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Capcom Fighting Collection 2 — mais pancadaria old school

Capcom Fighting Collection 2 resgata diversos games de luta clássicos, da época em que o Dreamcast brilhava com ports do Arcade perfeitos

1 ano atrás

Capcom Fighting Collection 2 é a mais recente coletânea da desenvolvedora japonesa, que reúne 8 títulos lançados originalmente entre 1998 e 2004, a maioria portados originalmente para o Dreamcast, o último console de mesa da Sega, onde eles originalmente se tornaram populares.

O grande destaque do pacote é o resgate dos dois crossovers com a SNK desenvolvidos pela Capcom, os mais lembrados pelo público que reuniram os heróis de Street Fighter, The King of Fighters, e outras franquias acessórias, todos em um mesmo ringue.

Capcom Fighting Collection 2 (Crédito: Divulgação/Capcom/SNK/MiSK Foundation)

Capcom Fighting Collection 2 (Crédito: Divulgação/Capcom/SNK/MiSK Foundation)

Uma inesperada ode ao Dreamcast

Assim como o título anterior, Capcom Fighting Collection 2 cobre diversas franquias, com foco obviamente em Capcom vs. SNK: Millennium Fight 2000 Pro, e Capcom vs. SNK 2: Mark of the Millennium 2001, os dois últimos games do crossover entre as duas companhias que ainda não haviam sido portados para plataformas modernas. A Capcom resgatou também a série Power Stone, que foi bastante popular entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000.

Estes são os games incluídos no pacote:

  • Plasma Sword: Nightmare of Bilstein (1998);
  • Power Stone (1999);
  • Power Stone 2 (2000);
  • Capcom vs. SNK: Millenium Fight 2000 Pro (2000);
  • Project Justice (2000);
  • Street Fighter Alpha 3 Upper (2001);
  • Capcom vs. SNK 2: Mark of the Millenium 2001 (2001);
  • Capcom Fighting Evolution (2004).

Todos podem ser jogados online, e há as versões americana e japonesa disponíveis, além dos obrigatórios moldura de fundo, filtros, e ajustes de proporção da tela.

Capcom Fighting Collection 2 (Crédito: Reprodução/Capcom)

Capcom Fighting Collection 2 (Crédito: Reprodução/Capcom)

Os crossovers com a SNK permaneceram no limbo por muitos anos, esta tratou de localizar os games que desenvolveu recentemente, mas a Capcom permaneceu quieta por muito tempo. Após incluir Terry Bogard e Mai Shiranui em Street Fighter 6, gentileza retribuída com a futura presença de Ken e Chun-li em Fatal Fury: City of the Wolves, a desenvolvedora talvez tenha intenção de fazer algo novo em conjunto, e incluiu os games antigos nesta coletânea para medir a reação dos jogadores.

Os dois Capcom vs. SNK (o primeiro, em sua versão Pro, adicionava Dan Hibiki e Joe Higashi, que estavam de fora do game original) foram inovadores em sua época, ao implementar um sistema de Ratio que alterava a força dos lutadores. No primeiro game, isso influenciava quantos lutadores você poderia usar em seu time, de um forte de Ratio 4, a um máximo quatro fracos de Ratio 1, e combinações entre os dois extremos; em CvS2, você ajustava a força após escolher seus personagens.

Além disso, o segundo game usava seis tipos de mecânicas diferentes, os "Grooves", três da Capcom e três da SNK, inspirados em jogabilidades distintas:

  • C-Groove: três barras de especiais de Street Fighter Alpha;
  • A-Groove: Custom combos de SFAlpha;
  • P-Groove: sistema de parry/aparada de SFIII: 3rd Strike;
  • S-Groove: encher barra manualmente de The King of Fighters '94 e '95;
  • N-Groove: modo Advance de TKoF98, de corrida e esquiva com rolamento;
  • K-Groove: barra de Raiva de Samurai Shodown, que só enche recebendo dano.

O elenco de Capcom vs. SNK 2 é o mais farto, reunindo também lutadores de games mais diversos, como Rival Schools, Final Fight 2, e The Last Blade 2, além de personagens esquecidos como Eagle (do primeiro Street Fighter), e Ryuhaku Todoh (Art of Fighting).

Capcom Fighting Collection 2 (Crédito: Divulgação/Capcom/SNK/MiSK Foundation)

Capcom Fighting Collection 2 (Crédito: Divulgação/Capcom/SNK/MiSK Foundation)

Como uma coletânea da Capcom nunca está completa sem um Street Fighter que seja, o pacote inclui a versão Upper de Street Fighter Alpha 3, lançada originalmente em 2001 como uma atualização do game de 1998, com todos os personagens de versões caseiras habilitados para o Arcade desde o início, além de trazer correções de equilíbrio.

Outro título interessante é o Capcom Fighting Evolution, lançado em 2004 para Arcade, PS2 e Xbox, que reuniu lutadores de diversas franquias da Capcom sem restrições, incluindo dois até então inimigos não-selecionáveis de Red Earth, Hauzer e Nool. Foi neste game que a Capcom introduziu Ingrid, uma lutadora que se parece muito, em visual e estilo de luta, com Athena Asamiya da série The King of Fighters; ela apareceria em Street Fighter Alpha 3 MAX do PSP, e em outros jogos.

