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O Coringa em todos nós

Uma reflexão sobre a brilhante ideia dos roteirista da série Gotham para falar sobre a origem do Coringa.

4 anos atrás

coringa

Certo dia navegando pelo Netflix vi que o serviço tinha recebido a série Gotham e como estava procurando algo novo para assistir, resolvi dar uma chance à história que se passa na época em que Bruce Wayne ainda era uma criança.

A ideia de contar a origem dos inimigos do Batman e de como a cidade os encarava sem a proteção do herói me prendeu e se quase todo o resto já não tivesse sido o suficiente para me agradar, um acontecimento do início da segunda temporada certamente o faria.

Mas antes de dar minha opinião sobre o que foi mostrado na série até então, eu preciso deixar dois avisos. O primeiro é que não sou um grande conhecedor dos quadrinhos, logo estou desconsiderando quase que completamente o que já foi mostrado por lá e segundo e mais importante, o que direi a seguir está carregado de spoilers tanto da primeira quanto da segunda temporada. Então, se você não está acompanhando a série, recomendo parar de ler por aqui.

Bom, tudo começou no 16º capítulo da primeira temporada, quando fomos apresentados ao jovem Jerome Valeska. Tendo sido criado no circo e logo se mostrando um psicopata, o moleque rapidamente teve sua imagem associada ao Coringa, personagem que considero o melhor vilão já criado para as histórias em quadrinho.

Brilhantemente interpretado por Cameron Monaghan, o impacto ao ver a revelação de que ele havia matado a própria mãe foi imenso e naquele instante eu não tive dúvidas: a equipe responsável pela série havia encontrado um excelente ator para viver o principal rival do Batman no seu início de sua carreira, tarefa que se tornou bastante complicada depois do que o Heath Ledger nos mostrou.

jerome-valeska

Então ficamos um tempo sem ouvir falar no assustador Jerome e veio a segunda temporada. Nela vimos o garoto ingressar no The Maniax, uma espécie de Esquadrão Suicida, e a cada momento o personagem ganhava mais traços do Coringa, com toda a sua insanidade sendo posta à mesa, como por exemplo na fantástica cena da roleta russa. Porém, havia algumas coisas que me incomodavam.

Além de estar ansioso para saber se e como o personagem ganharia a cicatriz na boca, não me agradava termos um nome e um passado para o vilão, mas numa reviravolta que julgo brilhante, no terceiro episódio os roteiristas decidiram matar Jerome. Seria aquele o fim do Coringa? Pelo contrário! Nascia ali o Coringa como um conceito, uma praga com potencial para se espalhar por toda Gotham e como bem disse o Cardoso em uma conversa, como o Batman poderia enfrentar algo assim?

O mais fantástico nessa solução encontrada por eles é que ela vai de encontro a aquilo que vimos em O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, quando o vilão deixa claro que sua única intenção é causar o caos, joker2despertar a loucura em cada habitante da cidade e ao se colocar como o primeiro hospedeiro desse "vírus", o demente Jerome seria o início de um arco que colocaria o Coringa não como uma pessoa, mas como uma entidade.

Isso fica claro no momento em que vemos diversas pessoas espalhadas por Gotham repetindo a risada maligna que o personagem dava em seus crimes, assim como no comentário de Bruno Heller de que em algum momento provavelmente veremos uma mulher assumindo o papel do vilão (Barbara?!) e é por isso que considero a morte de Jerome algo tão fantástico.

Além disso, depois de ver o final deste episódio me dei conta de que todas as vezes em que Cameron Monaghan gargalhava eu — mesmo que inconscientemente — esboçava um sorriso, assim como vimos acontecer com os moradores daquela fictícia cidade, e isso me fez pensar no quão plausível foi o que a série nos mostrou, me fazendo chegar a conclusão de que no fundo, #SomosTodosCoringa.

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