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Civilization VI, três anos depois — Review

Após três anos, duas expansões e um modo Battle Royale (!), Sid Meier's Civilization VI marca o retorno da clássica franquia aos consoles de mesa

02/12/2019 às 10:30

O clássico dos 4X está de volta aos consoles: Sid Meier's Civilization VI chegou no fim de novembro ao PS4 e Xbox One, um retorno às plataformas de mesa que não acontecia desde 2008, com Civilization Revolution. Contando com as versões móveis para iOS e Nintendo Switch, o jogo agora está presente em quase todos os sistemas (você não, Android).

Assim, achei por bem fazer um review diferente desta vez, traçando uma linha do tempo e abordando todo o conturbado ciclo de vida de Civilization VI.

Firaxis Games / Sid Meier's Civilization VI

Explore, expanda... você sabe o resto

Quando Civilization VI chegou em outubro de 2016, a Firaxis tinha uma ambição: remodelar o gênero 4X e torna-lo menos monolítico, de modo a forçar o jogador a sair do básico "eXplore, eXpand, eXploit, eXterminate" e cuidar melhor de suas civilizações. O sistema de distritos, que precisam ser bem planejados para manter seus cidadãos satisfeitos é um exemplo, e dependendo da nação, obrigatórios para facilitar os meios de alcançar uma modalidade de vitória específica, como cultural ou científica.

O problema é que Civ VI implementou tudo de qualquer jeito e sem polimento. Cidades costeiras se beneficiam mais de distritos residenciais, as no interior serão mais bem-sucedidas com distritos de produção, mas uma vez tomada essa decisão, não é possível desfazê-la. Em partidas longas, mudanças forçadas pelos adversários podem prejudicar enormemente essas cidades, e por consequência a sua estratégia.

Firaxis Games / Sid Meier's Civilization VI

Não foram poucas as reclamações acerca das mecânicas punitivas do jogo base, que privilegiava a vitória militar em detrimento das demais, correção que foi ensaiada em Rise and Fall, mas só ficou nisso mesmo: o sistema de Eras e governadores deram mais ênfase em quem joga Civ VI visando expansão territorial e conquista pela força, e o sistema de rebeliões não foi tão bem implementado. Isso sem falar na clássica IA nada esperta, com líderes denunciando você dois turnos após firmarem uma amizade ou coisas do tipo.

As coisas realmente mudaram com Gathering Storm, a segunda expansão lançada em fevereiro de 2019. Esta introduziu partidas sujeitas a eventos climáticos, como inundações, secas, terremotos, maremotos e erupções vulcânicas, que forçam o jogador a pensar muito bem onde fundar uma cidade. As ações durante uma partida, como queimar combustíveis fósseis e não ser sustentável também alteram o ambiente, mas com algumas nações podendo aproveitar essas adversidades (por exemplo, as cheias de rios são vantajosas para o Egito).

A introdução do sistema de agravos e a volta do Congresso Mundial permitiram que Civilization VI se tornasse um jogo verdadeiramente agradável, embora ainda não seja perfeito. Presepadas homéricas, como cross-play entre Windows, macOS e Linux, recurso prometido no lançamento (e que incentivou muita gente a comprar o jogo de cara, eu incluso) e que só chegou mais de um ano depois são difíceis de perdoar, mas ao menos a Firaxis e a 2K reconhecem que ainda há muito espaço para melhorias e novidades.

Um bom exemplo é o inesperado mapa Red Death, por enquanto exclusivo para computadores e que introduz uma campanha Battle Royale (sim, isso mesmo) em um cenário apocalíptico, com unidades e desafios exclusivos. Confuso? Sim. Curioso? Sem dúvida, mostra que estão experimentando coisas novas.

Civilization no sofá

O que nos traz às versões para consoles. O jogo base e as expansões são conversões ipsis litteris do jogo nos PCs, como já havia sido feito no iOS, primeiro focando em iPads e depois chegando nos iPhones, e posteriormente para o Nintendo Switch. Controlar os cursores e navegar pelos menus de Civilization VI é obviamente mais complicado do que fazê-lo com teclado e mouse, mas não é desconfortável.

A Firaxis não mexeu em absolutamente nada, todos os contras presentes no jogo base e nas expansões foram incluídos, bem como os pontos positivos. Em suma, é preciso comprar também o bundle de expansão para ter a experiência completa, e se irritar menos com os cacoetes do jogo, e este é seu principal ponto fraco: o jogo chegou ao PS4, Xbox One e Switch com preço full e o pacote com Rise and Fall e Gathering Storm custa adicionais R$ 150, em média.

Firaxis Games / Sid Meier's Civilization VI

Ou seja, você vai ter que desembolsar cerca de R$ 400 (considerando preços não promocionais) se quiser aproveitar as novidades introduzidas no jogo mais recentemente, e isso não é lá algo muito legal. Por outro lado, você terá o conforto de jogar longas partidas refestelado no sofá da sala.

Conclusão

Sendo direto, mesmo após três anos Civilization VI segue como o capítulo menos interessante da franquia. A introdução dos distritos e o sistema de governança foram adições focadas em tornar o gênero 4X menos monolítico, mas pagou seu preço por ser ambiciosa demais. Além disso, a mecânica original privilegiava enormemente nações belicosas, favorecendo a vitória militar sobre todas as outras.

Rise and Fall foi uma expansão confusa, que mexeu em quase tudo com a inclusão das Eras e de um sistema de lealdade, mas que não mudou nada revelante. Por sua vez, Gathering Storm se focou no básico, fez ajustes e implementou uma mecânica de eventos climáticos, que podem destruir estratégias ou serem usados a seu favor.

Firaxis Games / Sid Meier's Civilization VI

O grande problema é que para se tornar um título verdadeiramente interessante, Civilization VI depende de Gathering Storm, e como se não bastasse, a expansão custa ainda mais caro nos consoles, pois vem em um pack acorrentada a Rise and Fall. Esses problemas fizeram com que outros títulos, como Endless Space 2, Distant Worlds Universe, Endless Legend, Star Ruler 2 e até mesmo lançamentos recentes da série Total War (que possui um sistema de lealdade mais inteligente) dispersassem os fãs da franquia.

Claro, Civ VI agora oferece a vantagem de que você pode joga-lo como e quando quiser: no computador, com teclado e mouse, longe de casa em seu iPhone ou Switch, ou esparramado no sofá da sala, no PS4 ou Xbox One.

A meu ver, o melhor 4X da Firaxis segue sendo Sid Meier's Civilization V: Brave New World, mas é bom ver que a desenvolvedora e a 2K Games estão minimamente empenhadas em consertar burradas passadas; Red Death é um indicativo de que ao menos estão tentando.

Sid Meier's Civilization VI — Ficha Técnica

  • Plataformas — Windows, macOS, Linux, PS4, Xbox One, Nintendo Switch, iOS;
  • Desenvolvedora — Firaxis Games;
  • Distribuidora — 2K Games;
  • Preço (não promocional) — R$ 129 (Windows/macOS/Linux); R$ 249,90 (PS4), R$ 249,95 (Xbox One), R$ 249 (Switch), gratuito (trial de 60 turnos) com compras no app (iOS);
  • Classificação Indicativa — 10 anos.

Pontos Fortes

  • Versões para consoles são ports perfeitos (para o bem e para o mal);
  • Redefiniu conceitos do 4X, ainda que de modo desajeitado.

Pontos Fracos

  • Jogo base é mais punitivo para certas nações e tipos de vitória;
  • Depende da expansão Gathering Storm para se tornar realmente interessante.

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