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Google desiste de VR mobile e abre código do Cardboard

Google interrompe desenvolvimento do SDK de Realidade Virtual; código-fonte do Cardboard é aberto para que comunidade toque o barco

07/11/2019 às 9:30

O Google desistiu de VR em celulares: a companhia anunciou nesta quarta-feira (06) que interrompeu o desenvolvimento de seu SDK de Realidade Virtual para dispositivos móveis, ao mesmo tempo que abriu o código-fonte do Cardboard, seu HMD de papelão para a comunidade.

Tal movimento já era esperado, após o Google confirmar o fim do projeto Daydream.

Google / Google Cardboard

Em outubro, o Google deixou de vender os headsets da linha Daydream, enquanto deixou de dar suporte ao recurso nos celulares da linha Pixel 4. Novos dispositivos Android não mais serão homologados para funcionar com os apps compatíveis, sendo assim, restava aos usuários se virarem com conteúdos voltados ao Cardboard.

O HMD original do Google foi um projeto que permitia qualquer um ter seu próprio kit de óculos de Realidade Virtual, bastando baixar os modelos no site oficial ou comprar kits prontos. O Cardboard é feito de papelão, velcros, elásticos, arruelas e lentes biconvexas assimétricas com distância focal de 45 mm. O custo final não costuma extrapolar R$ 30 e graças aos vídeos e apps compatíveis, qualquer celular pode ser usado com o acessório, mesmo iPhones.

No entanto, segundo o Google o interesse tanto pelo Daydream quanto pelo Cardboard caiu nos últimos tempos, o que levou a gigante das buscas a interromper o desenvolvimento do SDK de Realidade Virtual da companhia, que alimentava ambas plataformas.

O Google sabe, no entanto que o acessório possui forte apelo educacional, principalmente para incentivar crianças a montarem seus próprios HMDs; assim, a empresa está abrindo o código-fonte do Cardboard para a comunidade, basicamente um "toma que o filho é seu" para desenvolvedores independentes. Serão eles os responsáveis por manter o acessório vivo de agora em diante.

Para isso, o Google está tornando públicas as bibliotecas necessárias para o desenvolvimento de apps e experiências compatíveis com Android e iOS, enquanto a gigante ainda fará algumas, porém limitadas colaborações diretas, como lançar um novo SDK voltado para a engine Unity.

O Google é a última empresa a sair do ramo de VR baseado em dispositivos móveis, e a responsável a pregar o último prego no caixão da categoria. Vale lembrar que o Project Tango, que usava RA e visão computacional já havia sido derrubado do telhado a algum tempo atrás.

Ao mesmo tempo, a Samsung informalmente interrompeu o desenvolvimento da linha Gear VR, visto que os novos Galaxy Note 10 e 10+ não são compatíveis com os headsets disponíveis; a empresa não lança um novo modelo da linha desde 2017 e o foco se voltou aos HMDs de Realidade Mista, como os da linha Odyssey compatíveis com Windows 10, desenvolvidos em parceria com a Microsoft.

Esta, por sua vez investe em RA com o HoloLens, que pode nunca vir a se tornar um produto para as massas, enquanto licencia a tecnologia Windows Mixed Reality para terceiros. Atualmente, apenas Oculus e HTC investem em HMDs de VR dedicados, enquanto há rumores de que a Sony pretende introduzir a segunda geração do PlayStation VR junto com o PS5.

Com informações: Google Developers Blog.

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