Resenha — Moto Z2 Force: bonitão e duro na queda

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O Moto Z2 Force é o atual dispositivo premium da Motorola, um smartphone com características únicas mas ao mesmo tempo bem simples. Tirando as funcionalidades providas pelos Moto Snaps (algumas, se não todas questionáveis) ele é um gadget básico, que tem na performance bruta seu maior trunfo frente aos concorrentes.

Eu o testei por três semanas e estas são as minhas impressões.


Design

Como sempre, primeiro a listinha fria:

  • SoC Snapdragon 835 da Qualcomm, octa-core Kryo com quatro núcleos de 2,35 GHz, quatro de 1,9 GHz e GPU Adreno 540;
  • 6 GB de memória RAM;
  • 64 GB de espaço interno (expansível via Micro-SD de até 256 GB, bandeja híbrida);
  • display P-OLED de 5,5 polegadas com resolução Quad HD (534 ppi) e tecnologia de proteção ShatterShield;
  • conjunto principal de câmeras duplo de 12 megapixels com abertura ƒ/2,0, Flash LED Dual-Tone, autofoco com detecção de fase, HDR e capacidade de filmar em 4K a 30 fps;
  • câmera selfie com 5 MP, abertura ƒ/2,2 e Flash LED Dual-Tone;
  • leitor de impressões digitais com suporte a gestos;
  • 4G/LTE Dual-SIM, Wi-Fi 802.11ac, Bluetooth 4.2, BLE, NFC, A-GPS, GLONASS;
  • bateria de 2.730 mAh;
  • porta USB Type-C 1.0;
  • Android 7.1.1 Nougat;
  • dimensões: 155,8 × 76 × 6,1 mm;
  • peso: 143 g.

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O Moto Z2 Force é um aparelho bonito, bem acabado porém grande, ainda que suas dimensões sejam bem próximas de seu primo Moto X2 Play. A diferença crucial é sua espessura, de apenas 6,1 mm e o peso de 143 g, o que o torna extremamente leve e agradável de manusear mesmo com as duas mãos, ou uma se você tiver mãos grandes e dedos longos como eu. Seu corpo metálico confere uma pegada firme, o Z2 Force dificilmente irá escorregar das suas mãos.

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Na parte das conexões nós temos a porta USC Type-C, que já se tornou padrão em aparelhos de entrada e por conta de decisões de design, a porta P2 dançou. A parte mais hilária é que a Motorola oferece no um fone tradicional, que é acompanhado de um improvável adaptador USB-C/P2. Embora necessário (e os fones sejam de fato bons), a simples situação é deveras ridícula se pararmos para pensar. Na maioria das vezes, quando o utilizei para ouvir música fiz uso de fones de ouvido Bluetooth por questões práticas.

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Além da porta USB-C temos também a bandeja para os chips Nano-SIM, e mais uma vez os fabricantes entenderam que contar com dois chips é um recurso agradável para todos (a bem da verdade, a Apple está aos poucos ficando sozinha nessa). O grande porém é a insistência da Motorola, assim como aconteceu com o Moto G5S de oferecer uma bandeja híbrida, forçando os usuários a escolherem entre ou utilizar dois chips SIM ou um apenas e o cartão Micro-SD, adicionando até 256 GB aos 64 GB de espaço interno já presente. Alguns concorrentes até oferecem bandejas dedicadas, mas esta ainda não é a norma no mercado.

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A tela é excelente. Por se tratar de um display P-OLED de 5,5 polegadas a definição de imagem é muito maior do que seria com um IPS, e a alta resolução de 2560 x 1440 pixels torna quase impossível perceber pixels individuais. As cores são sólidas e bem definidas, a saturação é bem ok e o brilho decente, o suficiente para enxergar alguma coisa em ambientes iluminados. Os sensores de luminosidade são bem competentes, ajustando as definições rapidamente.

Só que por ser um filhote da família Force (e herdeiro do Moto Maxx, o primeiro com tal característica) o smartphone é vendido como “indestrutível”, graças principalmente à tecnologia ShatterShield na tela que a torna totaltamente resistente a quebra e estilhaçamento. Segundo o marketing, o Moto Z2 Force é feito para aguentar porrada em nível Matt Murdock, resistindo a quedas homéricas que fariam paçoca de qualquer outro dispositivo sem nenhum dano, principalmente ao display.

