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Deezer vai ajudar rivais a caçar músicas criadas por IA

Deezer vai liberar ferramenta própria, que identifica músicas geradas por IA, para ser usada por outras plataformas de streaming

19 semanas atrás

A Inteligência Artificial (IA) vem dando dores de cabeça para plataformas de streaming de música já a algum tempo. Pesquisas recentes apontam que uma em cada três músicas disponíveis foram criadas por algoritmos, com os responsáveis se passando por músicos tradicionais; a Deezer, por exemplo, estima que 28% de seu catálogo é composto por canções executadas por autômatos.

O serviço francês pode não ser tão grande quanto o rival sueco Spotify, mas em dezembro de 2025 saiu na frente com uma ferramenta própria, capaz de identificar e marcar músicas criadas por IAs; agora, a companhia anunciou que vai liberar o recurso para mais plataformas, de modo a juntas combaterem abusos.

Cerca de 50 mil músicas geradas por IA são hospedadas em plataformas de streaming por dia (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Cerca de 50 mil músicas geradas por IA são hospedadas em plataformas de streaming por dia (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Deezer vs. IA

Quando Heart on My Sleeve, aquele dueto falso entre os cantores Drake e The Weeknd estourou em 2023, todo mundo soube que a IA seria adotada em massa na criação de canções por gente querendo se passar por músicos, a fim de faturar altas somas com a reprodução de suas criações em plataformas de streaming.

As gravadoras entraram em pânico com a possibilidade de perder dinheiro na brincadeira, o que levou a processos movidos Suno e Udio, duas das principais plataformas de criação de músicas com IA generativa, e mais recentemente, a um esforço para identificar o uso de seus portfólios no treinamento de algoritmos, a fim de efetuar a devida cobrança por direitos autorais.

Essa é uma frente; a outra coube às plataformas de streaming, especialmente as grandes como Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon Music Prime e cia., que por não estarem dispostas a pagar um centavo que fosse a espertões se passando por músicos, começaram a caçar composições do tipo e categorizá-las como criadas por IA, a fim de diminuir sua visibilidade e cortar o fluxo do dinheiro.

O problema, a quantidade de músicas "compostas" por robôs e hospedadas diariamente é tão grande, que é quase impossível identificar tudo sem contar com ferramentas autônomas de qualidade. Em dezembro de 2025, a Deezer afirmou que 18% das músicas subidas por dia (cerca de 20 mil faixas) eram criadas por IA, e 70% de suas execuções eram automatizadas, a fim de gerar royalties de forma fraudulenta.

Para combater isso, a companhia introduziu uma ferramenta própria de detecção, que ao identificar uma faixa como composta por robôs, a marca com uma tag e a remove das recomendações baseadas em algoritmos e de listas editoriais (curadas por humanos incautos); ela também é capaz de identificar execuções falsas (geradas por bots) e as filtra para fora da geração de royalties, ou seja, tais músicas não gerarão um centavo sequer, não importa o quanto sejam "ouvidas".

Deezer introduziu ferramenta de detecção de IA em dezembro de 2025; agora, ela será liberada para plataformas rivais (Crédito: Divulgação/Deezer)

Deezer introduziu ferramenta de detecção de IA em dezembro de 2025; agora, ela será liberada para plataformas rivais (Crédito: Divulgação/Deezer)

Segundo a Deezer, a ferramenta tem precisão de 99,8% ao identificar conteúdos gerados por IA.

Nesta quinta-feira (29), a Deezer anunciou que não vai manter a ferramenta de detecção só para si, ao invés disso, irá compartilhá-la com outras plataformas de streaming, enquanto apresentou estatísticas atualizadas: segundo a empresa, cerca de 85% das execuções das faixas criadas por robôs são geradas por outros bots, e o serviço recebe cerca de 60 mil músicas do tipo todos os dias;

A Deezer afirma que sua ferramenta anti-IA foi capaz de identificar, até o momento, cerca de 13,4 milhões de faixas como criadas por IA. O CEO Alexis Lanternier diz que outras plataformas "realizaram testes bem-sucedidos" com sua solução, nomeando a SACEM (Sociedade de Autores, Compositores e Distribuidores de Música da França), órgão francês equivalente ao ECAD no Brasil.

Por enquanto, a Deezer não informou quanto irá cobrar (até parece que vão oferecer de graça) de plataformas rivais pelo uso de sua ferramenta, nem quais irão realmente abraçar sua solução, visto que o Spotify também possui uma iniciativa interna do tipo.

Fonte: TechCrunch

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