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6 lançamentos espaciais para acompanhar em 2024 [UPDATE]

1. º voo orbital da Starship, 1.ª missão tripulada do SLS, e estreias do Ariane 6 e Neutron: 2024 promete novidades no Espaço

08/01/2024 às 11:00

UPDATE: a NASA adiou os planos de lançamento, e não tem mais SLS em 2024; o texto foi atualizado com as novas datas.


O ano de 2024 promete uma série de lançamentos espaciais, de diversas companhias competidoras. Alguns foguetes farão seu voo de estreia (um deles subiu hoje, inclusive), outros deverão passar para novas fases e, se tudo correr bem, entrarão no estágio de operação, dando início a uma nova fase da Era Espacial no século XXI.

Elon Musk quer produzir 300 Starships por ano; sim, ousado, mas todo o plano de foguetes reutilizáveis também era (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Elon Musk quer produzir 300 Starships por ano; sim, ousado, mas todo o plano de foguetes reutilizáveis também era (Crédito: Divulgação/SpaceX)

6 lançamentos importantes em 2024

Vamos dar uma olhada nos lançamentos mais importantes esperados para o ano de 2024, se nada der errado e os cronogramas forem seguidos; tem foguetes de todos os tipos e tamanhos, de lançamentos de órbita baixa à retomada do programa lunar.

1. Primeira missão tripulada do SLS

Se tudo correr bem, o SLS levará o homem de volta ao solo lunar em 2026 (Crédito: Nathan Koga/NASASpaceFlight.com)

Se tudo correr bem, o SLS levará o homem de volta ao solo lunar em 2026 (Crédito: Nathan Koga/NASASpaceFlight.com)

O SLS, a longa "obra de igreja" da NASA, Boeing, Lockheed Martin e Aerojet Rocketdyne, e a cápsula Orion, da Lockheed e Airbus, são hoje a espinha dorsal do Projeto Artemis, o programa aeroespacial do governo dos Estados Unidos, destinado a retomar as missões lunares tripuladas. A Apollo 17, a última, deixou o satélite em dezembro de 1972, 51 anos atrás.

A Casa Branca e o Congresso consideram que passou da hora de um astronauta americano voltar à Lua, e não pouparam recursos (dos contribuintes) para bancar o projeto, que conta com suporte fornecido por projetos da SpaceX e Blue Origin, com foguetes e módulos adicionais. O SLS e a Orion, com a estação Gateway, são os veículos prioritários, até por serem manobrados politicamente (mais sobre isso a seguir).

O custo do SLS, um foguete à moda antiga, não-recuperável, passará dos US$ 4 bilhões por missão, mas tudo é extremamente seguro e há potência de sobra para mandar tripulações para a Lua; infelizmente, a NASA mudou os planos para 2024, o SLS não vai mais subir neste ano.

A missão Artemis II, que mandará quatro astronautas para uma volta na Lua, foi movida para setembro de 2025, e se tudo correr bem, a missão Artemis III deverá pousar apenas em setembro de 2026.

2. Starship, apesar de Elon Musk

Backup ou não, a Starship impressiona (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Backup ou não, a Starship impressiona (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Fato, a Starship da SpaceX é o foguete mais poderoso do mundo, mais até mesmo que o SLS. São 72 MN de impulso do foguete de Elon Musk, contra já impressionantes 39,1 MN do projeto da NASA; a título de comparação, o venerável Saturn V gerava 35,1 MN.

O projeto teve seus reveses, claro: as explosões seguidas do bólido durantes os testes de voo, embora todas esperadas, acenderam todos os alarmes da imprensa, reguladores e detratores em geral, o que inclui TODO o Congresso, já que como seu CEO não faz lobby, seus projetos não estão sujeitos a determinações políticas, e são tocados da maneira que ele achar melhor, desde que entregue os resultados. E Musk entrega.

Não só a SpaceX foi submetida a uma investigação, inclusive por impacto ambiental, como a Starship foi rebaixada a um mero backup do SLS, que será entubado para justificar os gastos públicos. O foguete de Musk ainda será usado, mas em uma manobra para lá de esquisita:

  1. A Starship sobe vazia e será abastecida em órbita. Enquanto isso, o SLS lança a cápsula Orion rumo à estação Gateway;
  2. Ao chegar, a Starship se acopla à estação, para que os 3 astronautas da Orion embarquem, e sigam para a Lua;
  3. Na volta, a Starship decola da Lua, se acopla de novo à Gateway, os astronautas voltam para a Orion, que segue para a Terra;
  4. A Starship volta para a Terra vazia.

Para 2024, a Starship deverá realizar seu primeiro voo orbital, quando ou se a FCC emitir a autorização, o que pode se complicar, agora que Musk abriu um processo contra uma agência trabalhista, que o acusa de demissões ilegais na SpaceX, e de novo, ninguém no governo vai com a cara do desbocado executivo, independente de sua empresa dar resultados.

3. Fim da novela Ariane 6

O Ariane 6 está atrasado e vai sair caro, mas deve voar em 2024, se nada mais der errado (Crédito: Divulgação/European Space Agency)

O Ariane 6 está atrasado e vai sair caro, mas deve voar em 2024, se nada mais der errado (Crédito: Divulgação/European Space Agency)

O sucesso da SpaceX com seu design de foguetes reutilizáveis provocou um rebuliço no mercado aeroespacial, por questões simples, a família Falcon é muito mais barata e oferece os mesmos, ou melhores, resultados. Se por um lado a NASA trabalha em conjunto, por outro, a ESA e agências europeias ficaram fulas da vida com Elon Musk, chegando a acusá-lo de "concorrência desleal", o que não é verdade; sua companhia segue todas as leis, apenas sai na frente com a melhor oferta.

