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Facebook vai afinal coletar dados do usuário através do Portal

O assistente pessoal não exibirá peças publicitárias, mas vai coletar dados pertinentes para que Facebook possa exibir anúncios em outras plataformas.

48 semanas atrás

O Facebook revelou na semana passada o Portal, seu próprio assistente virtual com display, câmera e microfone para rivalizar com o Amazon Echo Show. Ele permite a realização de chamadas de vídeo pelo Messenger, aceita comandos de voz através da Alexa e como não podia deixar de ser, veio com uma série de preocupações a respeito da segurança dos usuários.

A princípio o Facebook garantiu que o Portal era seguro e que a princípio nenhum dado seria coletado, mas a empresa já voltou atrás nesse aspecto.

Facebook Portal / Facebook Portal Plus / Facebook

Quando os dois modelos do assistente, o Portal e o Portal Plus foram revelados, o Facebook garantiu ao site Recode que "a privacidade do usuário é nossa (da empresa) prioridade" e a segurança de dados foi levada em conta em todas as fases do projeto. A câmera possui uma cobertura física que permite bloquear a câmera quando não estiver numa chamada de vídeo, assim como existe um interruptor que permite desligar os microfones internos.

Essas e outras medidas foram tomadas para incentivar que o consumidor final se sinta atraído a comprar um Portal sem a sensação de estar levando um dispositivo espião para sua casa. O histórico do Facebook, que no passado não media esforços para coletar informações dos usuários para retornar anúncios também seria considerado: o gadget não exibe peças publicitárias e segundo representantes da rede social, nenhum dado seria coletado através dele para uso em outros serviços. Todas as ligações seriam criptografadas, os comandos de voz armazenados localmente (com o usuário sendo capaz de limpar o histórico) e o uso de apps também seria blindado.

Pois essa posição do Facebook durou pouco mais de uma semana.

Facebook Portal / Facebook

Através de uma nova nota enviada ao Recode, a empresa esclarece que o Portal de fato continuará não exibindo anúncios, mas o acessório pode e irá coletar dados de chamadas e apps, de modo a devolver publicidade fora dele, através do Facebook, Messenger, Instagram e WhatsApp, que deverá passar a exibir ads em breve.

A explicação dada pelo Facebook é simples: a plataforma utilizada para a realização de chamadas do Portal é a mesma do Messenger, e tanto lá como cá dados como duração de chamadas, lista de contatos e frequência de chamadas são coletados para serem usados em outros produtos relacionados. Outras informações, como uso de determinados apps e modos de uso serão analisados para a exibição de anúncios, ainda que não no Portal.

Ao questionar o executivo que havia informado o site de que o Portal não coletaria dados, o vice-presidente de Produtos Rafa Camargo pediu desculpas "por passar informações imprecisas", se limitando a dizer que o Facebook pode usar as informações do usuário, mas que a empresa "não tem a intenção de fazê-lo". Aham.

O episódio servirá para aumentar ainda mais a desconfiança dos usuários em relação ao Facebook, mas resta saber se ele se refletirá nas vendas do Portal; ambos modelos já estão em pré-venda nos Estados Unidos, custando US$ 199 (Facebook Portal) e US$ 349 (Facebook Portal Plus) e deverão ser lançados em novembro.

Com informações: Recode, ExtremeTech.

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