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Não espere revisões constantes para o Steam Deck

Designer fala sobre como a Valve não pretende lançar revisões contantes para o Steam Deck. Motivos seriam o respeito ao consumidor e limitações tecnológicas

2 anos atrás

Quando há pouco mais de dez anos a Valve anunciou que se arriscaria no mercado de hardware, com as Steam Machines, confesso ter achado que a empresa teria um grande sucesso. De lá para cá, eles apostaram em outras frentes, como um dispositivo para streaming (que depois virou software), um controle e até mesmo em óculos de realidade virtual, mas o tiro certo só aconteceu mesmo em 2022, com o Steam Deck.

Steam Deck

Crédito: Divulgação/Valve

Rapidamente o PC gaming portátil da Valve caiu no gosto dos consumidores, inclusive com várias empresas tentando surfar na onda gerada pela equipe de Gabe Newell. Então, quando já no ano seguinte uma versão com tela OLED chegou às lojas, muitos acharam que não demoraria para vermos novas versões do Steam Deck, porém, essas pessoas estavam erradas.

Bom, pelo menos é isso o que garantem o designer da Valve, Lawrence Yang. Devido o lançamento do portátil na Austrália, ele concedeu uma entrevista ao site local Reviews.org e nela falou sobre como enxerga a possibilidade de outras empresas lançarem revisões anuais de seus aparelhos.

“É importante para nós, e tentamos ser bem claros, que não faremos isso numa cadência anual,” afirmou. “Não faremos um [novo modelo] todo ano, não há razão para isso e, honestamente, da nossa perspectiva, não é justo com seus clientes surgir com algo tão cedo que seja apenas incrementalmente melhor.”

Para Yang, a intenção da Valve por enquanto é aguardar que a computação dê um salto geracional para que eles não tenham que sacrificar a duração da bateria. Então, por mais que a equipe esteja empolgada e trabalhando em uma “real segunda geração” do Steam Deck, ela só deverá acontecer quando esses dois fatores convergirem.

Crédito: Reprodução/Georgiy Lyamin/Unsplash

Essa declaração vai ao encontro de outra dada no final de 2023 pelo engenheiro de hardware, Yazan Aldehayyat. “Obviamente, adoraríamos obter ainda mais desempenho no mesmo envelope de potência, mas essa tecnologia ainda não existe,” garantiu. “Isso é o que penso que chamaríamos de Steam Deck 2.0.”

Aldehayyat também disse que o modelo atual do videogame produzido por eles foi a primeira vez que sentiram que havia desempenho de GPU suficiente em forma de portátil que nos permitiria jogar todos os jogos disponíveis no Steam. Mesmo sem que isso tenha se tornado realidade, sua expectativa é de que a relação performance-por-watt evolua a ponto de chegarmos lá, mas isso ainda não aconteceu.

Além disso, Lawrence Yang também havia defendido anteriormente que a chegada de um novo Steam Deck “precisaria acontecer no momento certo.” Segundo ele, a Valve está “de olho nos chips e APUs disponíveis”, mas que as peças atuais ainda não são aquelas que a empresa considera ideais. Naquela ocasião, ele já falava na questão de poder gerado e consumo de energia, elementos que consideram fundamentais para apostarem em um novo portátil.

Crédito: Divulgação/Valve

Contudo, segundo Aldehayyat, conseguir uma melhora significativa de desempenho e mesmo assim manter um consumo parecido com o atual é algo que não deverá acontecer no próximo ano, nem mesmo no ano depois dele.

Mesmo a possibilidade de um Steam Deck Lite não estaria nos planos da Valve no momento. Embora Yang afirme que eles estão abertos às sugestões dos consumidores, a equipe está satisfeita com a ergonomia do modelo atual e por isso, o provável é que quando uma revisão significativa acontecer, ela se apresentará mesmo na forma de um modelo 2.0.

Ainda assim, Yazan Aldehayyat disse acreditar que não é apenas no poderio que o portátil pode evoluir. “Nós realmente queremos poder deixar você jogar seus jogos do Steam em qualquer lugar,” disse. “O Steam Deck melhorou isso significativamente, mas não vemos isso como um problema resolvido. Ainda achamos que há muito espaço para melhorias.”

Por isso o engenheiro considera importante ver outras companhias explorando esse mercado. Dispositivos como o Asus ROG Ally X, Lenovo Legion Go e o Logitech G Cloud Gaming Handheld implementaram recursos que Aldehayyat considera interessantes, mas o tempo dirá quais deles funcionaram ou não.

Steam Deck

Crédito: Divulgação/Valve

De qualquer forma, se o Steam Deck não se mostrou o melhor portátil já produzido, ele certamente se aproximou bastante disso. Infelizmente não temos números oficiais da quantidade de unidades que a Valve já vendeu, mas mesmo com eles sendo muito inferiores aos do Nintendo Switch, é inegável a maneira como esse aparelho mudou a percepção de muita gente.

Antes, se os jogadores de PC estavam satisfeitos a passar várias horas sentados diante de um monitor, usando a tão adorada dupla teclado e mouse, agora essas pessoas se renderam à portabilidade (embora o Deck não seja tão portátil assim, mas divago...) e aos controles típicos de um console, com botões, gatilhos, direcionais e analógicos.

Acho esse movimento interessante, pois durante muito tempo defendi que no PC todo jogo deveria contar com suporte a controles, mesmo aqueles onde esse tipo de interface não parece funcionar muito bem. Então, se olharmos para o passado, a aposta da Valve no Steam Controller já dava indícios de onde eles pretendiam chegar e se num primeiro momento o discurso era de que o PC poderia ocupar nossas salas de estar, eles conseguiram fazer com que a plataforma estivesse disponível em qualquer lugar.

Steam Deck

Crédito: Divulgação/Valve

Isso explica, em parte, o fascínio que esse portátil despertou, pois há outro detalhe que torna esse aparelho ainda mais interessante: sua compatibilidade. Com mais de 14 mil jogos classificados como Jogáveis ou Verificados, quem estava habituado a comprar jogos no Steam e decidir adquirir um Deck já pode sair da loja com uma biblioteca formada por centenas, talvez milhares de títulos.

E nem vou entrar no mérito aqui sobre o Steam Deck rodar mesmo os jogos vendidos em outras lojas do PC ou na sua impressionante capacidade de emular até sistemas mais recentes, como, por exemplo, o Nintendo Switch.

Logo, se torna difícil apontar motivos para uma pessoa não comprar um portátil desses e quando digo isso, não falo como alguém defendendo o investimento alto feito no aparelho, já que ainda nem consegui comprar um para mim.

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