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Russos lançam satélite e atingem a Estação Espacial Internacional (clickbait)

Lançar satélite com foguetes é muito semana passada, russos estão lançando na mão mesmo!

28 semanas atrás

Em um ataque que alguns dirão proposital, um satélite lançado pelos russos atingiu um dos painéis solares da Estação Espacial Internacional, mas graças à sua robustez, entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

Dramática reconstituição do que não aconteceu. (Crédito: Editoria de Arte - filho feio não tem pai / NASA)

O ataque aparentemente suicida foi orquestrado pelo cosmonauta Oleg Artemyev, atualmente residente da mesma Estação que ele tentou destruir. Não se sabe se a NASA tomará providências, e os danos ainda estão sendo avaliados.

Agora sério: A melhor parte é que tecnicamente foi isso que aconteceu, um russo lançou um satélite contra a ISS, mas o divertido é que ele lançou... manualmente.

Não de terra, claro. Para se manter em órbita baixa um objeto precisa viajar a aproximadamente 8 km/s, ou 28800 km/h. Para lançar algo com a força das mãos a essa velocidade, o sujeito teria que ser kryptoniano, no mínimo viltruviano, e fica mais difícil ainda se incluirmos o atrito com a atmosfera. Para resistir às temperaturas iniciais, um objeto lançado do nível do mar a 8 km/s precisaria de um escudo de calor basicamente

Crédito: Amazon Prime Video

Oleg, apesar da propaganda do Putin, não é nenhum super-homem, mas ele conseguiu lançar um satélite a 28 mil quilômetros por hora, apenas com a força das mãos.

Como? Simples, ele já estava viajando na mesma velocidade.

Durante uma caminhada espacial para instalar o novo braço robótico da Estação Espacial, entre outras tarefas Oleg e a astronauta e trekker italiana Samantha Cristoforetti lançaram 10 cubesats.

Pouco maiores que uma caixa de sapato, os mini-satélites são uma forma prática e barata de fazer pesquisa espacial. Modulares, podem ser lançados como carona em missões maiores, durante viagens de reabastecimento à ISS, ou até em missões lunares.

Na Estação Espacial há várias formas de lançar cubesats. Os japoneses criaram o JEM Small Satellite Orbital Deployer (J-SSOD), já os russos, na melhor forma daquela anedota falsa da caneta espacial versus o lápis, preferem lançar na mão mesmo.

Lançador de Cubesats japonês expelindo 3 bichinhos (Crédito: NASA)

Durante a caminhada espacial, eles levam uma bolsa com os cubesats, adaptados com uma alça especial. Posicionando-se de costas para o movimento da Estação Espacial, o cosmonauta firma seus pés nos estribos, segura firmemente o cubesat e o lança em órbita retrógrada, isto é, na direção oposta ao movimento da ISS.

Isso garante, a não ser que as Leis da Física mudem sem aviso, que o cubesat NUNCA irá colidir com a Estação, durante seus poucos meses de vida. Exceto quando colide.

Oleg, que está mais para Olaf, fez caca quando a ISS estava sobre a divisa entre o Mali e Argélia. Lançando o 7º dos 10 cubesats do dia, ele se dirige para um ponto perigosamente próximo de um dos painéis solares. O diálogo é delicioso:

Oleg: Esse vai passar bem perto do painel solar.

Oleg: Oh, ele [o painel] tocou na bateria [do satélite]

Oleg: Bateu de novo.

Oleg: Esse foi o último contato

Roscosmos: OK, Oleg, o próximo satélite deve ser lançado em uma trajetória um pouco diferente.

Oleg: OK, é que eu estava mirando na trajetória do satélite anterior, mas eu acho que está tudo ok, o primeiro contato foi bem suave e o segundo acertou a moldura [do painel]

Roscosmos: OK, Oleg, mas mesmo assim, tente passar pelos painéis sem fazer contato com eles.

Aparentemente não houve danos, os painéis são frágeis mas não tão frágeis assim, e um cubesat com massa de alguns kg viajando a algo que aparenta ser 25 cm/s (0,9 km/h) não tem energia cinética suficiente para danificar nada mais consistente que um pudim, e há poucos pudins em órbita da Terra.

Os outros satélites foram lançados sem maiores problemas, e o incidente foi considerado menor, até porque os russos já fizeram caca bem maior, tipo julho de 2021, quando os propulsores do recém-instalado módulo Nauka ligaram sozinhos e a Estação Espacial Internacional ficou girando sem controle por 47 minutos.

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