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E lá vamos nós outra vez: a repercussão da reportagem sobre games violentos na Record

A Record exibiu uma matéria no Domingo Espetacular atribuindo aos jogos eletrônicos a culpa pelo massacre de Realengo, cometido por Wellington Menezes. Veja o que achamos disso.

9 anos atrás

Hitman, jogo violento, segundo a Record.

Sempre que uma tragédia desencadeada por um maluco acontece, a reação natural do ser humano é buscar por explicações. Reviram a vida do sujeito atrás de algo que justifique tamanha barbárie. "Por que ele fez isso?". Um psicanalista explica melhor, mas para esse leigo aqui, parece que encontrar um motivo para o criminoso parece amenizar o sofrimento de quem teve sua vida alterada drasticamente por um ato inconsequente.

Infelizmente, tais casos se repetem. O último foi o de Wellington Menezes, que entrou na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, e matou doze crianças absolutamente inocentes, gerando comoção no Brasil inteiro e repercussão internacional.

As investigações após o atentado, no qual Wellington foi morto, foram intensas. A polícia apreendeu o computador do sujeito, encontrou cartas e declarações em vídeo e foi atrás de pessoas que tinham contato com ele. Com isso, conseguiu traçar um esboço do perfil do assassino. Introspectivo, isolado, fanático religioso, vítima de bullying, gamer.

Numa olhada superficial, qualquer dos motivos acima podem ter desencadeado a fúria dentro dele que o levou a Realengo naquela manhã de 7 de abril. A melhor aposta, porém, é num misto de todos eles. Para boa parte da imprensa brasileira, os jogos eletrônicos têm parcela maior. O bode expiatório de sempre volta à cena.

Primeiro foi o jornal O Globo, que num desserviço digno de amadores, informou que nos games GTA e Counter-Strike ganha mais pontos quem mata idosos, mulheres e crianças. Sem link para O Globo (até porque a matéria original foi sorrateiramente modificada), o Aquino dissecou o ocorrido, aqui.

Essa não seria, porém, a maior exposição negativa dos jogos eletrônicos. Ontem a Record exibiu, no Domingo Espetacular, a reportagem da semana tendo como tema o perigo dos jogos violentos. Confira comigo:

Antes mesmo da exibição, em parte pelo sensacionalismo da chamada, a matéria causou revolta. Achei prudente esperar e ver o resultado.

A matéria, em si, não ficou tão ruim no tocante a denegrir a imagem dos jogos. Sim, ela é exagerada, mas toca em pontos importantes da questão e que devem ser esclarecidos e debatidos, como a pré-disposição do sujeito que se deixa influenciar por coisas do tipo e o sistema de classificação etária dos jogos curado pelo Ministério da Justiça.

Citados como exemplos, GTA, o eterno e intragável Counter-Strike e... surpresa, Duke Nukem (?)! Um aspecto legal da reportagem é que ela foca em adolescentes, público que, por mais que a muitos digam que não, precisam sim de atenção nesse aspecto.

Jogos, em si, são como qualquer outro produto de entretenimento, como filmes, por exemplo. Existem títulos de todos os tipos, para diversos perfis e idades. Atribuir unicamente a eles massacres em escolas é uma atitude rasa demais, preguiçosa e inconsequente. O mais triste é que, entre tantos especialistas e jornalistas, foi um jogador, hoje "livre dos jogos violentos" (sic), quem concluiu melhor a questão:

"Todos os pais têm que ter atenção no filho, que se começa esse tipo de jogo, se começa a ficar muito 'bitolado', daí... se tem cabeça fraca, vai acabar seguindo os exemplos do jogo."

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