No Man’s Sky, ou o gigantesco universo sem ninguém

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Não vou dizer que No Man’s Sky não impressiona, pois seria mentira. O ambicioso projeto da Hello Games é bonito e tudo mais, um título produzido proceduralmente usando a boa e velha matemágica e que rapidamente se tornou um fenômeno, o maior lançamento do Steam e candidato a um dos melhores títulos do ano de 2016.

Só que sejamos sinceros, a Hello Games mordeu mais do que podia mastigar. Uma série de problemas e promessas não cumpridas causaram um backlash violento, com muita gente pedindo reembolso do game tanto no Steam quanto na PSN. Lojas aceitaram cópias físicas de volta. Caos completo.

A Hello Games permanece lançando patches de atualização para corrigir os bugs e promete que o desenvolvimento de No Man’s Sky não parou. Só que a desenvolvedora anda bem menos ativa nas redes sociais: Sean Murray, fundador do estúdio indie está calado há 40 dias, talvez para evitar a fadiga de aguentar as reclamações e ataques, já que ele está sendo chamado de mentiroso para baixo.

Apesar dos pesares, uma parcela significativa dos jogadores permaneceu. Talvez os mais propensos a explorar o vasto universo criado pelo algoritmo desenvolvido pelo estúdio, ainda que ele não seja lá tão perfeito (há vários bugs) e os planetas não apresentem tanta variação quanto divulgado antes do lançamento. Ainda assim, esse pessoal estava jogando.

Pois é… estava. Só se passaram seis semanas desde o lançamento do game mas o número de jogadores ativos em No Man’s Sky caiu vertiginosamente, a um nível que é seguro afirmar que não há praticamente mais ninguém jogando. Um imenso universo com 18 quintilhões (!) de planetas absolutamente desabitado.

Os números são do site SteamSpy, que coleta e compila legalmente informações acerca dos games distribuídos pela plataforma da Valve. Desde o lançamento (12/08 para PC) até o dia 21/09, data consulta realizada pelo site Extreme Tech, o número de jogadores diários despencou de 212.604 para 2.145.

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De novo: seis semanas. Ou mais precisamente, 40 dias. O site comparou o game com outros games indies como Subnautica e Don’t Starve e embora a audiência desses games seja muito menor em geral do que No Man’s Sky, ambos retém mais jogadores diários no Steam do que o “épico espacial” da Hello Games.

Isso se reflete em outros gráficos. A página do game no SteamSpy também aponta para a queda vertiginosa de canais do Twitch trazendo gameplays do título, de de 4.661 para 27; o número de espectadores então afundou de 206.191 para, bem… praticamente zero.

O fato é que No Man’s Sky gerou um hype absurdo, desde que fora anunciado em 2013 e a Hello Games não só não conseguiu cumprir com o que prometeu, como toda a novidade e empolgação em torno do game se esvaiu num ritmo alucinante. Hoje o jogo nada mais é do que um gigantesco ambiente sem jogadores.

É uma pena, ele poderia ter sido uma sensação, mas agora corre o risco de entrar para a história como o maior fiasco da história dos videogames e superar até mesmo E.T., do Atari 2600.

Fonte: Extreme Tech.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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