Meio Bit » Internet » Tweetdeck: Twitter não sabe o que fazer com ele (ou não se importa)

Tweetdeck: Twitter não sabe o que fazer com ele (ou não se importa)

Há anos sem atualizações relevantes, cliente oficial Tweetdeck é o produto "esquecido no rolê" do Twitter, sem nada definido para o futuro

09/01/2023 às 11:53

O Tweetdeck já foi um dos melhores, se não o melhor, cliente do Twitter, muito antes de ter sido comprado pela plataforma e se tornar oficial. Com o tempo, ele se tornou uma solução para agregar múltiplas redes sociais em um só app, mas foi perdendo funções e destaque ao longo dos anos, embora ainda ofereça opções que o oficial não dispõe.

Antes mesmo de Elon Musk comprar o Twitter, o Tweetdeck andava às traças há anos, com pequenas promessas de mudanças despontando aqui e ali, mas seu futuro hoje é absolutamente incerto.

O Tweetdeck até pode ser usado em dispositivos móveis, mas a usabilidade não é das melhores (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

O Tweetdeck até pode ser usado em dispositivos móveis, mas a usabilidade não é das melhores (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Lançado originalmente em 2008 como um app independente, o Tweetdeck era um aplicativo que rodava em Adobe Integrated Runtime, ou Adobe AIR (nota: ele ainda existe e é constantemente atualizado), pensado inicialmente apenas para Windows, mas claro que alguns desocupados conseguiam fazê-lo rodar no Linux.

Posteriormente, o desenvolvedor original Iain Dodsworth implementou versões do Tweetdeck, na época conhecido pelo seu ícone amarelo, para iPhone (2009), iPad e Android (2010), bem como a plataforma passou a suportar login de outras redes sociais, como Facebook, LinkedIn, FourSquare, MySpace e Google Buzz.

Muita gente atribui esta época como a melhor que o Tweetdeck viveu em seus quase 15 anos de existência: ele era uma solução multiplataforma, que com um único login oferecia acesso a quase todas as suas redes sociais, no desktop, celular ou tablet, mas em 2011, Dodsworth vendeu sua companhia para o Twitter, por uma respeitável soma de US$ 40 milhões. Nada mau para quem até então era um desenvolvedor desempregado, que tocava o app como um hobby, mas divago.

Na época, o Tweetdeck não era nem de longe o único cliente de múltiplas redes sociais, mas era um dos poucos gratuitos; soluções concorrentes, como o Hootsuite (ainda ativo), ofereciam soluções focadas em usuários corporativos, e por causa disso, as principais ferramentas destes eram pagas.

As mudanças vieram a cavalo. Em setembro de 2011, o Twitter desativou o encurtador embutido deck.ly, que permitia exceder o então limite de 140 caracteres em tweets; em dezembro do mesmo ano, o suporte a outras redes foi removido, com exceção do Facebook, e introduziu versões nativas para Windows e OS X da plataforma.

Em maio de 2013, as versões do Adobe AIR, iPhone, iPad e Android foram descontinuadas e deixaram de funcionar, bem como a conexão com o Facebook, a última rede não-Twitter ainda disponível, caiu. Quem quisesse continuar a usar o Tweetdeck, teria que se contentar apenas com o passarinho azul, e apenas via desktop, ou usando o endereço web, que passou a contar com login direto às contas dos usuários.

O bom e velho Tweetdeck amarelinho (Crédito: Divulgação/Twitter)

O bom e velho Tweetdeck amarelinho (Crédito: Divulgação/Twitter)

Ainda assim, o Tweetdeck continuou oferecendo opções de customização de experiência diversas, como suporte a múltiplas colunas, separadas por tweets (em ordem cronológica, e sem anúncios), menções, mensagens diretas, buscas direcionadas, listas, trends, favoritos, hashtags, etc., além de permitir a administração uma conta em grupos de pessoas, ou coordenar vários perfis de uma vez só.

A plataforma é considerada uma ferramenta valiosa para os power users do Twitter, especialmente publicitários e corporações, no que muitos especularam por anos que em algum momento, a rede social restringiria seu acesso apenas a usuários pagantes. O que, antes da aquisição por Elon Musk, foi considerado a sério.

Isso não impediu que o serviço continuasse a ser depenado. Em 2016, o app nativo para Windows foi descontinuado, e em 2022, o para macOS deixou de funcionar; hoje, só é possível acessar o serviço via navegadores.

Partindo do princípio que o Twitter pré-Elon Musk considerava o Tweetdeck uma ferramenta especializada, é compreensível o plano de afastá-lo cada vez mais do usuário padrão, e voltá-lo para clientes corporativos. Em março de 2022, evidências no código revelaram que o Twitter pretendia lançar uma nova versão, exclusiva para o serviço de assinatura Twitter Blue.

A cúpula do Twitter teria identificado que os públicos do Blue e do Tweetdeck são essencialmente os mesmos, logo, tornar a ferramenta de acesso restrito a quem paga era o movimento natural; a versão legada, embora tivesse uma nova versão planejada, seria eventualmente descontinuada, forçando todos os que não abrirem a carteira a usarem o app oficial do Twitter.

Afinal, o público que não paga e usa o Tweetdeck hoje também não vê anúncios, e isso não é interessante do ponto de vista empresarial.

Claro, isso foi antes de Elon Musk comprar o Twitter e soltar o passaralho na companhia, em que equipes inteiras foram demitidas; segundo informes, o time responsável pelo Tweetdeck, que efetivamente não fazia nada relevante desde 2013, rodou quase que por completo.

Tão logo assumiu a empresa, o bilionário dono da Tesla e SpaceX começou a promover mudanças de modo a tornar o Twitter lucrativo, incluindo uma total remodelação do Twitter Blue, atrelando ao pagamento de mensal de US$ 8 (R$ 60/mês no Brasil) a verificação de perfis com o selo azul, no que os legados serão removidos de todos os que não pagarem; empresas e pessoas públicas hoje têm selos diferentes.

No entanto, nada até agora foi dito a respeito do Tweetdeck, se ele será remodelado, se passará a ser pago, se a versão nova em desenvolvimento será lançada. A plataforma está, para todos os efeitos, posta de escanteio.

Por outro lado, Musk vêm promovendo um novo recurso, que permitirá tweets de até 4 mil caracteres, condensados dentro da interface padrão, com o texto excedente escondido atrás de um link de "leia mais".

A mesma coisa que o deck.ly, o encurtador do Tweetdeck amarelinho, fazia, antes de ser exterminado pelo Twitter.

Se considerarmos que Musk está louco para fazer o Twitter dar lucro, é possível que em algum momento, alguém lembre o executivo que o Tweetdeck existe, e este acabe sendo ligado ao Blue e efetivamente deixe de ser gratuito, mas com base no histórico, não me espantaria se o serviço continuar de lado por mais alguns anos, sem receber nenhuma novidade relevante.

Leia mais sobre: , .

relacionados


Comentários