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Jovi Y31: errando o ponto. De novo

Jovi Y31 erra feio ao cobrar muito por hardware para lá de defasado, e bateria de 7.200 mAh não serve de consolo

14 semanas atrás

O Jovi Y31 é a versão nacional do Vivo Y31d, um smartphone (na teoria) intermediário voltado a usuários com rotinas intensas, justificado por sua bateria avantajada de 7.200 mAh e resistência acima da média. Ele não foi projetado para ser um celular premium, mas uma opção para quem prioriza o básico.

Porém, a fabricante chinesa derrapa outra vez ao fixar um preço sugerido alto em um dispositivo consideravelmente defasado, que não tem nem mesmo conectividade 5G em pleno 2026, algo que mesmo celulares de entrada hoje suportam.

JOVI Y31 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Jovi Y31 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Afinal, qual é a do Jovi Y31? Eu o testei por uma semana e conto o que achei dele a seguir.

Nota de transparência

Desde 2004, o Meio Bit publica análises opinativas com o intuito de ajudar os leitores a tomarem sua própria decisão de compra, seja de um gadget, um game, ou um serviço/software/app. Nós somos francos em nossas opiniões e destacamos pontos positivos e negativos de igual maneira, não importando a natureza dos produtos, de modo a manter a integridade e transparência do site.

Ninguém externo à redação do Meio Bit teve acesso ao review de forma antecipada, bem como não houve nenhum tipo de interferência, pagamento ou direcionamento da JOVI e/ou terceiros em relação ao seu conteúdo.

O Y31 foi fornecido pela Jovi Brazil em caráter de empréstimo; ele será devolvido à empresa após os testes.

Design

O design do Jovi Y31 é bem similar ao do Y29 5G, um corpo de plástico com cantos curvos, 16,7 cm de altura, 8,4 mm de espessura e 219 g. Esse form factor não se destaca muito entre os celulares de entrada e intermediários disponíveis no Brasil, com bordas modestas para um maior aproveitamento da tela.

Na parte das portas, ele possui uma USB-C 2.0 e bandeja para dois cartões nano-SIM, mas não suporta cartões microSD. Mesmo oferecendo 256 GB, espaço extra nunca é demais e celulares não-premium, por via de regra, não costumam podar o recurso de expansão.

JOVI Y31 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Jovi Y31 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

O celular traz um leitor de digitais no botão Liga/Desliga tal qual o Y29 5G, uma opção válida para modelos simples que não contam com câmeras frontais boas o suficiente para funcionarem de modo estável com reconhecimento facial. O Y31 até suporta a função, mas como esperado não é tão preciso assim.

Paralelo a isso, a Jovi se gaba de que o gadget possui certificação "IP69+", uma denominação própria que na prática é a combinação IP68/IP69, que torna o Y31 resistente contra poeira, jatos de água de alta pressão e mergulhos acidentais de até 1,5 metro de profundidade em água doce, por no máximo 30 minutos.

Tela e som

Aqui a Jovi mais uma vez chutou baixo. O painel é um IPS LCD de 6,75 polegadas, proporção 19,5:9 e resolução apenas HD+ (1.570 x 720 pixels), e embora tenha uma taxa de atualização de 120 Hz, não dá para fazer milagre com um display tão fraquinho. De novo, concorrentes como Samsung, Motorola e Xiaomi equipam seus modelos de entrada com telas no mínimo Full HD.

A fluidez na rolagem de tela é boa e o brilho de 1.250 nits é até razoável, mas a baixa resolução puxa a experiência de uso para o fundo do poço.

JOVI Y31 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Jovi Y31 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

O som melhorou um pouquinho em relação ao Y29 5G, o Y31 traz saídas estéreo ao invés de uma mono, mas como os alto-falantes são bem básicos, a distorção em volumes altos é notável. De novo, prefira usar fones de ouvido ou caixas de som Bluetooth externas para uma experiência de áudio mais agradável.

Software e conexões

O Jovi Y31 roda OriginOS 6, um fork próprio baseado no Android 16 que incorpora recursos de Inteligência Artificial (IA), como não podia deixar de ser. O recurso Origin Island, uma "ilha" no topo da tela, funciona como hub contextual, basta arrastar qualquer arquivo e ele sugere o app correspondente. O aparelho também oferece uma função de transcrição para converter áudio em texto e de resumo de notas.

