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Gotham — não é a série que você merece mas a que você precisa

Gotham estreou nos EUA e está pra chegar no Brasil. Nós vimos. Quer saber se é possível uma série do Batman sem o Batman funcionar? Clique e descubra o Segredo do Morcego.

5 anos atrás

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A televisão nunca foi muito generosa com séries de heróis. Depois que os desenhos animados surgiram, seriados de heróis saíram de moda. Não dava para competir com o potencial ilimitado do desenho, onde uma galáxia explodindo custa o mesmo que um carro batendo num muro.

Os heróis só voltariam à TV nos Anos 60, com o Batman do Adam West. Ele desencadeou uma série de séries (dsclp) de qualidade duvidosa, indo de Shazam! (com exclamação mesmo), onde um velho pedófilo andava pelos EUA com um adolescente que se transformava no Capitão Marvel, até Mulher Elétrica e Garota Dínamo, algo que mais se parece com O Homem Radioativo d'Os Simpsons do que com um programa de verdade.

Marvel e DC fizeram suas tentativas de invadir o mercado televisivo, mas fora alguns raros sucessos, o que todo mundo lembra é daquele filme do Capitão América magrelo de moto, do Nick Fury do David Hasselhoff (não google) e de bobagens ainda piores, embora eu recomende muito o telefilme da Liga da Justiça, é ótimo, pelos motivos errados. 

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David Mazouz, o jovem Bruce Wayne solta um mega-spoiler e estraga a série.

Não vou entrar em detalhes sobre esse histórico todo, o Judão já fez isso muito bem aqui. Indo direto ao assunto, a Warner lançou Gotham, uma proposta ousada e que tem tudo para ser o pé da DC na televisão. Sim, eu sei que Arrow está excelente (mas é daaaark), Flash e Constantine vêm aí muito fortes mas estamos falando de Batman, do morcegoso, o cruzado embuçado, um dos 3 Grandes da DC. Uma série dele tem muito mais poder e potencial, mas… ele não aparece na série.

A primeira pergunta que todo mundo faz é: como uma série do Batman funcionará sem ele? Bem, Smallville teve dez temporadas e o escoteiro azulão só apareceu no último episódio. Acima de tudo Gotham NÃO é uma série sobre o Batman, Gotham é uma série sobre um sujeito que coloca um casaco em um garoto e mostra a ele que o mundo não acabou.

A série não perde tempo, assim como na maioria dos meus encontros, em 3 minutos está tudo acabado e (spoilers) os pais de Bruce Wayne são mortos, mas nesse meio-tempo já fomos apresentados à Mulher-Gatinha, interpretada por Camren Bicondova, uma atriz de uma beleza que lembra a Michelle Pfeiffer, dançarina, atleta, perfeita para a personagem e com apenas 15 anos de idade, portanto nada de maldar a moça.

Camren Bicondova who plays Selina Kyle was pictured on her Catwoman costume on the set of the ‘Gotham’ TV series in Downtown, Manhattan, New York City

Camren Bicondova, mostrando a que veio. Não se iluda, provavelmente ela te dá uma surra.

James Gordon é um recém-chegado na polícia de Gotham, é “o” policial honesto, idealista e todas aquelas coisas que não funcionam nem no mundo real, que dirá na ficção. Ele é parceiro de Harvey Bulock, corrupto, preguiçoso, cruel, chato feio e bobo MAS com um senso de honra pessoal.

Já no primeiro episódio é mostrado o motivo de Gordon ser leal a Bullock, que apesar de ser “o” escroto, não é um personagem binário, não é “malvado por malvado”.

Gotham não é uma série do Batman mas é uma série sobre a mitologia do Batman, todo mundo está lá, incluindo o (futuro) Charada, que atende pelo levemente menos ridículo nome de Edward Nygma, em vez de Edward E. Nigma, mas quem rouba a cena é o Pinguim, embora eu não recomende que você o chame assim.

Ele é um capanga na gangue de Fish Mooney, interpretada pela Jada Pinkett Smith. Sim, a Niobe, de Matrix. O Pinguim de Robin Lord Taylor repete o fenômeno do Curinga de Heath Ledger; pela primeira vez o personagem causa medo. Ele não é aquela figura patética da versão do Danny DeVito, muito menos a do Burgess Meredith. Ele é um psicopata em treinamento. Mais que um sujeito que mata, ele tem prazer em machucar. Boa parte da primeira temporada mostrará a queda do Pinguim rumo à insanidade, e tem tudo pra ser muito bom.

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E viveram felizes para sempre. Até o minuto 2:50.

A série, nas mãos de Bruno Heller, criador do excelente Mentalista foge do caminho fácil de ficar jogando diquinhas de Bruce Wayne virar Batman. Não há morcegos nas paredes. O garoto aprenderá o Segredo do Morcego (NÃO CLIQUE!) com Gordon. Veremos aquilo que Ano 1 não mostrou.

Gotham é passada em um universo mais próximo do de Nolan, então não é provável que vejamos personagens com super-poderes. Eu chutaria que veremos, sim, o que o Nolan não mostrou: o Batman detetive brilhante. Já outras referências, estão lá. Algumas são inevitáveis, como a Mulher-Gatinha usar óculos como a Anne Hathaway, que inevitavelmente parecerão orelhinhas. Na morte dos Waynes vemos a seminal imagem criada por Frank Miller em Cavaleiro das Trevas, as pérolas caindo ao chão.

Outros personagens da folclore morcegal aparecem ou são mencionados. A maior adição, talvez, seja um grau de complexidade adicionado à morte dos Wayne que é algo tão óbvio e bom que é incrível não ter sido feito antes.

Gotham conseguiu manter a atenção em um piloto ao fugir da armadilha de querer contar 1.734 histórias de origem, e ao mesmo tempo deu mostras de muito do que está por vir. Portanto, meninos e meninas, aproveitem. Estamos vivendo a Era de Ouro dos Super-heróis no cinema e agora na televisão.

Trailer:

Sleezereckless — Gotham - Trailer Estendido Legendado

Nos EUA Gotham passa toda segunda-feira, na FOX. No Brasil a série estreará dia 29 de setembro, sendo exibida no mesmo Bat-Dia, mas em outro Bat-Canal, no caso a Warner.

P.S.: no site oficial os vídeos, mesmo trailers, não estão disponíveis para o Brasil, então lembro que o piloto já se encontra disponível na locadora do Paulo Coelho.

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