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IA: sua conta de luz vai aumentar, você usando ou não

Contas de luz em estados dos EUA com data centers de IA aumentaram significativamente; tendência é global e afetará todos os consumidores

44 semanas atrás

Desde o boom dos algoritmos generativos de Inteligência Artificial (IA) em 2022, muito tem se discutido sobre o impacto que a febre da vez causará no Meio Ambiente, especificamente no consumo de água e energia por data centers, além das emissões de dióxido de carbono (CO₂).

Estudos recentes apontam que há, sim, um impacto significativo no consumo de água (um recurso renovável, é bom lembrar) e energia, enquanto a geração de gases poluentes é menor do que outras atividades humanas.

Demanda crescente de energia para IA levará a aumento do custo do kWh para todo mundo (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Demanda crescente de energia para IA levará a aumento do custo do kWh para todo mundo (Crédito: Reprodução/acervo internet)

No entanto, a infraestrutura de que grandes companhias de IA precisam envolvem custos que já estão sendo repassados aos consumidores, mesmo quem não usa IA, na forma de aumentos significativos nas contas de luz, uma tendência que não deverá ficar restrita aos Estados Unidos, conforme mais países investem na área.

IA deixa conta de luz mais cara

Moradores de algumas cidades dos EUA, como Trenton, em Nova Jérsei, Filadélfia e Pittsburgh, na Pensilvânia, e Columbus, em Ohio, viram suas contas de energia subirem neste verão respectivamente em US$ 26 (~R$ 146, cotação de 31/07/2025), US$ 17 (~R$ 95), US$ 10 (~R$ 56), e US$ 27 (~R$ 151), na média, com muita gente não sabendo o motivo.

Em comum, todas ficam próximas de data centers dedicados a IA, computação na nuvem, e outras necessidades das big techs norte-americanas, que estão investindo cada vez mais na área. Como infra de grande porte é necessária, tais instalações estão se proliferando rápido pelo país, em que cada uma consome uma parcela significativa de energia e água, esta para o resfriamento adequado dos servidores.

Focando no consumo energético, o grid dos EUA é bem vasto, composto de diversas hidrelétricas, termelétricas (carvão, diesel, gás natural), usinas nucleares, e a maior geotérmica do mundo, que gera 20% da energia da Califórnia. Independente da fonte, especialistas vêm observando uma crescente no número de data centers em todos os 50 estados, e estes consomem muita energia.

Com o aumento da demanda por parte da IA, o custo médio do kWh dispara, o que leva a um aumento significativo da conta de luz para todo mundo, sejam big techs, outras companhias, ou o usuário final. Pense na política de bandeiras tarifárias da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) aplicada a todo o Brasil, ainda que nossas razões girem em torno da capacidade de geração de nossas hidrelétricas.

Resumindo: enquanto as gigantes como Google, Apple, Meta, Microsoft, Amazon, OpenAI e cia. consomem cada vez mais energia, conforme o número de data centers aumenta, todo mundo vai pagar mais caro pela energia, mesmo quem não usa algoritmos no dia a dia. O impacto na conta de luz do americano médio tem sido grande, o que os obriga a serem comedidos com seus gastos, e muitos estão bem irritados, ao entenderem que estão sendo obrigados a bancar empresas e executivos bilionários.

Leve em conta que os EUA estão no meio do verão; quando o inverno chegar, as coisas tendem a ficar ainda piores.

A Unidade 1 da Usina Nuclear de Three Mile Island (a Unidade 2 está inativa desde o acidente de 1979) vai fornecer energia para os data centers de IA da Microsoft (Crédito: Constellation Energy)

A Unidade 1 da Usina Nuclear de Three Mile Island (a Unidade 2 está inativa desde o acidente de 1979) vai fornecer energia para os data centers de IA da Microsoft (Crédito: Constellation Energy)

Nos EUA, o aumento do custo energético é definido em uma audiência anual, que calcula a proporção entre a demanda e a capacidade das empresas geradoras em 13 estados: Delaware, Illinois, Indiana, Kentucky, Maryland, Michigan, Nova Jérsei, Carolina do Norte, Ohio, Pensilvânia, Tennessee, Virgínia, e Virgínia Ocidental.

Em 2024, o preço da geração de 1 mW/dia subiu de US$ 29 (~R$ 163) para US$ 270 (~R$ 1.516), um aumento de absurdos 833%; como consequência, os moradores desses estados viram suas contas dispararem em 2025, daí o aumento médio de US$ 27 em Columbus. A audiência de 2025 anotou novo aumento, de 22%.

Razões para o aumento não foram dadas de início, mas uma investigação à parte revelou que o cálculo foi feito em cima do consumo previsto por data centers, os existentes e os propostos, em fase de construção, que responderão por 75% da demanda. O grid atual pode até mesmo colapsar devido às exigências acima das escalas, o que leva a mais investimentos em infra, e consequentemente, mais custos que serão repassados aos consumidores.

Algumas companhias estão diversificando. A Microsoft, por exemplo, fechou um acordo com a Constellation Energy, mantenedora da Unidade 1 da Usina Nuclear Three Mile Island (palco do pior acidente nuclear em solo americano da história), para comprar a energia gerada por 20 anos; o reator, desligado em 2019, será reativado em 2028.

Ainda que este seja um problema inicialmente centrado nos EUA, a tendência é que, com cada vez mais empresas ao redor do mundo investindo em IA, e mais governos investindo no setor para não ficarem para trás (o Plano de Ação de IA de Donald Trump prevê ainda mais data centers), cada vez mais energia será direcionada a servidores e data centers, o que pode sobrecarregar grids e elevar o custo médio do kWh de forma generalizada.

Em suma, todo mundo vai pagar contas de luz cada vez mais caras, mesmo quem não usa IA, e o custo, como sempre, vai pesar mais para quem tem bolsos rasos.

Fonte: The Washington Post

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