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Hotel Robótico do Japão demite metade dos cyber-funcionários

05/02/2019 às 12:48

Não tá fácil pra ninguém e a crise não respeita ninguém, muito menos se você for um robô sem direitos trabalhistas, e nem no Japão eles estão seguros. No famoso hotel robótico, por exemplo, 50% do staff digital rodou.

O hotel (5) foi anunciado com pomba e circunstância 4 anos atrás, um exemplo de tecnologia e futurismo que só poderia existir no Japão. Uma equipe mínima de humanos supervisionaria o trabalho de 243 robôs que cuidariam do concierge, tarefas do dia-a-dia, auxílio a hóspedes, tudo.

Um ano depois a ficha da Realidade caiu. O tal hotel era uma arapuca, não tinha restaurante, não tinha serviço de quarto, comida só de máquinas automáticas. Também não tinha lavanderia, arrumação só pagando US$ 10,00 e nem frigobar vazio o bicho tinha.

Também não havia ar-condicionado, estacionamento, elevador e televisão. Compatível com um hotel de US$ 80,00, o que no Japão é preço de pardieiro. O business model do hotel era promover o hype dos robôs, e os hóspedes iam basicamente por isso, mas mesmo que você só queira ver as máquinas, quer um mínimo de conforto e os robôs não estavam atendendo a demanda.

Os robôs nos quartos, basicamente bonecos com serviços tipo o Alexa eram uma porcaria, não conseguiam responder questões básicas. O principal robô atendendo hóspedes não conseguia responder perguntas sobre atrações turísticas nas proximidades, era mais fácil usar o Google.

Os velociraptors-robôs na recepção? Muito legais, mas para terminar o check-in uma atendente humana tinha que vir fazer xerox dos documentos dos humanos. Os robôs que levavam a bagagem dos hóspedes não funcionavam na chuva e na neve, só conseguiam chegar a 24 dos 100 quartos do hotel e viviam se esbarrando nos corredores.

O hotel acabou com um custo de manutenção altíssimo e uma eficiência digna de uma piada de mau gosto. O resultado é que 50% dos robôs serão aposentados, trocados por funcionários humanos, capazes de atos complexos como responder onde está a biblioteca e xerocar um passaporte.

Esse caso só comprova o que todo mundo da área sabe mas omite: robôs ainda não estão prontos pra realidade. Sim, eles funcionam muito bem em fábricas e em campanhas de políticos no zapzap, mas são péssimos enfrentando as aleatoriedades do dia-a-dia.

Veja o Altas, da Boston Dynamics, um dos robôs mais avançados da atualidade, que você já viu fazendo parkour, pulando e o escambau. Seus movimentos são cuidadosamente coreografados, mas se seus sensores de posição se desalinharem, game over. Ele não entende o CONCEITO de "colocar a caixa na mesinha". Ele sabe que tem que mover os braços pra x centímetros em uma direção, andar y centímetros em outra...

Ele SEQUER consegue detectar que o braço está preso na estante.

Criar robôs com percepção generalizada é extremamente complexo, mesmo nos casos de robôs razoavelmente autônomos, eles são fáceis de se confundir e não entendem o que estão fazendo. Tanto que em Fukushima, quem salvou o dia foram os funcionários heróis que entraram na usina para tentar conter os reatores. Robôs? Nada que o Japão -O JAPÃO- tinha servia pra isso.

Robôs simplesmente não conseguiam se deslocar em ambientes cheios de escadas e destroços, e os poucos que chegavam perto eram afetados pela radiação. Infelizmente a gente sonha com a Caprica 6, mas estamos longe até mesmo do R2D2-garçom (a versão de controle remoto não vale).

Fonte: Verge

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