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Electronic Arts abandona interesse nos NFTs (por enquanto)

Após afirmar que os NFTs seriam o futuro dos games, CEo da Electronic Arts recua e diz que no momento a empresa não está focada nisso

52 semanas atrás

Nos últimos meses, nada tem sido mais discutido na indústria de games do que os NFT. De um lado temos as empresas, sedentas por explorar os tokens não-fungíveis em suas criações e do outro estão os consumidores, que veem nessa prática uma espécie de caça-níqueis com um enorme potencial para tornar os jogos muito piores. Mas enquanto o debate parece longe de terminar, algumas editoras já estão desistindo da novidade e uma delas é a Electronic Arts.

Electronic Arts

Crédito: Reprodução/Pikisuperstar/Freepik

Muitas vezes criticada pela sua postura, no final de 2021 a EA demonstrou um claro interesse em adotar os NFTs, com o Andrew Wilson chegando a afirmar que no “contexto dos jogos que criamos e dos serviços ao vivo que oferecemos, o conteúdo digital colecionável terá um papel fundamental no nosso futuro.

Tal declaração não foi bem recebida pelo público e com outras empresas sendo bastante criticadas por quererem seguir por este caminho, a Electronic Arts preferiu recuar. Ao participar de um evento para investidores, Wilson foi questionado sobre os planos da empresa para esta área e sua resposta jogou uma sombra sobre a maneira como a companhia pretende lucrar com os “colecionadores”.

A maneira como olho para isso, a colecionabilidade é realmente construída em quatro métricas principais. Isso envolve conteúdo de alta qualidade, escassez, prova de autenticidade e um grupo de pessoas que encontra valor nesse conteúdo.

Vimos isso acontecer no mundo real e vimos acontecer no mundo virtual, com certas coisas que aconteceram dentro e ao redor dos nossos jogos por alguns anos. E acredito que a colecionabilidade continuará sendo uma importante parte da nossa indústria, dos games e das experiências que oferecemos aos nossos jogadores.

Se isso faz parte dos NFTs e dos blockchains, ainda teremos que ver. E acho que a maneira como pensamos sobre isso é que queremos entregar a melhor experiência possível para o jogador. E assim, avaliaremos isso ao longo do tempo, mas no momento não é algo no qual estejamos nos esforçando muito.

Crédito: Divulgação/EA

Talvez a Electronic Arts esteja apenas esperando a poeira baixar, com medo de que os ataques sejam até maiores do que aqueles recebidos no passado. Talvez eles ainda estejam avaliando um terreno que já começou a ser explorado por empresas como a Ubisoft e a Konami, tentando descobrir se o retorno financeiro valerá um risco tão grande.

Peguemos como exemplo o leilão iniciado pela editora japonesa para algumas artes da série Castlevania. Apesar de toda a crítica feita à iniciativa da Konami, eles conseguiram arrecadar US$ 157 mil com essas vendas. Já a Ubisoft não teve tanta sorte, com os NFTs para o Ghost Recon Breakpoint tendo inicialmente conseguido apenas US$ 400.

Pois este receio de manchar sua imagem ao recorrer à venda de tokens não-fungíveis não é exclusividade da Electronic Arts. Após receber críticas até de estúdios parceiros (aqui, aqui e aqui) por anunciar a venda de NFTs, a Team17 preferiu recuar e cancelou o que vinha chamando projeto MetaWorms NFT.

Outra que também tem demonstrado um certo interesse neste modelo de monetização, mas que teme a reação dos fãs, é a Sega.  De acordo com o presidente e CEO da companhia, se isso for percebido como um simples caça-níqueis, ele prefere optar por não dar prosseguimento à sua utilização.

Um problema chamado Battlefield 2042

Crédito: Divulgação/EA

Mas enquanto a EA resiste à tentação dos NFTs, a empresa precisa decidir o que fazer com um dos seus principais lançamentos do ano passado, o Battlefield 2042. No mesmo evento em que falou sobre os tokens não-fungíveis, Andrew Wilson admitiu que o desempenho comercial do FPS foi decepcionante.

Segundo o executivo, desenvolver um jogo desse porte durante a pandemia da COVID-19 mostrou-se uma tarefa desafiadora e por mais que o título tenha se mostrado estável durante o lançamento, logo a maior quantidade de jogadores fez com que problemas de desempenho surgissem.

Wilson também reconheceu que algumas escolhas de design não foram bem aceitas por parte da comunidade, mas que a sua equipe está comprometida em alcançar o completo potencial do Battlefield 2042. Para ele, com o passar do tempo e o consequente lançamento de atualizações, nós ainda veremos o jogo se sair bem.

O que o CEO da Electronic Arts não falou foi sobre os rumores de que o jogo pode estar prestes a se tornar um título free-to-play. Particularmente acho isso difícil de acontecer, mas se um dia essa possibilidade for confirmada, só falta a empresa recorrer aos NFTs para aumentar o faturamento do jogo.

Fonte: PCGamer e GamesIndustry

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