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Japão: Honda e Toyota voltam os olhos para o Espaço

Honda testa foguete reutilizável, e Toyota também quer fatia do bolo; governo do Japão quer dobrar tamanho da indústria aeroespacial até 2030

50 semanas atrás

Não é novidade que o Japão tem um programa espacial e uma agência sérios, a JAXA, mas isso diz respeito aos esforços estatais. Iniciativas privadas até existem, como a Interstellar Technologies (IST), responsável pelo foguete com skin de uma companhia de brinquedos adultos, mas agora, as grandes players resolveram entrar na brincadeira.

A montadora Toyota já havia anunciado, em janeiro de 2025, sua intenção de investir em foguetes e tecnologias espaciais, mas foi a rival Honda que demonstrou estar um pouquinho mais adiantada, ao lançar o primeiro protótipo de um foguete reutilizável próprio, surpreendendo todo mundo.

O foguetinho reutilizável da Honda; subiu pouco, mas não deu chabu (Crédito: Divulgação/Honda) / japão

O foguetinho reutilizável da Honda; subiu pouco, mas não deu chabu (Crédito: Divulgação/Honda)

Foguetinho da Honda subiu de surpresa

A Honda compartilhou a novidade em sua página oficial nesta terça-feira (17), sem ter comunicado previamente nenhuma agência de notícias de que pretendia realizar um teste de lançamento. O teste foi conduzido na cidade de Taiki, na ilha de Hokkaido, onde a IST já opera e há um campo de pesquisas da JAXA, ou seja, é um polo para desenvolvimento de novas tecnologias para o Espaço.

O foguete sem nome da Honda é um protótipo bastante modesto, como dá para notar na imagem que abre o post: com apenas 6,3 m de altura, 85 cm de diâmetro, e 2,1 t de peso (900 kg da fuselagem e o resto, combustível), é fruto da Honda R&D Co., Ltd., uma subsidiária que funciona como o departamento de P&D da montadora japonesa, mas é minimamente independente.

O foguete voou baixo, mas pousou direitinho (Crédito: Divulgação/Honda)

O foguete voou baixo, mas pousou direitinho (Crédito: Divulgação/Honda)

Seu objetivo foi testar as tecnologias de estabilização de voo durante a ascensão e a descida, bem como as capacidades da empresa para desenvolver um bólido que pouse direitinho, como os foguetes da SpaceX fazem faz tempo (você ainda não, Blue Origin, mais sorte na próxima); a escala comedida se dá por isso, primeiro testam se está tudo certo, depois passam para modelos maiores.

O foguetinho foi lançado sem maiores problemas, o voo durou 56,6 segundos, com o bólido subindo a uma modesta altitude de 271,4 m; o pouso também se deu sem maiores problemas, tendo errado o ponto marcado em 37 cm.

Em uma situação normal, um lançamento desses não seria nada de mais, mas ele veio tal qual a Inquisição Espanhola. A Honda informou a mídia apenas após a execução do teste, com uma postagem oficial e algumas fotos.

Sim, tem vídeo:

No comunicado oficial, a Honda diz que sua pesquisa com foguetes continua na fase fundamental, não há planos sobre comercializar o bólido ou derivados dele, e o departamento de P&D vai continuar refinando sua pesquisa para "atingir a capacidade de realizar voos suborbitais até 2029".

Ainda que o lançamento tenha sido uma surpresa, a Honda manifestou planos para desenvolver foguetes reutilizáveis em 2021; no fim de 2024, a divisão norte-americana formou uma nova Divisão de Desenvolvimento Espacial, para trabalhar em conjunto com a NASA e outros parceiros, na criação de células de combustível regenerativas, para sustentar sistemas de suporte à vida no espaço e outros ambientes; em maio de 2025, a matriz anunciou um acordo com a companhia privada Astroscale Japan, para o desenvolvimento de um sistema de reabastecimento orbital.

Acontece apenas que sobre seus planos de foguetes reutilizáveis, ela ficou quietinha até o teste.

Governo do Japão bota grana no Espaço

Até o foguetinho da Honda subir, a Toyota parecia ser, entre as grandes companhias privadas do Japão, a mais ambiciosa quanto aos planos reservados ao Espaço.

Durante a CES 2025, o CEO Akio Toyoda revelou planos para investir pesado no setor, na forma de um investimento de ¥ 7 bilhões (~R$ 264,94 milhões, cotação de 18/06/2025) na IST, para viabilizar os sistemas de comunicação necessários para a cidade inteligente planejada de Woven City, a ser construída aos pés do Monte Fuji, como um grande centro de P&D.

Paralelo a isso, o governo do Japão tem planos de dobrar o tamanho de sua indústria aeroespacial até 2030, subsidiando o desenvolvimento de foguetes, satélites, e outras missões; o plano é injetar um total de ¥ 8 trilhões (~R$ 302,79 bilhões) em empresas privadas e outros empreendimentos, a fim de não ficar para trás.

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