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Microsoft não possui planos de um HoloLens para o público geral

Microsoft não vai lançar um HoloLens para o usuário final tão cedo; HoloLens 2 perdeu todas as funções voltadas a games, e foca em empresas

39 semanas atrás

A Microsoft postergou todos os planos de um HoloLens para o usuário final: a segunda geração do HMD, apresentada na MWC 2019 foca exclusivamente em soluções corporativas e educacionais, e seu preço, que continua nada amigável, espanta qualquer proposta de uso geral ou cotidiano.

Em resumo, a Microsoft não permitirá que o HoloLens seja usado pelas massas tão cedo, mesmo tendo se passado quatro anos do lançamento original.

Microsoft / HoloLens 2

Quando o HoloLens original foi introduzido em 2015, a Microsoft tratou de fazer barulho demonstrando tudo o que o HMD poderia vir a fazer, e num primeiro momento, implementou recursos que poderiam ser aplicados a usos cotidianos, como controlar dispositivos da casa, atender ligações e claro, games (a apresentação com Minecraft encheu os olhos de muita gente).

Só que a Microsoft ainda vinha do trauma com o Kinect, e quase fez tudo errado de novo com o novo acessório; por sorte, empresas e entidades de grande porte, como a NASA, a Volvo e outras viram que o HoloLens era bom demais para ser apenas um acessório geek, e que poderia trazer funcionalidades reais para aplicações de Realidade Virtual e Aumentada, em ambientes corporativos, educacionais, de desenvolvimento, e até no chão de fábrica.

Com isso, todo o projeto foi redirecionado, e embora a essência gamer tenha permanecido na primeira geração, o preço de US$ 3 mil cobrado no kit de desenvolvimento, ou a Commercial Suite, que custava US$ 5 mil, foram disponibilizadas de forma muito, mas MUITO restrita: apenas para empresas e desenvolvedores. No primeiro caso, os interessados ainda tinham que apresentar projetos que a Microsoft julgasse agregadores para a plataforma, e só então estes seriam permitidos a compra-lo.

O motivo era não só não repetir o fiasco do Kinect, mas também evitar o que aconteceu com o Google Glass, onde todo mundo podia compra-lo e poucos foram os que trouxeram valor ao ecossistema. Assim, a Microsoft baniu curiosos e amadores, e filtrou tudo o que não fosse realmente útil. Dessa forma, os games também rodaram.

Microsoft / demonstração de uso do HoloLens 2 em ambientes industriais

Claro que pelos preços cobrados, esperar que alguém compre o HoloLens para jogar é uma insanidade, mas ainda assim, alguns projetos educacionais envolviam jogos. No entanto, na apresentação do HoloLens 2, algumas mudanças foram apresentadas. Ele conta com um campo de visão duas vezes maior, hologramas mais bem definidos e ficou mais leve, além de poder ser usado por mais tempo.

Por outro lado, as funcionalidades para games foram totalmente limadas do acessório. Segundo Greg Sullivam, diretor do setor de Realidade Mista da Microsoft, isso aconteceu porque na época, a empresa ainda não sabia em que mercado ele seria melhor recebido, e de onde viriam os maiores ganhos. Sem surpresa, Redmond decidiu que o HoloLens faz mais sentido para empresas e indústrias, o que explica as ferramentas para treinamento de funcionários.

Claro, a Microsoft está trabalhando com a Epic Games para melhorar a implementação da Unreal Engine 4, mas ela não será voltada para jogos. O CEO Tim Sweeney afirmou, na ocasião, que uma versão do HoloLens para usuários finais "levará anos" para chegar ao mercado, algo aventado anteriormente por Alex Kipman, e confirmado por Sullivan.

Quem não tem HoloLens, caça com Windows Mixed Reality

Samsung / Odyssey HMD / Microsoft HoloLens

Odyssey HMD: acessório da Samsung é compatível com o Windows Mixed Reality

Sullivan acredita que o HoloLens deverá ser um produto para empresas por todo o seu ciclo de vida, e as chances de que um produto tão especializado seja lançado para o consumidor são pequenas; ao mesmo tempo, uma versão resumida, com menos recursos não está nos planos da Microsoft. Então, o que resta para o povão?

A resposta é a Realidade Mista. Segundo Sullivan, a tecnologia Windows Mixed Reality, que a companhia negocia com fabricantes parceiros como Samsung, ASUS, Acer e outras, é a chave para "libertar os usuários da telas". Tais acessórios possuem características mais simples, e não são fabricados internamente, o que diminui os custos para a Microsoft.

Claro, nenhum desses headsets é exatamente barato (ao menos por aqui), mas quando comparados ao HoloLens 2, cujo acesso é novamente restrito e custa US$ 3,5 mil, tais aparelhos representam a única forma de usuários colocarem a mão em algo minimamente próximo ao principal HMD de Redmond.

Enquanto isso, a Microsoft continua promovendo o HoloLens como uma plataforma para desenvolvedores sérios, que desejam criar soluções agregadoras para o mercado corporativo, educacional e industrial, e não estão interessados em fazer gracinhas, ou lançar games.

Em resumo, a companhia de Satya Nadella continua querendo a mesma coisa de sempre, desde os tempos de Steve Ballmer:

Já o público geral, que se contente com o Windows Mixed Reality, pois é tudo o que terão por um longo tempo.

Com informações: UploadVR.

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