Ele também possui Circule para Pesquisar, capaz de realizar buscas de qualquer elemento destacado na tela.

JOVI Y31 (Crédito: Reprodução/Jovi Brazil)

Jovi Y31 (Crédito: Reprodução/Jovi Brazil)

Na parte das conexões, o Jovi Y31 outra vez chuta muito baixo: de maneira inexplicável, o celular é compatível apenas com redes 3G e 4G, culpa de um SoC bastante defasado (mais sobre a seguir), uma decisão de design indefensável quando até mesmo celulares simples da concorrência suportam 5G.

Por fim, a Jovi diz que o Y31 receberá duas atualizações de sistema operacional, uma marca baixa quando olhamos para a Samsung, que hoje em dia oferece pelo menos cinco updates para seus modelos de entrada e intermediários.

Desempenho e autonomia

O Jovi Y31 é equipado com um Snapdragon 6s 4G G2, um octa-core da Qualcomm de 6 nanômetros com arquitetura similar aos chips lançados por volta de 2018, por isso o celular não suporta 5G. Ele é aliado a 8 GB de RAM, que pode ser expandida até 16 GB com o recurso que usa parte dos 256 GB de espaço interno, nada diferente do swap dos velhos tempos do Linux.

O desempenho não é nada surpreendente. Asphalt Legends, um benchmark orgânico para celulares, rodou com gráficos na configuração padrão de forma estável. Já o gacha Azur Lane apresentou engasgos graças à sua natureza de shoot'em up, principalmente quando muitos elementos eram reproduzidos na tela ao mesmo tempo.

JOVI Y31 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Jovi Y31 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

A bateria de 7.200 mAh é o grande selling point do celular, que a Jovi garante ter uma durabilidade de 6 anos sem se desgastar, o que é uma promessa e tanto. O outro ponto é a longa autonomia, que segundo dados oficiais, garante 45 horas de reprodução de vídeos, 13,2 horas de games, 22 horas de redes sociais, ou 68 horas de reprodução de música.

Claro, isso são dados providos pelo PR da Jovi. Em um teste orgânico, tirando o celular da tomada às 8:00 e rodando duas horas de streaming de vídeo, duas horas de streaming de áudio, duas horas de games (Asphalt Legends e Azur Lane, uma hora cada), navegação e redes sociais, sempre no 4G e com o brilho no máximo, a bateria marcou 27% por volta das 21 horas, o que se alinha com a promessa de um dia de uso moderado para pesado. E ela realmente resiste bastante quando alcança 1%, se deixada em repouso; a Jovi promete 41 minutos de ligação nesse estado até zerar.

O carregador de 44 W que acompanha o kit foi capaz de injetar uma carga de 0 a 50% em menos de 50 minutos, mas levou mais duas horas para "encher o tanque".

Câmeras

O conjunto de câmeras principal do Jovi Y31 é similar ao presente no Y29 5G, com uma wide de 50 MP e uma auxiliar de 2 MP para capturas com mais profundidade.

O segredo aqui é não se impressionar com os grandes números, pois os sensores são bem básicos.

JOVI Y31 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Jovi Y31 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

A wide funciona bem em situações com bastante luz ambiente disponível, mas mesmo nesses casos é possível notar perda de definição nas bordas. Os recursos de correção via IA, dominante em celulares chineses, aplica uma paleta de cores suavizada e embelezamentos alinhados ao gosto dos usuários do País do Meio, mas menos apreciados no ocidente. Mesmo assim, eles não podem ser desligados.

No geral, a performance da câmera wide é regular, seja em capturas com 12 MP ou em 50 MP.

Foto externa com a câmera wide (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Foto externa com a câmera wide (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Fotos internas têm uma boa quantidade de ruído, seja no modo normal com IA ou no modo Retrato, mas com muito pouca distorção das cores, o que é uma coisa boa. De modo geral, o sensor é adequado para fotografar cenas corriqueiras e escanear documentos, mas busque por lentes melhores em situações mais exigentes.

Ou seja, não é nada muito diferente de qualquer outro celular intermediário.

