União Europeia quer que fabricantes não dificultem reparos de dispositivos

Há uma preocupação legítima de que o consumo desenfreado de dispositivos eletrônicos não só está causando danos ao meio ambiente, devido a extração de metais raros como está gerando muito lixo eletrônico, e como bem sabemos a reciclagem não é tão economicamente viável, embora seja necessária.

A solução a médio prazo seria estimular os consumidores a manterem seus smartphones, tablets, notebooks e outros eletrônicos por mais tempo e para isso dar certo, é importante que eles sejam facilmente reparáveis. Desnecessário dizer que grandes empresas como Apple e Samsung não gostam disso, elas ganham muito mais vendendo iPhones e Galaxies todos os anos para os aficcionados cheios da grana que adoram sempre ter o último lançamento e por causa disso sempre dificultaram ao máximo a possibilidade dos consumidores consertarem seus aparelhos por conta, obrigando-os a se manterem fiéis à assistência oficial que se reserva no direito de reparar ou não, jogando a culpa no cliente por mau uso e ele que se vire, de preferência comprando outro. E já vi acontecer, mais de uma vez.

O monopólio dos reparos não agrada os clientes e de vez em quando um ou outro político toma partido, como aconteceu no estado norte-americano do Nebraska: lá está em discussão uma lei do “Direito ao Reparo”, que visa em primeiro lugar permitir que fazendeiros possam eles mesmos decidir como conduzir assistência técnica em seus equipamentos agrícolas sem depender dos canais oficiais, mas por extensão isso se aplicará também a dispositivos móveis. Como era de se esperar a Apple subiu nas tamancas, alegando que reparadores de iPhones não-credenciados representariam riscos à segurança e obviamente a suas propriedades intelectuais, já que ela deixaria de ganhar dinheiro com a assistência de seus dispositivos.

Só que o Parlamento Europeu pensa de forma semelhante, mas estuda meios para regulamentar todo o mercado de dispositivos de uma forma mais sustentável. Discussões foram abertas entre os representantes do bloco e os fabricantes para que estes mudem completamente a forma de comercialização de seus produtos, passando a oferecer smartphones, tablets e outros eletrônicos mais robustos, confiáveis e que possam ser facilmente consertados.

A lista de recomendações é bem clara quanto a como os produtos deverão ser e também sobre a retirada de restrições à assistência independente:

  • critérios de “resistência mínima” serão estabelecidos para aprovas gadgets robustos, de boa qualidade e facilmente reparáveis;
  • os prazos de reparo deverão ser estendidos pelo tempo que for necessário;
  • os países da UE poderão dar incentivos para que os fabricantes produzam itens de acordo com as normas propostas, assim como estimular vendas de produtos de segunda mão e empresas de reparos, de modo a gerar empregos, reduzir a geração de lixo e consequentemente, aumentar o giro de capital no bloco;
  • os consumidores devem ter o direito de reparar seus gadgets da maneira que acharem melhor, inclusive se decidirem por um técnico independente (ou eles mesmos) e por causa disso, os fabricantes serão desestimulados a incluírem limitações que impeçam o acesso ao hardware através de ferramentas proprietárias;
  • baterias, LEDs e outros componentes essenciais não deverão ser fixos aos produtos a menos em questões de segurança;
  • componentes proprietários indispensáveis deverão ser comercializados livremente a um preço acessível e de acordo com sua natureza;
  • uma comissão ficará de olho em fabricantes que lançarem produtos visando uma “obsolescência programada”, de modo a fazer com que os mesmos sejam mais duráveis.

Por enquanto nada disso tem força de lei, mas como é da Europa que estamos falando não será surpresa se tais recomendações acabarem se tornando itens de uma nova legislação no futuro; tais mudanças enfureceriam grande parte dos fabricantes de dispositivos móveis, não apenas por perder o controle sobre a assistência de seus produtos como por serem obrigados a puxarem o freio em seu ritmo de lançamentos, sem falar nas medidas para gerar empregos no bloco dando mais poder de escolha aos usuários e beneficiando as assistências técnicas de terceiros.

Enfim, não deve demorar para Apple, Samsung e cia. limitada se manifestarem contra as recomendações da União Europeia. Vamos aguardar.

