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Rocket Lab apresenta Neutron, seu novo foguete

A Rocket Lab é uma das mais promissoras empresas no ramo de lançamentos leves, agora apresentaram seu novo foguete, e estão pensando grande!

42 semanas atrás

O Neutron é um foguete que em teoria não deveria existir, pois vai contra tudo que Peter Beck, fundador da Rocket Lab defende. Ou melhor, defendia.

O Neutron, novo foguete da Rocket Lab (Crédito: Rocket Lab)

A Rocket Lab foi fundada em 2006 por dois neozelandeses, Peter Beck e o sujeito mais predestinado da História a ter uma empresa de foguetes, Mark Rocket. Por questões estratégicas a empresa foi registrada nos Estados Unidos, com uma subsidiária na Nova Zelândia, mas foi por lá que a maior parte do desenvolvimento inicial ocorreu.

A proposta da Rocket Lab era trabalhar no mercado de lançadores pequenos, e em 2009 eles lançaram seu primeiro foguete, o Ātea, um foguete sub-orbital de 6 metros de comprimento.

Provando que tinham capacidade de construir foguetes, a Rocket Lab conseguiu investidores para bancar os US$100 milhões de custo de desenvolvido do Electron, seu primeiro foguete de verdade.

O Electron é o que há de mais moderno, sua estrutura é de fibra de carbono, seus motores são impressos em 3D e ele usa bombas elétricas para fornecer combustível e oxidante para os motores. Ele consegue lançar cargas de 300Kg na órbita terrestre baixa.

Peter Beck e o Electron (Crédito: Rocket Lab)

O custo por lançamento fica entre US$5 e US$7 milhões, e é BEM barato. Nenhuma empresa concorrente chega perto, isso porque a Rocket Lab focou em fazer um foguete MUITO barato, e Peter Beck foi categórico: Eles NÃO iriam trabalhar em foguetes recuperáveis, se um dia eles fizessem isso ele comeria seu chapéu.

Eis que nesse meio-tempo começaram a surgir várias empresas com lançadores baratos, e mais importante, a SpaceX começou a desenvolver a Starship, que quando ficar pronta vai jogar no chão os custos por Kg no espaço.

Beck viu que a Rocket Lab corria risco de ser atropelada, então começaram a pesquisar métodos de recuperar o primeiro estágio do Electron, no começo de 2022 irão tentar a primeira captura, usando um helicóptero que pegará o estágio, que cairá de pára-quedas.

Só que isso não foi o suficiente, e Fevereiro de 2021, Peter Beck comeu seu chapéu. Literalmente.

Beck anunciou o Neutron, um foguete de porte médio, com capacidade de carga de 8 toneladas reutilizável ou 15 toneladas em uso único, movido a Metano e Oxigênio líquido, também feito com fibra de carbono e motores via impressão 3D.

Em 2/12/2021 veio uma atualização do projeto, o conceito é um foguete de 2050, voando em 2024, e crianças, o bicho promete ser uma coisa de doido.

O Neutron é lindo. Revoguem-se as disposições em contrário. (Crédito: Rocket Lab)

Primeiro de tudo, o Neutron é lindo. Com 40 metros de altura, sua estrutura vai se afinando, como um cartucho de fuzil. Ele tem aletas para controlar o vôo, e um diferencial que é literalmente saído de um filme de James Bond: Ao invés de soltar a carenagem, como faz a SpaceX, e ter o trabalho de mandar barco recuperar, o nariz do foguete abre para liberar o segundo estágio, e em seguida se fecha.

Com isso a Rocket Lab economiza no barco e nas carenagens, que não precisam de pára-quedas e jatos de manobra, como as da SpaceX. O foco, de novo, é fazer um sistema extremamente enxuto, com custo competitivo. O mercado principal da Rocket Lab são as empresas de mega-constelações de satélites de Internet, mas como o Neutron pretende ser certificado para vôos tripulados, as ambições parecem ser bem mais amplas.

Com 7 metros de diâmetro na base, o Neutron resolve o problema do trem de pouso, usando estruturas integradas ao corpo do foguete. Na carenagem o diâmetro cai para 5 metros, que parece pouco, mas o Neutron é um foguete gordinho, o Falcon 9 tem diâmetro de 3.7 metros apenas. Isso significa cargas maiores em volume, mesmo que menores em massa.

No, Mr Bezos, I expect you to die! (Crédito: Rocket Lab)

A única parte que a Rocket Lab ainda não resolveu, é o segundo estágio, mas isso é um problema que literalmente todo mundo tem, menos o Brasil, pois não temos um programa espacial.

Tornar reutilizável um segundo estágio é algo BEM complicado, você tem pouco combustível extra, não tem escudo térmico para a reentrada, e as entranhas do foguete ficam expostas, algo não muito bom quando você tem que enfrentar uma tempestade de plasma a dezenas de milhares de quilômetros por hora.

Vai dar certo? Bem, a Rocket Lab conseguiu se tornar a empresa mais bem-sucedida depois da SpaceX. Ela está avaliada em US$6.6 bilhões, o que não é uma Tesla ou uma Apple, mas também não é exatamente uma quitanda.

Ao contrário de empresas criadas para ser hobby de bilionários (cof Cof Blue Origin Cof Cof Virgin Galactic) a Rocket Lab tem objetivos definidos, um CEO que é engenheiro, e apenas 500 funcionários, o que lhes dá.... agilidade.

Principalmente, eles não têm medo de errar, não têm medo de pensar fora da caixa e acima de tudo, não têm medo de mudar de idéia.

Agora só resta a questão: Quantas vezes o Neutron vai voar, antes do New Glenn?

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