Claro que é preciso se atentar a alguns caveats. Embora o Moto Z2 Force de fato tenha levado alguns tombos acidentais (AQUI Ó que vou jogá-lo no chão de propósito) e saído ileso, o período em que o usei como smartphone principal cobrou seu preço: por principalmente ele ficar no bolso da calça quando não estava em casa, o display acabou arranhado na parte inferior principalmente próximo ao leitor de impressões digitais. Em suma, a tela é sim resistente mas não faz milagres, logo não dá para dispensar a película totalmente.

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Falando no leitor de digitais, ele novamente cumpre a função de ser uma alternativa física aos botões virtuais por oferecer atalhos de navegação: deslizar para a esquerda aciona o comando Voltar, para a direita abre a gaveta de apps em segundo plano  e um toque rápido aciona a função Home. São comandos fáceis de memorizar e bons para quando você está com preguiça de acionar a tela e fazer os botões aparecerem.

No mais, como leitor em si ele é bem rápido e reconhece suas digitais com facilidade, seja para bloquear/desbloquear o smartphone ou realizar autenticações.

Performance e Autonomia

O Moto Z2 Force é um aparelho bruto, em mais de um sentido. A combinação do Snapdragon 835 da Qualcomm com 6 GB de RAM fizeram desse smartphone uma powerhouse, que tira de letra a maioria das tarefas a que foi submetido. Ele roda apps e games pesados com facilidade, multitarefa também e ele quase nunca trava ou engasga, embora tenha acontecido raras vezes em situações de estresse.

O outro sentido se dá pel fato que a Motorola não é muito dada a firulas. O Moto Z2 Force por exemplo não conta com um design d bordas curvas qe adicionam funções ou leitor de íris para reconhecimento facial, ele é um smartpne premium simples que se preocupa com uma coisa apenas: get the s*** done. E isso ele faz muito bem.

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O ponto fraco no entanto é a bateria, embora com ressalvas. A geração anterior contava com 3.500 mAh e aqui, de modo a prover um design ultrafino sua capacidade foi capada pra ridículos 2.730 mAh. Ainda assim, talvez por um trabalho de otimização bem executado da Motorola a energia não escoa: usando-o para rodar apps e games a média de consumo girou entre 8% e 10% por hora, o que é uma boa marca.

O nosso teste habitual, com o VLC rodando um filme de duas horas em Full HD no modo de aceleração por software fez com que ele fosse de 100% a 80%, o que é um feito e tanto considerando sua capacidade irrisória de carga para um Android de ponta.

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Em testes normais, fazendo uso de moderado a pesado com consumo de vídeos, podcasts e música via fones com Bluetooth, redes sociais e games de vez em quando a energia foi de 100% às 7 da manhã para 10% às 23:30, o que não é de todo ruim mas em se tratando da família Force, deveria ser melhor.

E é aí que os Moto Snaps entram, em especial o Moto Power Pack que veio junto com o kit.

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Em primeiro lugar, não espere que a adição de uma bateria externa de 2.220 mAh fará com que a capacidade total salte para 4.950 mAh, a Termodinâmica é implacável e há perda de energia durante a transferência, o que nos leva a um cenário final de uma carga adicional de pelo menos 50% em modo normal. Se você selecionar o modo econômico, que mantém a bateria do smartphone em 80% o Power Pack será drenado numa velocidade consideravelmente menor, permitindo até mesmo que você abuse um pouco durante o dia.

Só que há um porém: embora os Snaps de bateria sejam os mais úteis eles resolvem uma deficiência criada pela própria Motorola, em prol de adicionar a funcionalidade e ao mesmo tempo fazer do Moto Z2 Force um dispositivo fininho e elegante. Vale lembrar que o Moto Z2 Play, que é um pouco mais espesso possui uma autonomia bem melhor.

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No mais, o uso dos Snap deixam o Moto Z2 Force bem mais gordo e pesado, passando longe da ideia de garbo e elegância que a Motorola defende.

Câmeras

No passado falar mal das câmeras da Motorola era lugar comum, visto que elas não acertavam nem nos modelos de ponta. Porém, no Moto Z2 Force a companhia aplicou tudo o que aprendeu e o resultado é bem melhor, embora não seja perfeito.