Já uma série parcialmente lembrada pela Capcom é Rival Schools, fruto de um dos primeiros esforços do estúdio para entrar na era 3D, surfando na onda da segunda metade dos anos 1990. Enquanto Street Fighter EX ficou a cargo da Arika, o time da casa criou um jogo e elenco totalmente novos, centrado em estudantes que resolviam suas diferenças na porrada. Havia todo tipo de lutadores, com destaque para os baseados em esportes, de vôlei a beisebol; o Brasil também marcava presença, com o goleiro Roberto Miura.

Curiosamente, a Capcom ignorou o game original Rival Schools: United by Fate, preferindo incluir em Capcom Fighting Collection 2 a sequência Project Justice, talvez por ser bem mais refinado tecnicamente. Ainda assim, a Capcom ficou devendo trazer de volta um game que faz parte de sua história.

Capcom Fighting Collection 2 (Crédito: Divulgação/Capcom)

Capcom Fighting Collection 2 (Crédito: Divulgação/Capcom)

Além de Rival Schools, a Capcom também possui outras duas séries de luta 3D, uma delas sendo Star Gladiator, aqui representado pelo segundo game, Plasma Sword; foi desta que Hayato, o espadachim espacial de Marvel vs. Capcom 2, saiu.

O game original de 1996, que tinha o subtítulo Episode 1: Final Crusade, também ficou de fora da festa, talvez pelo mesmo motivo de United by Fate: é um jogo antigo, truncado e (para os padrões de hoje) feio, ao passo que Nightmare of Bilstein apresenta melhorias em relação a seu predecessor em todos os aspectos. Tanto lá quanto cá, não custava espremer espaço (a Fighting Collection original tinha 10 games, esta tem 8) em prol de cobrir toda a linha do tempo de ambas franquias.

A outra série é a divertidíssima Power Stone, que angariou popularidade suficiente para ser adaptada em um anime. Desta vez os dois games estão presentes, com suas mecânicas menos focadas em combates um contra um, preferindo uma abordagem de confronto em espaços abertos, permitindo o uso de objetos do cenário, de mesas a bombas; aqui, Power Stone 2 se destaca por suportar até 4 jogadores simultâneos, em situações que não devem nada à série Super Smash Bros.

Os dois Power Stone, bem como Project Justice, Plasma Sword, e os dois Capcom vs. SNK, foram bastante populares graças ao Dreamcast, o console de 128 bits da Sega que chegou prometendo, e entregando, conversões 100% fiéis a jogos do Arcade desenvolvidos para sua placa NAOMI, visto que a arquitetura entre ambas plataformas era a mesma; paralelo a isso, ele foi o primeiro sistema não-SNK que rodava games do Neo Geo sem perda de desempenho, em relação à placa MVS e o console AES.

Project Justice e Plasma Sword ficaram por mais de 20 anos esperando a oportunidade para serem apreciados em outros sistemas caseiros que não o Dreamcast, ainda amado a ponto de continuar recebendo novos games, desenvolvidos e/ou portados pela comunidade.

Press F to pay respects. Você não, Leonam (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Press F to pay respects. Você não, Leonam (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Para encerrar, Capcom Fighting Collection 2 apresenta uma emulação perfeita, com a Capcom talvez usando o que aprendeu com a Digital Eclipse, que hoje pertence à Atari; o Museu, também obrigatório, vem apinhado de músicas clássicas, e uma quantidade enorme de artes oficiais, stickers de Arcade com comandos de golpes, e outros conteúdos raros, como storyboards do desenvolvimento de vários games.

Conclusão

Capcom Fighting Collection 2 segue a fórmula da coletânea de 2022, dando foco a títulos do passado que hoje são vistos como curiosidades da história da desenvolvedora, embora alguns deles tenham sido bastantes populares em seu tempo, como os dois Power Stone. Ele também marca o retorno dos dois Capcom vs. SNK, completando a lista de games crossover hoje disponíveis em plataformas modernas.

Para quem gastou muitas fichas, ou horas na frente da TV jogando em seu Dreamcast, revisitar esses games com máxima qualidade e fidelidade é um presente e tanto.

Capcom Fighting Collection 2 (Crédito: Divulgação/Capcom)

Capcom Fighting Collection 2 (Crédito: Divulgação/Capcom)

Por outro lado, a decisão da Capcom de não incluir na coletânea Rival Schools: United by Fate, e Star Gladiator - Episode 1: Final Crusade chega a ser incompreensível, por mais que suas sequências sejam tecnicamente superiores; enquanto o primeiro foi portado para PSOne, PS3, PSP e PS Vita, em duas versões distintas com modos extras, incluindo um Dating Sim (!), o segundo só está oficialmente disponível no Arcade e no PlayStation original, desconsiderando emulação, por razões óbvias.

Independente disso, Capcom Fighting Collection 2 ainda vale a pena por reunir 8 games de luta divertidos que mostram como a Capcom começou a trabalhar com 3D, mas sem perder a mão nas produções clássicas em duas dimensões.

Capcom Fighting Collection 2 — Ficha Técnica

  • Plataformas — PS4, Xbox One, Nintendo Switch e Windows (analisado no Xbox Series X, com cópia cedida pela Capcom e Theogames);
  • Desenvolvedora — Capcom;
  • Distribuidora — Capcom;
  • Classificação indicativa — 12 anos.

Pontos Fortes

  • Seleção variada de games bem diferentes;
  • Suporte total a partidas online;
  • Museu recheado de músicas clássicas e artes raras.

Ponto Fraco

  • Star Gladiator - Episode 1: Final Crusade e Rival Schools: United by Fate ficaram de fora.

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