Ah, a ironia: novo tablet da Melhor Coreia é o Android mais seguro do mundo

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Uma das coisas boas a respeito do Android é que ele foi tão amortizado, seus componentes básicos são tão baratos que é possível atochar um aparelho completo numa revista e distribui-lo gratuitamente (aqui a AlmapBBDO fez com um acess point digrátis). A China e a Índia estão enchendo as burras de grana, hoje em dia mesmo os xing-lings mais suspeitos gozam de um certo nível de qualidade que seria impossível cinco anos atrás, os custos eram altos demais.

Isso permite que mercados avessos à tecnologia façam suas graças. A Melhor Coreia, embora avessa à inovação e que sequer possui internet também lançou um tablet e um smartphone Android em outros tempos, devidamente capados e que só acessavam a intranet interna, além de obviamente sintonizarem as emissoras estatais. É uma forma de dar aos cidadãos mais endinheirados algum acesso à tecnologia e evitar que os subversivos ganhem terreno, e nessa guerra vale tudo.

Inclusive lançar um novo tablet que para todos os efeitos é o mais seguro Android já visto. Chamado Woolim, acredita-se que ele tenha sido lançado na Melhor Coreia em 2015 e é fabricado pela chinesa Hoozo, o que obviamente se converte em um produto “nacional e patriótico” quando distribuído internamente como seus antecessores.

O Woolim não é muito diferente do Samjiyon: ele vem com uma série de conteúdos sancionados como cartilhas do partido comunista, dicionários de francês, russo e obviamente chinês, um app de digitação para crianças, uma versão local de Angry Birds e manuais de como conectar o tablet à intranet e sintonizar as emissoras estatais.

E isso é tão somente o que ele pode fazer. O governo da Melhor Coreia comercializa o Woolim sem os chips Bluetooth e Wi-Fi, e ele sequer executa arquivos externos de qualquer espécie. Ao tentar abrir qualquer coisa que seja, o tablet verifica a assinatura criptográfica e se ela não bate com a chave do sistema, ou o arquivo não for pré-aprovado pelo politburo ele simplesmente não abre.

Pode ser uma foto, um PDF, um TXT ou mesmo ou APK externo. Se não for sancionado, não roda. Especialistas dizem que um usuário médio da Coreia do Norte jamais conseguiria contornar as medidas de segurança do aparelho.

Piora, claro: cada vez que o usuário abre um app o Woolim tira um screenshot que não pode ser deletado, embora possa ser visualizado. É uma mensagem bem clara do governo, que estão de olho em tudo o que o usuário faz ou deixa de fazer.

A questão é: mesmo com todos esses pontos negativos quem compraria um tablet cujo preço gira entre US$ 167 e US$ 210 num país que mal tem eletricidade? Excluindo obviamente os proles o mais provável é que o Woolim seja voltado para a classe rica do país, os residentes de Pyongyang e num menor grau pode vir a ser distribuído com subsídios em escolas da capital ou em universidades, para complementar a educação doutrinária governamental.

De qualquer forma, chega a ser irônico que o Android mais blindado do mundo seja um pesadelo Orwelliano portátil vindo da Melhor Coreia.

Fonte: Motherboard.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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