Rumor — AT&T terá que vender a Turner ou a DirecTV para ficar com a Warner

A AT&T não vai se dar tão bem quanto esperava com a aquisição da Time Warner, acordo fechado um ano atrás por US$ 85,4 bilhões: o Departamento de Justiça dos Estados Unidos impôs uma dura condição para que o negócio seja concluído que é simplesmente a venda da Turner Broadcasting, divisão que é uma das fatias mais saborosas do bolo ou a DirecTV, de modo a evitar a criação de um monopólio de mídia.

A compra da Time Warner se mostrou uma saída muito boa para o conglomerado, que acumulava na época uma dívida líquida de US$ 24,2 bilhões e como a AT&T, como toda operadora possui dinheiro de sobra ela veio a se tornar o porto-seguro ideal, ainda mais pelo seu desejo de expandir suas propriedades de mídia tal como a rival Verizon fez, ao adquirir a AOL e o Yahoo!, ainda que ambos por preço de banana. A 21st Century Fox tentou mas não levou, o que foi considerado um passo errado da diretoria da Warner pois ela já não andava bem das pernas.

Independente disso, a AT&T colocaria as mãos em propriedades valiosíssimas como as divisões da Warner de cinema, música e games, a DC Entertainment e a HBO, a joia mais disputada por todos mas nem de longe o bem mais precioso do conglomerado, e disso os reguladores norte-americanos também sabem. Tanto é que se especulava que uma das condições para a conclusão do negócio seria a venda da CNN, a rede de notícias que atualmente virou o saco de pancadas favorito do presidente Donald Trump. De imediato a rival T-Mobile já tem acesso à HBO, e pode vender pacotes de dados com acesso ao canal.

O CEO da AT&T Randall L. Stephenson teria inclusive feito essa sugestão para fugir das leis antitruste, mas segundo fontes o Departamento de Justiça considerou que abrir mão da CNN é “pouco” para evitar que operadora se torne um monopólio de mídia. Isso posto a condição colocada teria sido bem dura: para que a aquisição da Warner seja concluída a AT&T seria forçada a se desfazer da totalidade da Turner Broadcasting System, Inc., a divisão que responde não só pela CNN mas também por emissoras como TBS (que exibe o talk-show do Conan O’Brien), TNT, Cartoon Network, Boomerang e Adult Swim além de ser a controladora da William Street Productions, a produtora responsável por programas como Samurai Jack, Rick and Morty, Frango Robô e Black Jesus, entre outros. Ou seja, a bordoada foi forte.

Fontes sugerem que as condições ainda não foram definidas em absoluto pelos reguladores, havendo também a possibilidade de que o Departamento de Justiça force a AT&T a vender não a Turner mas a DirecTV (que fora comprada em 2014 por US$ 50 bilhões), principalmente pelo fato de que a divisão é estratégica para seus esforços de distribuição de conteúdo; o entendimento geral é que a operadora detém poder demais e poderia vir a impor condições desfavoráveis para concorrentes como ESPN e Starz virem a utilizar seus satélites, acabando por privilegiar suas próprias propriedades e coloca-la em uma posição vantajosa no mercado frente às concorrentes de forma desequilibrada.

De qualquer forma, as chances da AT&T fechar o negócio com a Warner sem ter que abrir mão de nada tendem a zero e por isso, caso a Disney venha mesmo a comprar a Fox é certo que o Departamento de Justiça também exigirá que algo de muito valor seja vendido para permitir a conclusão das negociações.

Fontes: Financial Times (paywall) e The New York Times.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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