Ronaldo Gogoni 12 anos atrás
As coisas não andam boas para a Sony. Ao ver o mercado de tablets e smartphones devorar o de PCs cada vez mais, a empresa que outrora ostentava a linha VAIO como um símbolo de qualidade, um sonho de consumo de muita gente (e por isso mesmo seus produtos eram caríssimos) foi sendo gradativamente dilapidado.
A empresa bem que tentou, mas o mundo mobile não é sua praia, isso ou não lançaria coisas esquisitas como um tablet que parece uma revista e outro dobrável, além do Xperia Play, um smartphone que rodava games do PSOne caríssimo, que morreu sem atualizações pouco tempo depois.
Por presepadas do tipo que a Sony viu o dinheiro escoar. Apesar de anunciar um lucro líquido de ¥ 27 bilhões (~R$ 638 milhões, cotação de 06/02/2014) no terceiro trimestre fiscal, ela cortou suas projeções futuras, prevendo prejuízo de ¥ 110 bilhões (~R$ 2,6 bilhões). Com isso, medidas drásticas foram tomadas de modo a manter a empresa na linha.
A primeira e mais desagradável é o corte de 5 mil empregos, 1.500 no Japão e 3.500 no resto do mundo até o fim do ano fiscal, que se dará em março. A segunda, já especulada, é se livrar da linha VAIO, vendendo-a para a empresa de investimentos Japan Industrial Partners num acordo que será concluído até março.
Embora tenha sido especulado que a Sony e a Lenovo fechariam uma parceria para revitalizar a linha, a empresa achou melhor vendê-la de uma vez, e privilegiou uma empresa japonesa em detrimento de uma chinesa, o que não chega a ser uma surpresa.
Por fim, a divisão de TVs também passará por mudanças: de modo a manter as contas enxutas, ela será desmembrada e convertida em uma subsidiária. A migração ocorrerá até junho.

Sony VAIO P: o produto era estranho, mas a propaganda chamou a atenção por outros motivos (Crédito: Divulgação/Sony)
A Sony declarou que vai se focar no mercado pós-PC, atendendo a demanda de seus investidores, que mesmo com essas mudanças não estão lá muito contentes: a previsão é que a companhia continue perdendo dinheiro, e há pressão para fechar fábricas e vender mais divisões para conter o sangramento.
Eu acho realmente uma pena a Sony sair do mercado de PCs, mas essa era uma pedra cantada há algum tempo. O ramo está indo de mal a pior e os produtos da linha VAIO eram indecentes de tão caros, ainda mais se comparados a concorrentes de configurações similares, ou mesmo idênticas. A Sony sempre presou pelo status da linha, seus produtos sempre tiveram tradição de serem mais caros, mas hoje em dia, isso só funciona com a Apple. E olhe lá.
O mais engraçado é que a Apple, na pessoa de Steve Jobs, reconhecia a qualidade da empresa. Segundo o escritor Nobuyuki Hayashi, em 2001 Jobs se encontrou no Japão com o então presidente da Sony, Kunitake Andō, durante uma partida de golfe. Em determinado momento, o CEO da maçã exibiu ao japonês um laptop VAIO rodando Mac OS X de forma nativa.
Jobs disse a Andō que estava disposto a abrir uma exceção, permitindo que a linha tivesse o sistema dos Macs à disposição, mas o presidente da Sony, satisfeito com a então saída estável de seus PCs, e para não comprometer contratos com terceiros, recusou a oferta.
Caso a história fosse diferente…
Fonte: Engadget