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Pragmata — "dad game" inovador, divertido e sincero

Pragmata traz combate divertido e desenvolvimento natural da relação entre os protagonistas, graças à robozinha mais fofa dos games em anos

20/04/2026 às 9:30

Pragmata é a mais nova IP da Capcom, um game que passou por um longo e turbulento processo de desenvolvimento desde o anúncio original, em 2020. Adiado várias vezes ao longo de meia década, o título chegou quase às portas do anúncio da próxima geração de consoles, uma ironia e tanto.

A aventura estrelada por um adulto um tanto rabugento e uma garotinha-robô que esbanja carisma evoca temas sobre humanidade, solidão, família e pertencimento, além do inevitável e recorrente uso irresponsável da Inteligência Artificial (IA), que acaba se voltando contra seus criadores.

Pragmata (Crédito: Divulgação/Capcom)

Pragmata (Crédito: Divulgação/Capcom)

O game se sustenta em uma inteligente mescla de jogo de tiro em terceira pessoa com hacking em tempo real, que o faz parecer uma repaginação divertida dos shooters da 7.ª geração de consoles, mas com personalidade e um toque de esquisitice que só um estúdio japonês como a Capcom poderia fornecer.

"Eu queria ter uma filha assim!"

Pragmata se passa em um futuro próximo, após a humanidade descobrir um mineral na Lua chamado lunum, que uma empresa chamada Delphi Corporation conseguiu refinar na forma de lunafilamento (sério, quem bola esses nomes?), capaz de imprimir em 3D absolutamente qualquer coisa, desde que um modelo adequado exista.

Para minerar mais lunum, a Delphi construiu na Lua uma base chamada "Berço", ao mesmo tempo uma fábrica e uma impressora 3D gigante, autoadministrada pela IA IDUS, uma série de autômatos e sentinelas, alguns deles verdadeiras máquinas de guerra (para evitar roubo de empresas rivais) e alguns cientistas e técnicos humanos, mas estes já sabiam que IDUS é mais do que capaz de operar sozinha, tornando os humanos redundantes.

Pragmata (Crédito: Reprodução/Capcom)

Hugh é o clássico protagonista com dificuldades em socializar (Crédito: Reprodução/Capcom)

Os problemas começam quando a comunicação entre o Berço e a Terra é cortada, no que a Delphi despacha um time de técnicos para lidarem com a situação, entre eles Hugh Williams, piloto e engenheiro de sistemas. Assim que chegam, eles notam que a base está estranhamente vazia e, após um lunamoto (sim, o termo existe), Hugh é separado do seu time e quase morre, sendo salvo por D-I-0336-7, "uma Pragmata estado da arte", segundo a própria.

A pequena, chamada "Diana" por Hugh para facilitar o diálogo, é uma androide com a aparência e personalidade de uma garotinha de não mais que sete anos de idade, mas que revela ter a habilidade de hackear sistemas e autômatos do Berço, o que será muito útil, já que IDUS misteriosamente se virou contra os humanos e controla todas as instalações e sentinelas do lugar.

Pragmata (Crédito: Reprodução/Capcom)

A robozinha Diana é um poço de personalidade e fofura, mas também esbanja competência (Crédito: Reprodução/Capcom)

Hugh, que não é um humano dos mais animados, possui dificuldades em socializar e tende a ser mais sincero do que deveria, terá agora a difícil missão de descobrir por que IDUS enlouqueceu, o que aconteceu com os humanos do Berço e resolver o problema, contando apenas com a ajuda de Diana que, ao mesmo tempo, é tão ou mais humana que uma criança normal, e sujeita aos mesmos impulsos.

Pragmata desenvolve o relacionamento entre Hugh e Diana de forma bastante natural, com o engenheiro tendo que bancar o adulto na sala enquanto a suposta criança o enche de perguntas, mas é na hora do combate e exploração que a pequena mostra a que veio: ao hackear inimigos, um grid aparece na tela e você terá que apertar os botões na direção e sequência certas, passando por ícones na ordem correta para abrir a defesa de robôs operários, sentinelas e chefes, de modo que suas armas possam causar dano significativo.

O hacking em combate é feito em tempo real; você controla Hugh e Diana ao mesmo tempo e terá que atirar, esquivar e hackear tudo ao mesmo tempo agora, ou você vira carne moída. A exploração do mapa, que é bem grande, também envolve as habilidades da robozinha azul (que foi centro de uma absurda teoria da conspiração envolvendo a série Mega Man; não pergunte) para hackear passagens e resolver puzzles, de modo a abrir caminhos e acessar segredos.

Pragmata (Crédito: Reprodução/Capcom)

Combate mescla elementos de tiro em terceira pessoa e hacking de forma dinâmica (Crédito: Reprodução/ Capcom)

A ambientação de Pragmata pega elementos de vários shooters da 7.ª geração de consoles, que formaram um gênero em si que não foi seguido nas seguintes, sendo a referência mais óbvia o quase esquecido Binary Domain, desenvolvido pelo time da série Like a Dragon/Yakuza.

Pragmata vs. IA (de mais de uma forma)

Apesar de permanecer em desenvolvimento por mais de seis anos, alguns dos temas de Pragmata são bastante atuais, como a superconfiança de indivíduos e corporações na IA, levando a resultados desastrosos. Ainda que Diana seja também uma androide, ela existe fora do "grid" de IDUS (há um motivo para isso, claro) e é vista como uma anomalia, não diferente de Hugh.

