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Quanto Google paga à Apple para ser a busca padrão do iPhone?

Processo pretende revelar, de uma vez por todas, quanto o Google paga anualmente à Apple para que seu motor de busca seja o padrão do Safari

31 semanas atrás

Não é novidade que Apple e Google mantém, há pelo menos uma década, um acordo em que a companhia de Mountain View paga um enorme montante todos os anos, a fim de garantir que o Google Search continue como o motor de busca padrão do navegador Safari, no iPhone, iPad e Mac.

Ambas empresas nunca confirmaram o acordo ou comentaram valores, e a única evidência existente é uma menção em 2016, no processo movido pela Oracle contra o Google, de que a gigante das buscas havia pago US$ 1 bilhão à maçã dois anos antes, quanto esta ameaçou novamente abrir a concorrência da opção padrão para outros motores.

Dramática reconstituição de Tim Cook recebendo o pagamento anual do Google (Crédito: Reprodução/Disney)

Dramática reconstituição de Tim Cook recebendo o pagamento anual do Google (Crédito: Reprodução/Disney)

No princípio, a não manutenção do acordo prejudicaria mais a Apple do que o Google, com a primeira deixando de fazer caixa com uma grana garantida todos os anos, enquanto que o Google Search, também presente como padrão no Android e sendo o motor mais usado em computadores Windows e Linux, perderia uma renda de aproximadamente US$ 350 milhões, o que para ela, não era nada.

No entanto, a evolução dos dispositivos móveis acabou favorecendo muito mais a Apple. Consumidores que usam o PC para navegar, ler e-mails, ver vídeos, ler artigos e livros e etc, começaram a trocar seus desktops e laptops por smartphones e tablets, e a grande parcela deles, considerando o cenário global, preferia iPhones e iPads. E isso teve um efeito nada agradável para o Google.

Em 2012, os dispositivos da Apple já respondiam por 30% da arrecadação do Google com anúncios, que todo mundo sabe, respondem por mais 90% da receita bruta da empresa. Em 2017, essa porcentagem já havia saltado para 50%, e em 2021... Hoje, 68% de todos os cliques em anúncios do Google são feitos em celulares, e iGadgets representam 71% desse montante.

Colocando em termos simples: o Google depende da Apple, que muito sabiamente, fez a rival de refém. Primeiro, os termos do acordo hoje incluiriam um arranjo de que desde que Mountain View continue depositando a grana todos os anos, Cupertino não irá desenvolver um motor de busca próprio, o que analistas acreditam ser enfim, a "opção termonuclear" que Steve Jobs tanto queria usar contra a gigante das buscas.

Segundo, o valor do acordo é violentamente reajustado ano a ano. O Google teria pago US$ 9 bilhões em 2018 e US$ 12 bilhões em 2019; o último pagamento, em 2021, teria chegado a US$ 15 bilhões, e estima-se que o de 2022 alcance a absurda cifra de US$ 20 bilhões.

E Mountain View paga mesmo assim, pois entende que precisa gastar dinheiro para lucrar muito mais.

iPhone com Busca do Google aberta no navegador Safari (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit) / apple

iPhone com Busca do Google aberta no navegador Safari (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

O grande problema é que o acordo entre Google e Apple, em que de certa forma a primeira paga por tratamento diferenciado na plataforma da segunda, é mais uma das várias práticas anti-competitivas que reguladores vêm combatendo nos últimos anos, contra ambas companhias citadas, e outras como Amazon, Facebook, Microsoft e etc.

Um novo processo, aberto recentemente contra Apple, Google e seus respectivos CEOs, Tim Cook e Sundar Pichai, acusa o grupo de infringir as leis antitruste dos Estados Unidos, tanto na parte do acordo que impede a maçã de competir diretamente no mercado de motores de busca, quanto a medidas tomadas pela maçã para frear o alcance de concorrentes, como Microsoft Bing, Yahoo! Search e DuckDuckGo, entre outros, a fim de promover e priorizar com destaque o cliente pagante, o Google Search, inclusive levando a aquisições de players menores por qualquer uma das empresas.

O processo exige uma série de medidas, algumas improváveis de acontecer nos EUA (pelo menos, não por enquanto), como o desmembramento do Google e da Apple em empresas menores, de modo a separar seus diferentes negócios, e mais interessante, jogar para a torcida o acordo anual e revelar quanto a gigante das buscas paga a Cupertino por ano, e quantas vezes isso já aconteceu.

O fato é que mesmo não sendo reconhecido oficialmente, autoridades sabem que o acordo existe. Em 2020, as autoridades reguladoras do Reino Unido começaram a investigar maneiras de lidar com a parceria no rigor das leis antitruste locais, e até onde se sabe, a Comissão Europeia também está averiguando o caso, entre os muitos processos que já martela na cabeça de ambas gigantes tech.

Como de praxe, Apple e Google não fizeram comentários a respeito do processo.

Fonte: PR Newswire, MacRumors

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