Ronaldo Gogoni 1 ano atrás
O Galaxy A26 5G é o modelo mais básico dos recentes lançamentos da Samsung para sua linha de smartphones intermediários, abaixo do A56 e do A36, nessa ordem. Graças a um hardware mais limitado, ele passa muito próximo de um aparelho de entrada e se limita a fazer o básico: desempenho mediano, bateria razoável, e câmeras apenas suficientes.
Por outro lado, a Samsung fez questão de incluir o Galaxy AI, seu pacote de ferramentas de Inteligência Artificial generativa, agora com um novo nome fantasia.
Descubra se o Galaxy A26 5G vale o que pede, após duas semanas de testes.
Desde 2004, o Meio Bit publica análises opinativas com o intuito de ajudar os leitores a tomarem sua própria decisão de compra, seja de um gadget, um game ou um serviço/software/app. Nós somos francos em nossas opiniões e destacamos pontos positivos e negativos de igual maneira, não importando a natureza dos produtos, de modo a manter a integridade e transparência do site.
Ninguém externo à redação do Meio Bit teve acesso ao review de forma antecipada, bem como não houve nenhum tipo de interferência, pagamento, ou direcionamento da Samsung e/ou terceiros, em relação ao seu conteúdo.
O Galaxy A26 5G foi fornecido pela Samsung em caráter de empréstimo; ele será devolvido à empresa após os testes.
A linha Galaxy A pode não ser tão avançada quanto a S, mas seus aparelhos costumam ter um design caprichado, ao menos visualmente. O Galaxy A26 5G conta com uma traseira de plástico e bordas mínimas, para o maior aproveitamento de tela, e com 16,4 cm de altura e 200 g, ele é pouco maior que o S25, mas nem de longe fica desconfortável no bolso da calça.
Na parte das portas, temos uma USB-C 2.0 com suporte a OTG, e a para dois cartões SIM, híbrida, onde mais uma vez o usuário deverá escolher entre dois chips de operadora, ou apenas um e o cartão microSD. Em verdade, poucas fabricantes incluem bandejas com três slots, e a Samsung não é uma delas.
De resto, temos os botões de Volume e o Liga/Desliga, onde o leitor de impressões digitais foi acomodado, uma decisão básica para um celular básico.
Temos aqui um display Super AMOLED de resolução Full HD+ (2.340 x 1080 pixels), com boa definição de detalhes e cores vivas, porém o brilho não é dos melhores. Em contrapartida, o A26 possui algo que nem mesmo o S25 trouxe, a possibilidade de fixar a taxa de resposta da tela em 120 Hz.
No smartphone premium mais "básico" da Samsung, você só pode usar essa taxa no modo dinâmico, onde o dispositivo decide quando o aplicar.
Já o som sofreu um downgrade quando comparado ao Galaxy A25 5G, seu antecessor direto: enquanto este possuía alto-falantes estéreo, o A26 conta apenas com um mono. A qualidade do áudio é apenas básica (você vai ler isso bastante por aqui), logo, dê preferência a fones de ouvido, ou caixas de som Bluetooth.
O Galaxy A26 5G roda Android 15 com a interface gráfica One UI 7, e mesmo basicão, conta com as obrigatórias ferramentas Galaxy AI, que receberam no Brasil o nome comercial Inteligência Absurda (Awesome Intelligence no exterior); claro que estão imitando o Apple Intelligence, afinal, Samsung.
A função da Inteligência Absurda, segundo a fabricante, é "democratizar" a IA, ou seja, oferecer funções que usam algoritmos generativos e facilitar seu uso pelas massas, daí toda a série Galaxy A receber de agora em diante.
A Seleção IA, por exemplo, oferece opções contextuais conforme o que está na tela, seja uma foto, um vídeo, ou texto; é possível, por exemplo, criar um GIF animado com apenas alguns comandos. O Apagador de Objetos, por sua vez, permite selecionar elementos para remoção de uma imagem, com toques sobre o que se quer eliminar.
Claro que é interessante um dispositivo intermediário de entrada ter recursos de IA, significa mais gente usando e nessa abordagem, para funções cotidianas como edição simplificada de imagens, resumos de textos e áudios, e outros.
Falando do Android, a Samsung garante 6 anos de atualizações de sistema, o que o torna uma opção interessante frente à concorrência, que só agora começou a se mexer (mas apenas com a linha de ponta, claro).
A versão para a América Latina do Galaxy A26 5G veio com o Exynos 1280, um octa-core de 5 nm com dois núcleos de 2,4 GHz para funções pesadas, 6 de 2 GHz para o dia a dia, e uma GPU de 900 MHz; o modelo global conta com o mais potente Exynos 1380, que traz 4 núcleos de cada e GPU de 950 MHz. Tal decisão foi tomada provavelmente para conter os custos.
