Canais de teorias da conspiração enfrentarão tempos difíceis no YouTube

Durante o ano de 2017 o YouTube se complicou e muito com anunciantes e grandes parceiros, que removeram seus anúncios da plataforma (alguns saíram até do motor de busca do Google) após estes descobrirem que seus produtos e serviços eram relacionados a conteúdos controversos, alguns bastante impróprios. Como a rede não tinah Simancol, ela relacionava os anúncios a quem tinha grande audiência e nunca se deu ao trabalho de checar o conteúdo dos vídeos, chegando ao cúmulo de promover canais piratas.

Aos poucos o YouTube foi se emendando, desde dando cabo dos canais que exibiam séries e desenhos 24/7 como prometendo uma moderação mais humana a refinada (ainda que ela ainda deixe muito a desejar), mas desnecessário dizer que os produtores de conteúdo também seriam forçados a se adequar. Assim, uma série de novas regras entraram em vigor e basicamente qualquer vídeo minimamente controverso ou violento, seja real ou fictício e apologia a drogas ilícitas ou lícitas, palavreado chulo e outros conteúdos indesejáveis perderam a monetização sem dó e/ou perderam a visibilidade.

Por outro lado, muitos criadores de conteúdo decente e de qualidade foram prejudicados com o endurecimento das regras para a monetização de seus canais e a restrição à introdução de links externos nos vídeos, limitando-os à descrição que ninguém lê. Assim, muitos canais deixaram de fazer dinheiro e sequer consegue divulgar outras formas de fazer uma graninha com seus projetos, porque o YouTube não quer e usa tal estratégia como critério para desmonetização e/ou redução de visibilidade. Ou nem isso.

Por outro lado, na última semana o YouTube decidiu voltar sua atenção a uma vertente de conteúdo muito popular e muito criticada, a dos canais baseados em teorias da conspiração. Desses o mais notório é o InfoWars, apresentado pelo folclórico (para dizer o mínimo) Alex Jones, um maluco de carteirinha que defende a agenda alt-right com unhas e dentes, mas da forma mais maluca e absurda possível com afirmações esdrúxulas e insanas, tiradas sabe-se lá de onde.

Uma das mais recentes e que viralizou forte foi o vídeo em que Jones afirmava categoricamente que David Hogg, um dos sobreviventes do tiroteio recente na Flórida que matou 17 pessoas era… um ator. A atração ganhou destaque na aba “Em Alta” quando isso aconteceu, uma série de outros canais seguiu a mesma linha e alimentaram o YouTube com vídeos semelhantes que explodiram em popularidade. Em retaliação o YouTube não só aplicou um strike no canal de Jones e sumiu com o vídeo da área de destaques, como deletou uma série de outros canais que surfaram na onda. Porém, como humanos são humanos vários outros foram deletados sem culpa.

Só que a Caixa de Pandora foi aberta: tão logo a polêmica envolvendo tais vídeos viralizou, a CNN jogou no ventilador e expôs o fato de que a rede de canais pertencente a Jones era regularmente monetizada, com anúncios de empresas de primeira linha como Nike, Acer, 20th Century Fox, Paramount, Expedia, Alibaba, Mozilla e até a NRA, entre várias outras. Tão logo o caso tomou grandes proporções a maioria dessas companhias e instituições (até a Igreja Mórmon e a UNHCR, uma ONG que arrecada fundos para os refugiados Rohingya estavam na lista) anunciaram ter colocado o The Alex Jones Channel, o principal canal da Rede InfoWars e os demais Em suas “listas negras”, uma relação interna que impede o YouTube de vincular os anúncios de tal cliente em determinado canal.

Oficialmente o YouTube não explicou como os canais de Jones e de outros conspirólogos faziam dinheiro regularmente (a gente sabe, a plataforma só se importa com dinheiro e audiência e não liga se são vídeos educacionais, de nutelleiros ou de malucos), entretanto defende a liberdade de expressão dos criadores de conteúdo ao mesmo tempo que está ciente da situação: ele já implementou uma notificação que avisa ao espectador quando um canal é patrocinado por algum órgão estatal e pode conter informações parciais, de modo a combater propaganda governamental.

Como os anunciantes, aqueles que detêm a grana não querem ver seus anúncios relacionados a malucos de plantão, é bem possível que o YouTube venha a desenvolver uma ferramenta similar de modo a alertar o usuário de que o conteúdo de um determinado criador é controverso ou politicamente alinhado com interesses de grupos ou instituições; como nada disso se enquadra como infração dos Termos de Serviço canais como os do Alex Jones dificilmente serão banidos (ele conta agora com dois strikes, mais um e adeus mas ele não deverá chegar) por conta da quantidade massiva de visualizações que amealha, a menos que ele fale alguma outra maluquice completa porém a plataforma tem que evitar que mais anunciantes fujam, então novas e melhores ferramentas poderão ser criadas para permitir que os próprios parceiros saibam quem está vendendo seus produtos e serviços, e realizem a seleção por conta própria.

De qualquer forma, é certo que daqui por diante Alex Jones e companhia farão menos dinheiro com o YouTube.

Fontes: CNN e Ars Technica.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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