Carlos Cardoso 17 anos e meio atrás
E nem estou falando das modelos. Essas continuam boas, digo, bem. O buraco (com trocadilho) é mais embaixo. Após as várias bolhas, o mundo online tem se relevado bem menos galinha dos ovos de ouro para quem não investe nele de verdade, e nada melhor para não investir nele de verdade do que ter um negócio tradicional que vai bem, obrigado. Ou ia.
Essa era a realidade da Playboy e várias outras publicações, quando foi quase obrigatório criar uma presença online. O que mais se via era gente de má-vontade. Jornais investiam o mínimo possível para depois dizer "viu? Internet não dá dinheiro", até hoje vemos atitudes amadorísticas em sites de grandes jornais que jamais passariam em uma redação normal.

O que não pagam é pelo velho conteúdo batido das revistas.
A Playboy durante anos reciclou material. O site brasileiro chegou a ficar duas ou três semanas desatualizado em relação à revista nas bancas, assim como o site americano ele é ainda uma porta de entrada para... a revista impressa.
Ao mesmo tempo, temos duplicação de equipes. A empresa digital não tem nada a ver com a empresa "real", para complicar há casos onde existe um portal de conteúdo E as revistas da editora possuem sites próprios, duplicando o mesmo conteúdo.
Isso só poderia resultar em custos altos, sites pouco acessados (Eu compro a Veja, Superinteressante e Info sempre que viajo de ônibus, mas NUNCA entrei no site das revistas) e cortes de verba.
Agora com a queda acentuada nos anunciantes das revistas físicas, quem investiu na má-vontade está vendo sua presença online cair nas estatísticas. Quem como a Playboy ainda por cima investiu em sites com ASSINATURA está começando a ficar assustado, pois o consumidor de conteúdo adulto prefere assinar conteúdo diferenciado, e não mais do mesmo.
Convenhamos, pagar US$85,95 por ano para assinar o site da Playboy? Melhor pagar uma assinatura anual do Rapidshare e baixar os vídeos do Dino1 (google é seu amigo).
A Playboy precisa perceber duas coisas, se não quiser ficar com uma mão na frente e outra atrás:
1 - Modelo de assinatura não funciona. Sites se mantém com patrocínio ou publicidade.
2 - Conteúdo, conteúdo, conteúdo. A versão online não pode ser o refugo da revista. Não pode ser feita por uma equipe de 3a linha nem pode apenas repetir o modelo impresso. É preciso aproveitar as características do meio online e oferecer algo que não é possível no papel.
O público consumidor de conteúdo adulto é imenso, está disposto até a pagar por ele, mas se o site é apenas uma grande, maçante, lugar-comum e paga propaganda da revista, ele vai fechar sem dó e acessar a Brasileirinhas.
Fonte: Ars Technica