Fonte: PC Magazine.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Henrique Silveira Steinmetz

    Isso é algo realmente interessante, embora eu ache que vai propositalmente aumentar o preço de todos os eletrônicos…

    • Zalla

      pelo contrario, vão usar como desculpa, mas se gastou muito mais desenvolvendo celuares ulra-finos com tudo colado

  • Zalla

    PArem de usar cola e voltemos as carcaças com parafusos…não precisamos de celular com 2 mm de espessura

    • Alvaro Carneiro

      2 mm ? Tá atrasado! A moda agora é 1mm.

      Mas em 2018 já era, tem que ser 0,5mm para baixo.

      folha de papel mandou lembranças

      • Zalla

        sim…tá dificil até de segurar de t~ão frágeis que são

    • EmuManíaco

      que saudade de celular com parafusos.

      • Zalla

        era tão simples abrir e consertar, a gente mesmo conseguia fazer as coisas..agora tem que ter soprador, e pior se não souber usar vc estraga tudo

  • André Luiz

    Mas até que tem muita gente ganhando dinheiro com reciclagem e Logística reversa, a União Européia deveria incentivar tais práticas

    • José Carvalho

      Incentiva, e não só a nível de UE mas a nível individual nos países também.

  • Ha…..

    …haha….

    …..hahahahahahahh…..

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

    ..tá bom que irão ser permissivos dessa maneira… né Apple?

    • Claudio Roberto Cussuol

      Vai acontecer sim.
      Uma semana depois da Apple aderir àquela obrigatoriedade do plug micro-usb para aproveitamento dos carregadores.
      kkkkk

    • José Carvalho

      A Apple (e outras) podem até reclamar muito, mas não têm absolutamente voz nenhuma, precisam do dinheiro que circula na UE e não geram empregos cá para poder pressionar alguém…

  • Kirk

    Com a demanda cada vez maior, a questão ambiental é urgente.
    Espero que no futuro breve exista outra linha de pensamento, pois em algumas décadas (ou antes) o ciclo de trabalhar, consumir e gerar lucro vai quebrar.

  • SacoCheio

    A “obsolescência programada” está dando vida cada vez mais curta aos gadgets.
    Seja por falta de peças básicas (bateria após 2 ou 3 anos, quando morre, fica muito difícil de achar), ou simplesmente porque não há versão nova de SO e os apps param de funcionar…
    Ótimo para a sociedade de consumo, e péssimo para o meio ambiente.

    • CtbaBr©

      E todos eles se dizem preocupados com o saúde do planeta… Pura demagogia!
      Me lembro quando o nosso (des)governo passou a cobrar mais impostos de prestadores de serviços de manutenção, com o nítido objetivo de inviabilizar o conserto e incentivar a compra de equipamentos novos!

      • Neto

        Um na contramão de outro.

      • ochateador

        WTF.
        Sério isso ?

        • CtbaBr©

          Isso aconteceu depois do Lula assumir, em 2002!
          Houve uma diminuição da carga tributaria para os comerciantes e um aumento na tributação dos prestadores de serviço de manutenção de tecnologia!

          • ochateador

            Meu bom pai…

          • Oberaldo Gilmentoo

            Trabalho com direito tributáriohá mais de vinte anos e nunca vi nada desse tipo. Tem certeza de que foi alguma coisa do governo federal? Não foi só uma Prefeitura local que aumentou aliquotas de ISSQN? Claro que houve centenas de alterações nas formas de tributação, mas nada que possa ser qualificado especificamente como “aumento na tributação dos prestadores de serviço de manutenção de tecnologia”

          • CtbaBr©

            Foi coisa do Governo Federal sim, na época eles excluíram do simples todas as atividades de manutenção ligadas a informatica, só mantiveram o comercio desse itens no simples.

            Com isso, quem tinha uma pequena empresa de “Comércio e Manutenção”, foi forçado a desvincular o comércio da manutenção, ou fechar a manutenção e ficar só no comercio!
            A tributação do simples na venda ficava em torno de 5%, na manutenção como empresa “normal” ficava entre 12% a 17%!

    • Eduardo

      Não, péssimo para a sociedade de consumo tb, pq é melhor consumir uma peça do que comprar um celular inteiro novamente.

      A indústria funciona da mesma forma, mas deixa de focar só em peças para celulares novos e passa a produzir também peças para os antigos.
      Além disso, menos dinheiro gasto na indústria de celulares fará as pessoas consumirem de outras indústrias com o dinheiro economizado.

