Ronaldo Gogoni 10 anos atrás
Tem coisas que não dá para entender. Alguns fabricantes de smartphones possuem estratégias diferenciadas para mercados distintos, mas quando se trata de seus produtos top de linha a ideia não seria prejudicar a imagem dele como um todo. Mas de vez em quando algumas decisões são estranhas.
Vejamos a Samsung por exemplo. Os novos Galaxies S7 e S7 Edge possuem duas versões, uma equipada com o Snapdragon 820 e outra com o poderoso Exynos 8890, que serão vendidas de acordo com as estratégias já definidas (no Brasil a versão vendida será a com o Exynos), mas a performance dos dois modelos é basicamente a mesma.
Já a LG pensa diferente. Em 2013 e 2014 as versões do G2 e G3 lançadas aqui vinham com menos memória de armazenamento, 16 GB contra 32 GB na maioria dos outros mercados. Até aí OK, podia-se usar a desculpa para manter o aparelho barato, dá para entender. O G4 lançado aqui em 2015 não tinha nada disso, era igual em todo o mundo.
Para a versão latina do G5 entretanto a fabricante sul-coreana resolveu variar um pouquinho, passando a faca justo no SoC.
Lá fora o novo top da LG será equipado com o Snapdragon 820, um quad-core da Qualcomm com CPU Kryo de dois núcleos de 2,15 GHz, dois de 1,593 GHz e GPU Adreno 530, e graças ao seu suporte a LPDDR4 o smartphone pode usufruir de 4 GB de memória RAM. Por aqui as coisas serão diferentes: segundo o gerente de vendas da LG Chile Cristián Correa o modelo que será vendido em toda a América Latina terá em suas entranhas o Snapdragon 652, um octa-core ARM com quatro núcleos Cortex-A72 de 2,2 GHz; quatro A53 de 1,8 GHz e GPU Adreno 510.
Embora os números brutos sejam próximos do 820, em testes a coisa é outra. O Galaxy A9, que utiliza um 652 marcou 64.591 pontos no AnTuTu, um bom número, é verdade. Já os testes preliminares do S7 e principalmente do G5 com o chip top da Qualcomm… bem, veja você mesmo:
Para completar o 652 só possui suporte a LPDDR3, o que limita a quantidade de RAM em 3 GB. Ou seja, o G5 que será vendido por aqui será rápido mas não tanto. E mais, o SoC inferior não suporta o LG 360 VR, o óculos de realidade virtual e ele sequer será lançado por essas bandas. Depois dessa cogito até a possibilidade do G5 latino chegar sem o Magic Slot, acabando como um modelo de bateria blindada incompatível com os LG Friends como um todo.
Correa explica que a decisão foi tomada após analisar o feedback dos usuários da região e levando em conta a óbvia crise financeira, dando a dica que foi um caso pensado para talvez reduzir o valor final e não prejudicar as vendas do dispositivo. Eu sinceramente não sei como será no Brasil onde os preços estão todos loucos, mas essa é uma possibilidade para o S7 brilhar, dando uma vantagem considerável à Samsung entre o perfil de usuários de aparelhos Android de ponta.
Fonte: Phone Arena.