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Themis, foguete reutilizável da ESA, dá sinais de vida

ESA pretende realizar primeiros testes de voo do Themis, seu 1.º foguete reutilizável, entre o fim de 2025 e o início de 2026

37 semanas atrás

A Agência Espacial Europeia (ESA) não pretende ficar para trás na corrida espacial por muito tempo mais: nesta sexta-feira (19), o ArianeGroup apresentou o primeiro protótipo em tamanho real do Themis, um foguete reutilizável, que se encontra montado em uma plataforma de lançamento no Centro Espacial Esrange em Kiruna, na Suécia.

Voltado para lançamentos de órbita baixa, o Themis é um projeto que consumiu quase uma década de pesquisa que está vários anos atrasado, além de existir apenas como resposta ao sucesso da SpaceX do bilionário Elon Musk, que provou o design recuperável como viável.

Plataforma de testes Themis, da ESA, finalmente montada (Crédito: ArianeGroup/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Plataforma de testes Themis, da ESA, finalmente montada (Crédito: ArianeGroup/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Themis pronto para testes

A plataforma de testes do Themis é dividida em dois protótipos. O primeiro e atualmente montado, o T1H (Themis-1 Engine Hop, de "salto"), foi configurado para pequenos lançamentos de baixa altitude, que não devem ultrapassar 100 metros. Os primeiros testes deverão ser executados entre o fim de 2025 e o início de 2026, se não houver problemas que gerem atrasos na agenda.

O segundo modelo, chamado T1E (Themis-1 Engine Evolution), está sendo preparado para lançamentos de maior altitude, de alguns quilômetros, usando os dados coletados dos testes do T1H. Ambos são equipados com o motor Prometheus, que com 980 kN, é uma versão mais modesta da família Vulcain; a versão 2.1 deste, a mais recente, possui um impulso máximo de 1.370 kN.

O modelo posterior do Themis, conhecido como T3, deverá funcionar com 3 motores Prometheus e viabilizar o lançamento de cargas de até 500 kg em órbita baixa (LEO); se tudo correr bem com os testes, o que for aprendido será implementado em outras plataformas como o Maia e o Ariane Next, este projetado para suceder o Ariane 6.

Com 30 metros de altura, o Themis é resultado de um esforço conjunto entre ESA, ArianeGroup, e 25 outros parceiros comerciais de 12 países da União Europeia (UE), mas o projeto só entrou em movimento devido à SpaceX.

Quando a companhia norte-americana realizou com sucesso o primeiro pouso de altitude orbital do Grasshopper em 2015, uma plataforma de testes cujo primeiro voo foi realizado em 2012, a agência europeia não dava nem bola para o design reutilizável, o foco de desenvolvimento se concentrava exclusivamente no Ariane 6.

As coisas começaram a mudar quando a companhia de Musk demonstrou, com missão após missão bem-sucedida dos Falcon 9 e Heavy, que seu design o permitia cobrar muito menos do que os concorrentes; o que levou mais de uma vez aos reguladores europeus acusarem a SpaceX de concorrência desleal, e a conceder subsídios a empresas locais, deixando a companhia do bilionário sul-africano de fora.

Infelizmente para eles, a empresa atua na Europa seguindo todas as regras. Nenhuma tentativa de puxar o tapete de Musk colou, a SpaceX tem vantagem por ser boa no que faz, e também porque a concorrência, seja Blue Origin, Boeing, ou ArianeGroup, não consegue acompanhá-la.

ESA quer uma plataforma de custo similar ou inferior ao Falcon 9 (Crédito: Divulgação/SpaceX)

ESA quer uma plataforma de custo similar ou inferior ao Falcon 9 (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Em 2017, a SpaceX declarou que os pousos de seus foguetes saíram da fase de testes, e passaram a ser um procedimento de rotina; em resposta a isso, a ESA iniciou o financiamento de um novo foguete para um modelo reutilizável, o Prometheus, que foi testado pela primeira vez em 2025.

Também em 2017, as agências da França, Alemanha, e Japão iniciaram os planos de cooperação para o projeto CALLISTO, uma versão menor do Grasshopper e absolutamente experimental, que deve ser testada em 2026.

Os trabalhos do projeto Themis só começaram em 2019, mas são os mais adiantados em relação aos demais, se é que podemos dizer assim. A ESA incumbiu o ArianeGroup de desenvolver uma plataforma similar aos Falcon, e mais profissional que o CALLISTO, usando o foguete Prometheus e com o intuito final de apresentar um lançador similar ao Falcon Heavy, como o sucessor do Ariane 6.

Como o foco do ArianeGroup e da ESA era o foguete não reutilizável projetado para assumir as missões do Ariane 5, o Themis atrasou um bocado; o primeiro teste prático da plataforma, com o T1H, foi originalmente agendado para 2022, só para dar uma ideia da situação.

Enquanto isso, em 2018, a SpaceX mandou um Tesla Roadster para o espaço com o Falcon Heavy, e em 2020, a Crew Dragon fez seu voo de estreia, tão bem executado que a NASA permitiu à companhia de Musk reutilizar seus boosters; até então a ordem era descartar tudo, como de costume.

De novo, em um prazo de 8 anos, desde os primeiros testes do Grasshopper.

Até o momento da publicação deste post, a empresa de Elon Musk detém um registro de 507 pousos do Falcon 9 bem sucedidos, de um total de 520. A Blue Origin, uma companhia mais velha que a SpaceX, e que deveria ser sua principal concorrente, mandou seu primeiro foguete ao espaço, o New Glenn, somente em 2025, e perdeu o primeiro estágio.

Elon Musk pode ser um prego como ser humano, mas a SpaceX concorre no mercado de maneira justa; a ESA tentou puxar seu tapete, e não conseguiu (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Elon Musk pode ser um prego como ser humano, mas a SpaceX concorre no mercado de maneira justa; a ESA tentou puxar seu tapete, e não conseguiu (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Se ESA e ArianeGroup conseguirem estabelecer o Themis como uma opção viável ao Falcon 9, e se o design viabilizar o Ariane Next, melhor para a UE e para o mercado aeroespacial, pois concorrência é sempre bem-vinda, mas é fato que a SpaceX vai continuar nadando de braçada por mais algum tempo, por não ter ninguém nem perto do retrovisor.

Fonte: European Space Agency

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