      Se vc compra um computador de respeito, ele não dura menos de 6 anos (e com atualizações de software). Os celulares deveriam durar, pelo menos, 5 anos com atualizações; afinal, os celulares de ponta estão tão caros quanto computadores.

  • Meganegão

    Até isso virar uma proposta cai demorar. Os pontos ainda estão muito vagos e subjetivos. Na minha opinião tem que mudar a cabeça do consumidor, não adianta nada ficar querendo fazer o mercado parar de vender o que o consumidor quer.

    • Ivan

      ninguem quer um celular que se quebrou não tem conserto pq a empresa colou tudo, só ver o caso do iphone que se trocasse o leitor a apple bloqueava o aparelho, deu processo

      • Mirai Densetsu

        Até onde sei, isso não atrapalhou as vendas do iPhone. Praticamente ninguém olha o índice de consertabilidade do iFix It antes de comprar algo.

        E o povão prefere que o aparelho não precise ser consertado, pra começar.

        • Ivan

          É? e pq deu processo pq a apple bloqueou o celular se trocasse uma peça?

          • Mirai Densetsu

            Tá, UM processo para um aparelho que vende aos milhões, sendo que essa feature não impediu que o iPhone 7 quebrasse mais um recorde de vendas.

            E não, ninguém deixou de comprar iPhone por causa de um processo.

          • Ivan

            tiraram o plug p2 e vendeu mais que agua, se acha que iam deixar de comprar pq é dificil consertar?

          • Mirai Densetsu

            É esse o ponto. Ninguém deixa de comprar por ser difícil de consertar.

          • Ivan

            Ninguem vai deixar de comprar mas todos querem consertar se quebrar.

          • Mirai Densetsu

            E aí é tarde demais para cancelar a compra.

    • Mirai Densetsu

      O que não vai acontecer. Afinal, fabricantes de eletrônicos são grandes anunciantes da mídia em geral e especializada. E eles não vão defender algo que vá reduzir as vendas de seus anunciantes.

      E como o povão vai sendo guiado pelo o que a mídia diz…

  • Anônimo, seu amigo no XXX

    Só na parte referente a “obsolência programada” vai ter muita fabricante chilicando ao extremo.

    • José Carvalho

      Já há alguns fabricantes que estão produzindo equipamentos mais duráveis, a Nokia, por exemplo, na linha N está oferecendo não só mais resistência física , mas suporte mais duradouro a atualizações e garantia de longo prazo (não me interessei ainda em ver qual é o prazo).

  • Gaius Baltar

    Dos pontos propostos pela UE só tenho ressalvas ao “os consumidores devem ter o direito de reparar seus gadgets da maneira que acharem melhor, inclusive se decidirem por um técnico independente (ou eles mesmos)”, a não ser que isso implique que o fabricante deixe de ser responsabilizado por problemas decorrentes dessa reparação não-oficial.
    No que toca ao texto discordo do ponto de que aparelhos top de linha sejam um exemplo de desperdício. É verdade que aparelhos top de linha são mais caros, mas têm uma durabilidade muito maior. Tenho um iPhone 5s adquirido há quase 4 anos que funciona perfeitamente e tem garantia de atualização de SO por pelo mais um ano, ao contrário de aparelhos mais baratos que rapidamente perdem desempenho e deixam de ser atualizados, virando lixo eletrônico mais rapidamente.

  • Fabio

    Nunca entendi por que é OBSOLECÊNCIA e não OBSOLÊNCIA. O primeiro parece tão feio.

    • José Carvalho

      Duas formas corretas, mas uma é relativa ao ato de tornar algo obsoleto, outra é a caracteristica adquirida de algo. Tornar-se obsoleto é entrar em obsolência, tornar algo obsoleto é obsolecencia

  • Dandalo Gabrielli

    Podiam pelo menos olhar para o próprio umbigo. A Philips, “holandesa”, é uma seguidora da Apple de eletrodomésticos. Só faz o projeto e tudo é na china. Já tentou fazer o reparo de algo q custe menos de 500 reais? As autorizadas já dizem isso não tem peça. Todos são possíveis de abrir facilmente, mas peças não são encontradas ou seu custo não justifica.

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