Em contrapartida, a Samsung decidiu lançá-lo por aqui com o máximo de RAM e espaço interno possível, respectivamente 8 GB e 256 GB, com suporte a até 2 TB via microSD. Esse conjunto é o mínimo suficiente para dar conta do Galaxy AI, mas também suporta alguns games razoáveis.
Asphalt Legends Unite rodou sem engasgos com os gráficos na configuração padrão, enquanto o shoot'em up Azur Lane apresentou alguns momentos de lentidão, em momentos com muitos elementos na tela. Em geral, games mais contidos rodam bem, enquanto o Galaxy A26 definitivamente não vai se dar com outros mais exigentes e comilões de recursos.
Já a bateria de 5.000 mAh deixou a desejar. Nos meus testes, eu o retirei da tomada às 8:00, rodei uma hora de streaming de vídeo, uma hora de streaming de áudio, uma hora de games (Asphalt Legends Unite e Azur Lane, 30 minutos cada), navegação, redes sociais, e IA durante o dia, sempre com o brilho no máximo e taxa de atualização de 120 Hz.
Por volta das 16:00, a carga já havia diminuído para 21%, dentro do prometido de 10 horas de uso padrão pela Samsung, mas ainda assim, uma marca muito baixa. Para completar, embora o gadget suporte carregamento a 25 W, o carregador na caixa é de apenas 15 W, que levou quase 2 horas para injetar uma carga completa, de 0 a 100%.
Novamente, a Samsung joga com o básico. O Galaxy A26 5G possui um sensor Wide de 50 MP, um Ultrawide de 8 MP, e um curiosamente dedicado a Macro, mas de apenas 2 MP. Esse kit garante fotos e vídeos sem muitas perfumarias, apenas para marcar presença.
A câmera Wide é a pronta para a maioria das situações, é possível tirar fotos em 12 MP (ajuste padrão) ou 50 MP, enquanto a Ultrawide é ativada ao selecionar o zoom de 0,5x. Aproximações acima de 1x são realizadas pela Wide, mas digitalmente (lentes teleobjetivas são restritas à linha Galaxy S).
Ainda assim, é possível captar imagens de boa qualidade em situações ideais, com muita luz ambiente.
Em ambientes internos, o A26 tende a ativar o modo Noturno, mas no geral, e dependendo da iluminação, há leve para moderada granulação, perda de detalhes, e distorção das cores. Ainda que este seja um modelo que tenta a todo custo parecer intermediário, ao menos nas câmeras, ele recebeu tratamento de entrada.
Dá para fazer uma ou outra graça com o modo Retrato, e os ajustes de IA, como de costume.
A câmera Macro, convenhamos, é uma mera curiosidade. Com apenas 2 MP, e dadas as costumeiras limitações de smartphones mais acessíveis, era de se esperar que não seria grande coisa. Por ter foco fixo, aliado à baixa resolução, ela sofre para capturar elementos mesmo nas melhores condições de luz possíveis.
Ou seja, não espere muito dela; se você realmente quer tirar macros de qualidade, invista em uma câmera dedicada.
E temos a câmera selfie. Com 13 MP, ela é mais capaz do que o esperado, e consegue captar detalhes e cores com alta fidelidade, sendo uma das melhores em sua faixa de preço. Isso é uma ironia e tanto, se analisarmos que o conjunto principal apenas "dá para o gasto".
Você provavelmente não compraria um smartphone com base na qualidade de suas selfies, mas ao menos neste quesito, o aparelho merece elogios.
Ambas câmeras filmam a no máximo 30 fps em resolução máxima (4K na Wide, 1080p na selfie), mas a principal possui estabilização de imagem apenas quando filmando em Full HD, o que é bizarro.
O Galaxy A26 5G é um smartphone honesto no que se propõe, ser um dispositivo bem básico. Quase não dá para considerá-lo um modelo intermediário, suas limitações o deixam perigosamente na borda do grupo de entrada, um pouco menos e ele seria um Galaxy M26.
Dito isso, o preço sugerido original de R$ 2.299 era uma maluquice, e o atual de R$ 2.099 da Samsung (com 10% de desconto em compras à vista) também não faz sentido algum, ainda mais em tempos de recessão e com o poder aquisitivo dos brasileiros severamente reduzido; entretanto, é possível encontrá-lo na rede varejista por mais sensatos R$ 1,5 mil, aproximadamente.
Por um preço um pouco menor, o Moto G55 5G da Motorola é uma opção para quem deseja economizar uns trocados, mas como desvantagens, a tela é menor (6,4" vs. 6,7"), e o aparelho só terá duas atualizações do Android.
Outro similar, porém na mesma faixa de preço do A26 e com tela grande, é o Inifinix Note 40 5G da Positivo, sucessor do modelo analisado em 2023; este recebeu apenas um update de SO, então é provável que o de 2024 siga o exemplo.
Se você não quer gastar muito, e pretende adquirir um smartphone Samsung, o Galaxy A26 é uma opção bem em conta, mas tenha em mente que você levará para casa apenas o básico.
Com IA, claro.
Pontos fortes:
Pontos fracos: