Meio Bit » Engenharia » Soyuz sofre acidente na ISS e perde todo o refrigerante

Soyuz sofre acidente na ISS e perde todo o refrigerante

A Soyuz MS-22 sofreu um acidente em órbita. Por algum motivo ela começou a vazar líquido refrigerante, e pode deixar cosmonautas ilhados

18/12/2022 às 20:28

A  Soyuz MS-22 deu um belo susto na Roscosmos, na NASA e em todos a bordo da Estação Espacial Internacional, dia 15 de dezembro de 2022. E a situação nem se normalizou ainda.

Acidentes com refrigerante são complicados. (Crédito: Reprodução Internet)

Os cosmonautas Sergey Prokopyev e Dmitry Petelin estavam prestar a sair para uma caminhada espacial de algumas horas, para continuar a instalar o módulo Nauka, que já havia dado problema em 2021, quando seus propulsores dispararam e colocaram a Estação Espacial Internacional em uma cambalhota descontrolada que só parou quando o combustível acabou.

Dessa vez o susto foi outro. Alarmes começaram a soar, controladores em terra correram pra identificar o problema, e ali, na frente de todos, a Soyuz MS-22 estava vazando, e muito.

A MS-22 foi lançada em 21 de setembro de 2022, levando além dos dois cosmonautas, o astronauta americano Francisco Rubio, agora que Dmitry Rogozin foi demitido da chefia do programa espacial russo, e agora brinca de fazer cosplay de soldado, posando usando basicamente equipamento da OTAN.

O tal vazamento, lindo, aliás, prosseguiu por pelo menos três horas, e só acabou quando o material foi esgotado. Nem a NASA, nem a Roscosmos tinham idéia do que estava vazando. Os principais suspeitos eram líquido refrigerante. Os americanos usam amônia, os russos usam uma mistura de água com etileno glicol, proibida nos EUA por ser inflamável. Também suspeitaram que pudesse ser combustível vazando.

A Soyuz tem dois sistemas de refrigeração, um para a cabine e os tripulantes, outra para os instrumentos. Esse segundo sistema foi atingido, e segundo medições, a temperatura estava aumentando.

Dentro dos dois compartimentos habitáveis da Soyuz, o calor chegou a 30 graus, o que é um inferno ameno pra um carioca, mas fogo infernal para um russo. A temperatura média dentro da Estação Espacial Internacional é de 22 graus.

A tripulação da ISS começou a improvisar equipamentos para refrigerar a Soyuz, mas o controle da missão conseguiu aumentar a potência do sistema de refrigeração da nave, e agora a temperatura está caindo, voltando para a faixa entre 18 e 25 graus Celsius que a Soyuz deve manter nos compartimentos.

Os russos apontaram para o suspeito habitual: micrometeoritos ou lixo espacial. É a justificativa deles pra tudo, inclusive pra sabotagem no módulo da ISS que teve um buraco aberto por furadeira. No momento os americanos estão preparando o braço robótico para fazer imagens da área do vazamento, que fica do lado oposto das câmeras capazes de filmar o vazamento.

Os três módulos da Soyuz. Os cosmonautas voltam pra Terra no do meio. (Crédito: NASA)

Há suspeitas que o sistema tenha sido sobrecarregado, pois a órbita atual da ISS a colocou em uma posição onde ficou quatro dias seguidos exposta ao Sol, sem ciclos de 80 minutos de luz/escuridão, mas a causa não é a maior preocupação no momento.

O problema agora é outro. Como dificilmente a Rússia vai conseguir agendar a visita de um técnico de refrigeração, com aquele cilindro lascado azul cheio de freon, a Soyuz vai ter que se virar com o refrigerante que sobrou, que pode ser nenhum, ou pior, Pepsi.

Há uma possibilidade real dos instrumentos a bordo sofrerem superaquecimento, durante a manobra de reentrada, e sem instrumentos não há como separar os módulos, corrigir trajetória, acionar pára-quedas e todas as outras pequenas atividades que ajudam a manter os cosmonautas vivos.

Os russos estão avaliando se a nave tem condição de retornar à Terra em março de 2023, como planejado, ou se ela deverá ser ejetada, sem tripulantes. Isso implicaria em enviar a próxima Soyuz, sem tripulação, tomando o lugar da MS-22 e atrasando a próxima turma.

No momento há sete tripulantes na Estação Espacial, a regra é que todo mundo tem que ter uma cápsula de escape. Os americanos têm a Dragon, com quatro assentos, os russos a Soyuz, mas se ela foi condenada, aí sim temos um problema.

A não ser que resolvam consertar o problema no estilo russo:

Numa emergência real nível fim do mundo, enfiam os russos na Dragon, amarram firme com as tiras usadas pra carga, e foge todo mundo, mas isso não é o ideal, embora nesse momento a NASA deve estar pensando que foi uma decisão idiota pedir pra SpaceX instalar só quatro assentos na Dragon, projetada pra levar sete pessoas.

Nos próximos dias teremos mais informações, esperemos que dê tudo certo, pois no mundo louco em que estamos vivendo, com espadas brandidas e ameaças pra todos os lados, a Estação Espacial Internacional é um dos raros projetos onde ainda há real cooperação, pois o inimigo comum é o espaço.

Sempre bom lembrar que no auge da Guerra Fria, quando a Apollo XIII estava capengando de volta pra Terra, os russos desligaram seus radares de mísseis, para não interferir com as comunicações da NASA, mesmo sabendo que assim ficariam vulneráveis. Na China, militares e policiais foram instruídos para ajudar os astronautas, caso eles pousassem em território chinês, e a população foi avisada que seria pena de morte se alguém machucasse um astronauta.

Leia mais sobre: , , , , , .

relacionados


Comentários