios de comunicação de massa", a pena seria triplicada.

O que não ficou muito claro é o que poderia ser considerado um jogo violento. Estariam nesta lista apenas os títulos indicados para maiores de 18 anos, como um Grand Theft Auto V ou God of War? Ou será que um encanador saltando sobre tartarugas já será visto pela lei como incitação à violência?

Para piorar, a ideia acaba de ser embutida no projeto de lei 6042/2009, que está parado há uma década e cuja ideia seria "tipificar crimes de difusão de violência". A manobra seria uma maneira de driblar a enquete ligada ao projeto de Júnior Bozzella, já que por lá 99% das pessoas disseram ser contra a criminalização.

Quem também resolveu perguntar ao povo se os jogos violentos influenciam o comportamento das pessoas foi o Senado Federal e como pode ser visto abaixo, 92% das respostas foram negativas.

A minha torcida é para que tudo isso não passe de uma cortina de fumaça ou que na pior das hipóteses, sirva para termos um debate produtivo sobre o tema — hipótese esta que sinceramente é praticamente impossível. No entanto, ao olhar para o atual cenário político brasileiro tem sido cada vez mais difícil não temer pelo pior.

Fonte: Variety e Drops de Jogos.

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