O Ariane 6, a próxima geração de foguetes da Arianespace, sofreu por isso, de design não-recuperável, ele se converteu em um sumidouro de grana, mesmo considerando a verba pífia da União Europeia (UE) destinada à Agência Espacial Europeia. Isso não quer dizer, claro, que os trabalhos em torno do projeto da casa pararam.

Há duas versões do Ariane 6 em desenvolvimento, 62 e 64, que decolam co respectivamente 2 e 4 boosters. Uma característica do design é a capacidade dos motores do segundo estágio serem capazes de pararem e reiniciarem de tempos em tempos, para permitir o lançamento de satélites em altitudes de órbita diferentes.

O lançamento inaugural, agendado para junho de 2024, deverá lançar várias cargas de órbita baixa (LEO), de clientes como a NASA e a Universidade de Lisboa, além da própria ArianeGroup; ainda este ano, o Ariane 6 deverá lançar o CSO-3, um satélite francês, em órbita heliossíncrona ou quase polar, e em 2025, realizará o primeiro lançamento em órbita geoestacionária. Claro, se nada mais der errado.

4. Estreia do Neutron

O Neutron parece saído de um filme do 007, e logo saberemos se funciona no mundo real (Crédito: Divulgação/Rocket Lab)/2024

O Neutron parece saído de um filme do 007, e logo saberemos se funciona no mundo real (Crédito: Divulgação/Rocket Lab)

O Neutron, projeto da pequena, porém competente Rocket Lab, parece saído de um filme de ficção científica. A companhia de Peter Back, responsável pelo "pobre, porém limpinho" Electron, pegou seu design e o aprimorou para cargas de porte médio, 8 toneladas se reutilizável, ou 15 t em configuração de uso único, para órbitas LEO.

Com 40 m e carcaça de fibra de carbono, o Neutron se destaca pelo design do segundo estágio, no que a carenagem é articulada e se abre para liberar a carga, e depois se fecha. Isso representa uma economia ainda maior com componentes, tornando-o competitivo como solução para empresas de constelações de satélites de internet, que desejam concorrer com a StarLink, subsidiária da SpaceX.

Os planos para o Neutron estão entre a construção do segundo estágio e os testes, mas a Rocket Lab JURA que cumprirá todo o cronograma ainda em 2024, fechando-o com o primeiro voo de testes do foguete.

5. Vulcan Centaur finalmente voou

OK, este é trapaça, admito.

O Vulcan, um projeto de foguete descartável da United LAunch Alliance (ULA), foi outro que levou um baque da SpaceX, mas em teoria ele é flexível o bastante para ser adaptado em um novo design reutilizável, assim como o Ariane 6, dizem. O problema, tanto ele quanto a cápsula Centaur deveriam ter voado em 2023, mas o lançamento atrasou.

Some-se a isso complicações acerca da própria administração da ULA, que segundo rumores está à procura de um comprador, que poderia ser um dos atuais sócios, ou outra empresa de fora, mas a verdade é que o projeto em si estava devidamente encaminhado, tanto que o Cert-1 foi enfim lançado nesta segunda-feira (8), com toda a pompa e circunstância. Com o dobro de impulso do Falcon 9, ele é voltado para o lançamento de cargas lunares.

Sua missão inicial é justamente o lander Peregrine, da Astrobotic Technology, que comporta dois rovers, um americano e um mexicano, uma série de instrumentos, e outras cargas, inclusive uma que rendeu novos protestos da nação Diné, os navajo.

6. New Glenn... talvez

Bezos JURA que o New Glenn voa em 2024. Veremos (Crédito: Divulgação/Blue Origin)

Bezos JURA que o New Glenn voa em 2024. Veremos (Crédito: Divulgação/Blue Origin)

Jeff Bezos admitiu que a Blue Origin está para trás na corrida, já que nunca mandou nem um parafuso para o Espaço de verdade, e isso não pode continuar assim. A companhia garantiu alguns contratos na base da birra, mas precisa mostrar serviço, leia-se por o New Glenn para funcionar, de uma vez.

No papel, o foguete de Bezos é equiparável ao Falcon Heavy, capaz de colocar até 13,6 t em órbita geoestacionária, mas a companhia não conseguiu ir além dos voos suborbitais com o New Shepard, que pode ser voltado ao turismo. Se a Blue Origin quer garantir espaço no Programa Artemis, seu foguete precisa ser finalizado, e nem vou mencionar o lander Blue Moon, uma reserva da reserva, que ficaria atrás da Starship.

Por outro lado, o voo bem-sucedido do Vulcan Centaur justificou o motor BE-4 desenvolvido internamente, que também equipará o New Glenn, ou seja, ao menos alguma coisa o careca fez direito.

Bezos afirma que o voo de testes será realizado em 2024, e a missão da sona marciana EScaPADE tem data agendada para agosto do mesmo ano; se a Blue Origin pretende cumprir o combinado, talvez vejamos novidades sobre o New Glenn nas próximas semanas.

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