O cenário da falsa Nova Iorque, literalmente impresso em 3D na Lua, evocou reações diversas do público, pois o time de design da Capcom decidiu apresentar a cidade como se tivesse sido concebida por um algoritmo imperfeito. Você vê ruas na vertical, prédios virados em 90 graus, carros que saem do chão e entram em edifícios e coisas do tipo.

E tão certo quanto o Sol que nasce todas as manhãs, parte dos jogadores acusou a Capcom de usar IAs generativas no desenvolvimento do game, o que é uma afirmação absurda; o diretor Cho Yonghee e o produtor Naoto Oyama disseram o óbvio, ambos não tinham como prever o futuro e conceberam o roteiro anos antes do boom dos algoritmos, odiados por boa parte do público por uma série de motivos.

Crédito: Reprodução/Capcom

Produtores de Pragmata tiveram que garantir que não usaram IAs generativas no desenvolvimento do game (Crédito: Reprodução/Capcom)

Polêmicas à parte, Pragmata se destaca na parte técnica com gráficos limpos e ambientes vastos, inimigos variados com padrões de ataque diversos, que exigem estratégias específicas para usar as habilidades de Hugh e Diana da melhor forma, e chefes inacreditáveis em design e complexidade, partindo da ideia de máquinas de combate desenvolvidas e gerenciadas por uma IA que não bate bem da bola.

No entanto, a força motriz do game é mesmo o relacionamento entre os protagonistas. Hugh evolui de um técnico antissocial para um adulto preocupado com o bem-estar de uma robozinha que ele sabe que não é humana, mas que ele passa a ver como sendo mais real do que a maioria das pessoas com as quais ele interage, incluindo os mesmos de seu time que vieram com ele para a Lua. Já Diana é confiável desde o início, mas também aprende a ouvir Hugh quando este lhe diz que há mais na vida do que ficar confinada em uma estação, estimulando nela o desejo de viver como uma pessoa real.

O grande ponto fraco do game, no entanto, é justamente o enredo simplista e raso, que poderia ser mais explorado com nuances e camadas, mas se desenrola em um plot bem previsível; o terceiro ato é basicamente telegrafado e o final também não surpreende, o que é uma pena. Por outro lado, há uma pletora de colecionáveis a serem coletados pelo cenário, como estatuetas e brinquedos para entreter Diana no abrigo, moedas para usar nas cartelas de bingo do robô auxiliar Cabin, e desafios que conferem trajes alternativos.

Crédito: Reprodução/Capcom

As batalhas contra os chefes são absurdas e criativas (Crédito: Reprodução/Capcom) (Crédito: Reprodução/Capcom)

No PC, Pragmata fechou uma parceria com a Nvidia para entregar Path Tracing via DLSS 4 para sombras e reflexos mais definidos, em que a otimização para as GPUs da Série 50 é óbvia, mas mesmo minha RTX 4070 Ti reproduziu efeitos com alta definição; de fato, as exigências técnicas do game não são tão altas, não é preciso um PC da NASA para jogá-lo com especificações elevadas, além de estar presente no PS5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2.

Por fim, Pragmata conta com localização total para o português brasileiro, tanto na legenda quanto na dublagem, com as vozes de Mckeidy Lisita (o atual Salsicha de Scooby-Doo e o Rocket Racoon do MCU) e Marina Mafra (a Emily de Resident Evil Requiem) nas vozes de Hugh e Diana, respectivamente.

Conclusão

Pragmata equilibra um roteiro um tanto meh com uma jogabilidade inteligente e criativa, que repagina convenções dos shooters desenvolvidos de 2005 em diante, enquanto entrega um excelente desenvolvimento entre os protagonistas, que evolui naturalmente. É divertido ver como Diana tende a brincar no abrigo com alguns dos vários colecionáveis que você coleta, como um escorregador que ela obviamente tenta subir ao contrário, como toda criança já fez um dia.

Caso o game estabeleça uma franquia com novos capítulos no futuro, será interessante ver como a nova robozinha azul queridinha da Capcom, e dos jogadores, irá evoluir.

Crédito: Reprodução/Capcom

Diana tem todo o direito de ser tão fofa (Crédito: Reprodução/Capcom)

No mais, Pragmata já figura entre os grandes lançamentos de 2026, ao lado justamente de outro título da Capcom, Resident Evil Requiem, ambos bem cotados entre crítica e público, e com Onimusha: Way of the Sword também esperado para este ano, mas é bom ver que a desenvolvedora japonesa ainda tem a capacidade de entregar novas ideias e adaptar antigas em novas roupagens, quando quer.

E, no processo, introduziu uma das personagens mais fofas dos games em muito tempo, e mais humana que muita gente por aí.

Pragmata — Ficha Técnica

  • Plataformas — PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e Windows (testado no Windows com cópia digital cedida por Capcom e Theogames);
  • Desenvolvedora/Distribuidora — Capcom;
  • Classificação indicativa — 12 anos.

Pontos Fortes:

  • Combate de tiro com hacking em tempo real é original e divertido;
  • Jogabilidade variada entre exploração, puzzles e combate;
  • Relacionamento entre Diana e Hugh evolui de forma natural e tocante;
  • Uma penca de colecionáveis para coletar;
  • Diana é O rolinho de canela de 2026. Revogam-se as disposições em contrário.

Ponto Fraco:

  • Trama um tanto superficial.

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