Foto interna no modo Retrato (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Foto interna no modo Retrato (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

A câmera frontal de 32 MP é curiosa porque a versão global deste celular, o Vivo Y31d, usa uma bem mais simples de 8 MP, essencialmente a mesma do Y29 5G. Não se sabe por que a Jovi decidiu embarcar um sensor tão mais potente no modelo brasileiro, mas se eu fosse chutar, nós adoramos tirar selfies.

De fato, o sensor presente neste celular é bem melhor e oferece capturas com mais detalhes, mas ainda gera muito ruído em ambientes externos ou com pouca luz, mas por outro lado, as cores estão bem menos lavadas e dá para realizar chamadas de vídeo com um pouco mais de qualidade.

Ambos os conjuntos gravam vídeos em 1080p a 30 fps.

Selfie com a câmera frontal (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Selfie com a câmera frontal (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Ainda que concorrentes possuam câmeras melhores, ao menos aqui a Jovi não nivelou muito por baixo.

Conclusão

O Jovi Y31 é um celular intermediário que beira perigosamente o limite dos modelos de entrada, especialmente se lembrarmos da ausência imperdoável de 5G e de uma entrada para cartões microSD. Exatamente por isso, o preço sugerido de R$ 2.299 soa como uma insanidade, mesmo em tempos de crise de componentes e do Real tendo virado confete.

JOVI Y31 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Jovi Y31 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Por cerca de R$ 1,5 mil, o Galaxy A36 da Samsung oferece 5G, tela Full HD+, câmera de 50 MP com estabilização óptica de imagem (OIS), compatibilidade com Android 16 e mais cinco anos de atualizações do Android, mesmo também não possuindo uma entrada para microSD.

O Galaxy A56 sofre do mesmo problema (vai ver é tendência...), mas por um preço similar ao do Jovi Y31, ele traz câmeras que captam em 4K, além de vir com um sensor ultrawide de 12 MP e um macro (questionável) de 5 MP, além de claro, 5G.

O Jovi Y31 faz sentido para quem procura um celular básico duro na queda e com uma bateria avantajada, mas talvez se o preço chegar a um patamar inferior a R$ 1,5 mil e mesmo assim, lembre-se que você estará limitado ao 4G.

Jovi Y31 — Ficha Técnica

  • Processador: Qualcomm Snapdragon 6s 4G G2 (6 nm), octa-core com 4  núcleos Cortex-A73 de 2,9 GHz, e 6 Cortex-A53 de 1,9 GHz;
  • GPU: Adreno (não identificada);
  • Memória RAM: 8 GB;
  • Armazenamento interno: 256 GB;
  • Armazenamento externo: não expansível;
  • Tela: LCD IPS de 6,75 polegadas;
  • Resolução: 1.570 x 720 pixels (proporção 19,5:9, ~256 ppi);
  • Taxa de atualização: 120 Hz;
  • Brilho: até 1.250 nits (HBM);
  • Câmeras traseiras: Wide de 50 megapixels, abertura f/2,0, auxiliar de 2 megapixels, Flash LED, grava vídeos em 1080p a 30 fps;
  • Câmera selfie: 32 megapixels, abertura f/2,45, grava vídeos em 1080p a 30 fps;
  • Sensores: Proximidade, acelerômetro, giroscópio, bússola, leitor de digitais no botão Liga/Desliga;
  • Conectividade: 4G LTE, Wi-Fi 5, Bluetooth 5.1, NFC, GPS, GLONASS, BDS, GALILEO, QZSS;
  • Bateria: 7.200 mAh, com suporte a carregamento rápido de 44 W;
  • Portas: USB 2.0 Type-C;
  • Sistema operacional: OriginOS 6 (baseado no Android 16);
  • Dimensões: 166,6 x 78,4 x 8,4 mm;
  • Peso: 219 g;
  • Cores: Branco Lírio, Preto.

Pontos fortes:

  • Bateria ampla (mas não espere por 3 dias com uma só carga);
  • Resistência acima da média.

Pontos fracos:

  • Só 4G? Sério mesmo?
  • Tela HD fraquinha;
  • Câmeras básicas;
  • Preço sugerido não faz sentido algum.

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