Gilson Lorenti 6 anos atrás
Quem está acompanhando o nosso curso de introdução à fotografia no Youtube já percebeu que fotografia não é fácil. Trabalhar com fotografia é mais complicado ainda. Várias coisas devem ser levadas em consideração e sob pressão muita gente acaba fazendo besteira. Por isso que o fotojornalismo é uma das profissões que mais respeito. Mesmo que os grandes jornais estejam dispensando funcionários e adotando meios mais simplórios de registrar as imagens da notícia, uma formação na área e bons equipamentos fazem a diferença. O resto é uma pitada de sorte (lembrando que sorte é meramente quando a oportunidade encontra a pessoa bem preparada).
Isso aconteceu essa semana com o fotógrafo da Associated Press, Burhan Ozbilici. Porém, chamar o acontecimento de sorte pode parecer um pouco sinistro. No dia 19 de dezembro, o policial turco Mevlut Mert Altintas de 22 anos, matou a tiros o embaixador russo da Turquia na abertura de uma exposição de fotografias em uma galeria de Ancara. Ler sobre situações de perigo é uma coisa, mas estar presente em uma é totalmente diferente. Ozbilici poderia muito bem ter ido embora, ter se abaixado, corrido para a saída mais próxima, mas preferiu ficar e continuar fotografando. Tipo da decisão que você toma em décimos de segundos e só se pergunta depois o motivo.
As imagens feitas do incidente correram o mundo e trouxeram fama para o fotógrafo (e junto vem o fardo de se tornar famoso por estar presente em um incidente tão trágico). A postura do profissional foi elogiada, como está mensagem de Micah Grimes, editor do NBC Nightly News.
AP photographer Burhan Ozbilici continued his work in the face of this. pic.twitter.com/mGdH37ZMei
— Micah Grimes (@MicahGrimes) 19 de dezembro de 2016
Ou da própria Associated Press que colocou a notícia em destaque.
An AP photographer was in the audience during the attack on Russia's ambassador to Turkey - the latest here: https://t.co/QNlIA8e2Eu pic.twitter.com/EBPa5izHsi
— AP Images (@AP_Images) 19 de dezembro de 2016
Ou do Los Angeles Times que fez uma entrevista com o fotógrafo:
A photographer's eyewitness account of Russian ambassador's assassination: "I'm a journalist. I have to do my work." https://t.co/kQfkQEelE8 pic.twitter.com/mQ8hnTJdyY
— Los Angeles Times (@latimes) 20 de dezembro de 2016
Ozbilici admite em sua entrevista que até pensou em fugir, mas decidiu ficar, pois não teria uma explicação para o fato de não ter feito a foto.
Esse é apenas um exemplo. Fotojornalistas estão presentes em todas as zonas de guerra do mundo. Vários morrem por ano. Não ficamos sabendo por não serem notícia. Mas, eles estão presentes registrando as imagens que o mundo precisa ver, mesmo com o perigo, mesmo com a carga psicológica evolvida.
É nesses momentos que sempre lembro de Robert Capa, o mais famoso fotógrafo de guerra de todos os tempos. Fico pensando o que passou por sua cabeça quando desembarcou com as tropas aliadas durante o Dia D na Normandia. Aliás, nessas horas, pensar deve ser a pior parte.