Temos um conjunto duplo de 12 megapixels, uma câmera colorida e outra monocromática de modo a permitir o efeito bokeh em fotos com fundo e elementos em primeiro plano de cores diferentes. A Motorola preferiu seguir outro caminho e não imitou o Modo Retrato da Apple ou as soluções da LG, que utilizam lentes com distâncias focais distintas. Aqui o conjunto todo possui abertura f/2,0, Flash LED Dual-Tone, HDR e autofoco com detecção de fase, e através do app Depth você poderá aplicar os efeitos como quiser: desde desfocar o cenário a utilizar cor em um elemento e P&B em outro.

Como são os resultados em si: em situações normais de tempratura e pressão, ou ao ar livre em dias de Sol as câmeras não fazem feio, capturam imagens com uma quantidade considerável de detalhes. O brilho pode ser facilmente ajustado no modo básico de câmera, algo com o qual alguns deverão se confundir no início.

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Sem HDR

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Com HDR

O HDR corrige algumas imperfeições e capta alguns elementos perdidos, bem como pode ajustar imperfeições cromáticas mas como sempre, espere por alguma perda de definição nas imagens. Não dá para fazer milagre com smartphones afinal.

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Sobre fotos noturnas vale a regra: não é o cenário ideal. A quantidade de ruído é grande, bem como a perda de definição. Curiosamente o sensor P&B é melhor nessa situação do que o colorido, mas no geral você não conseguirá fotos muito boas.

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Fotos internas a mesma coisa: quantidade boa de detalhes, com alguma perda de definição principalmente em ambientes com iluminação artificial e/ou à noite. O pós-processamento não chega a ser agressivo, logo as fotos no geral mantêm a qualidade.

O modo manual é um pouco limitado infelizmente, a exposição mínima dele é apenas 1/4 e por isso, não espere tirar fotos estonteantes em longa exposição ou melhorar os ajustes em fotos noturnas ou com pouca luz. A ausência de um estabilizador óptico de imagens também é um problema, principalmente para quando você quiser fazer um vídeo em câmera lenta. Você vai ter que controlar a captação na munheca ou apelar para um stand, não há outro jeito.

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A câmera frontal com 5 MP, abertura ƒ/2,2 e Flash LED Dual-Tone (uma raridade) segue a mesma lógica: excelente para selfies em grupo ao ar livre, mas fraca para ambientes internos. A quantidade de ruído é grande mas o pós-processamento é aceitável, você não vai acabar com imagens excessivamente lavadas nas mãos.

Como sempre, confira as fotos originais no Flickr.

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Conclusão

O Moto Z2 Force é sem dúvida um smartphone excelente, poderoso e com um bom design, leve ainda que um tanto grande, porém o preço de R$ 2.999,00 é um pouco alto. Se pensarmos que o aparelho conta com uma bateria bem menor, apesar de sua performance ainda muito boa o cenário ideal é utiliza-lo em conjunto com o Moto Power Pack, e isso adiciona mais R$ 300 à conta em média.

Se você deseja um Android com performance excelente e um preço ligeiramente mais camarada que a linha Galaxy S8/S8+ ou o Galaxy Note8, o Moto Z2 Force é uma boa pedida ainda mais se adquirido à vista, alguns lojistas o oferecem com desconto de 10% no boleto e o preço final chega a mais interessantes R$ 2.699,00, principalmente se lembrarmos que se o top da Motorola é como um tanque de guerra soviético: extremamente poderoso e sem firulas ou gimmicks, mas que definitivamente dá conta do recado.


Motorola Brasil — Moto Z² Force Edition | Infinitas possibilidades

Pontos Fortes:

  • leve e com um belo design, apesar do calombo da câmera;
  • excelente performance geral e tela resistente a agressões acima da média (mas que não é imune a riscos);
  • Dual-SIM, o que é muito bom apesar da bandeja híbrida.

Pontos Fracos:

  • Moto Power Pack resolve um problema criado pela própria Motorola (redução da bateria), deixando o aparelho gordo e pesado;
  • o adaptador USB-C/P2 para permitir o uso do fone de ouvido não deixa de ser uma solução ridícula;
  • câmera não possui estabilizador óptico de imagem, é preciso ter pulso firme.
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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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