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Squad: quando uma promessa não paga as contas

Após afirmar que o Squad nunca receberia conteúdo adicional pago, Offworld Industries muda de postura e anuncia pacotes com emotes para o FPS militar

20/01/2023 às 11:15

Anunciado em outubro de 2014, Squad parecia o sonho de todos que adoram jogos com temática militar e que pendem para o realismo. Desenvolvido por modders que criaram o Project Reality para o Battlefield 2, ele usaria a Unreal Engine 4 e tinha como um dos principais objetivos respeitar a comunidade ao não lançar conteúdo adicional pago, por exemplo. Quase oito anos depois, o cenário mudou.

👍🏻 ou 👎🏻? (Crédito: Divulgação/Offworld Industries)

Através de uma publicação na página do jogo no Steam, a Offworld Industries anunciou que quando a versão 4.2 do Squad for liberada ela não trará apenas correções, melhorias e um update na engine. Sim, para desespero daqueles que abominam microtransações, elas serão adicionadas ao FPS.

Segundo a desenvolvedora, a maneira que eles encontraram para aumentar o faturamento com o título foi passando a vender emotes, “animações que você pode utilizar para se expressar, interagir com os outros, celebrar situações in-game ou iluminar o tempo de inatividade.”

Ainda de acordo com a nota, a expectativa é de que essas animações melhorem tanto o aspecto social quanto o cinematográfico do título. Por enquanto, os jogadores poderão adquirir dois pacotes com esses emotes, com um terceiro sendo disponibilizado gratuitamente a todos como uma forma de agradecimento por parte do estúdio.

Além disso, a Offworld Industries afirma que as animações são opcionais, com ninguém sendo obrigado a pagar por elas e a experiência durante as partidas não sendo prejudicada caso a pessoa não compre os pacotes. A empresa também se justificou pela mudança de postura dizendo o seguinte:

“Após anos lançando atualizações gratuitas para o Squad, está é a nossa primeira incursão na monetização do Squad além da compra inicial. Entendemos que o conteúdo pago em jogos pode ser controverso e que a liderança anterior da Offworld havia declarado que DLCs pagos nunca seriam adicionados ao Squad. Diante disso, gostaríamos de informar sobre esta mudança antes do lançamento da versão 4.2.”

Squad

Crédito: Divulgação/Offworld Industries

Porém, a explicação dada pela desenvolvedora não serviu para acalmar os ânimos, com várias pessoas tendo corrido para o Reddit do jogo para demonstrar toda a sua indignação. Para alguns, a sensação foi de terem sido enganados, enquanto outros parecem mais preocupados com o futuro de algo que tanto adoram.

No geral, o temor é de que essa adição de emotes seja apenas a porta de entrada para que o Squad perca uma das suas principais qualidade, que é o foco no realismo. Se acontecer como eles imaginam, não deverá demorar até que o jogo passe a vender skins e se aproxime de franquias famosas do mundo pop. Pode parecer exagero, receio de algo que nunca acontecerá, mas infelizmente há exemplos de que o dinheiro pode corromper qualquer convicção.

Sim, mesmo que a criação da Offworld Industries nunca chegue perto do que vemos num Fortnite, basta olharmos para outro título que também explora a parte tática do universo militar, o Rainbow Six Siege, para ver que a vontade de faturar um pouco mais é muito tentadora. Ou vai me dizer que esbarrar com alguém vestido de Rick & Morty ou de personagens de NieR:Automata não quebra a imersão?

Contudo, mesmo que os servidores do Squad não se transformem numa enorme guerra entre desenhos animados, atletas do mundo real, alienígenas e super-heróis, a preocupação não para por aí. O estúdio até falou sobre continuar abastecendo o jogo com conteúdo gratuito, mas a venda de mapas, armas ou facções não parece totalmente descartada.

Para eles, embora muitas atualizações gratuitas estejam nos planos, é preciso encontrar uma forma de continuar financiando o desenvolvimento de conteúdo e o aperfeiçoamento do jogo. Eles então disseram que pretendem manter o Squad o mais inclusivo possível, mas criar mapas e facções consume muito tempo e esforço, deixando a indicação de que outras mudanças na política da empresa poderão acontecer.

Como eu não gosto de fazer conta com o dinheiro dos outros, tento me solidarizar com o pessoal da Offworld Industries. Esse é um estúdio pequeno, cujo faturamento vem exclusivamente da venda de novas cópias do Squad, do Covert Syndrome e de outros dois jogos que publicou, o Beyond The Wire e o Post Scriptum.

Squad

Crédito: Divulgação/Offworld Industries

Para mim, o maior problema aqui nem é essa quebra inicial da promessa, pois acredito que desde que tais animações não estraguem a experiência de quem vem se dedicando ao jogo, que eles continuem aumentando o faturamento com as pessoas que não veem problema em pagar por isso.

O que incomoda é justamente a incerteza, a ideia de que no futuro o Squad poderá receber conteúdo que impacte diretamente nas partidas e que, conforme prometido, nunca exigiria um pagamento. Eu quero acreditar que os responsáveis pela desenvolvedora não cometerão esse erro, mas depois de tudo o que já vimos ser feito, considero o temor justificável.

O tempo nos dirá se tudo não passou de um alarme falso, apenas uma passada de borracha sobre uma parte do "contrato" proposto pelos criadores. De qualquer forma, o caso serve para aprendermos que na indústria de games, pouquíssimas declarações podem ser consideradas como algo que foi escrito na pedra, pois não há honra que resista aos boletos que não param de chegar.

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