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Resenha: Toy Story 4, uma sequência que cumpre seu papel

Nossa resenha de Toy Story 4 conta tudo sobre o filme, que continua de forma sensacional a história da saga e apresenta novos e incríveis brinquedos

31/07/2019 às 23:18

Eu estava devendo até hoje a minha resenha sobre Toy Story 4, mas nunca é tarde para falar sobre este ótimo filme da Pixar, então, lá vamos nós! Pra quem não quiser ler, eu resumo aqui mesmo no primeiro parágrafo, eu nunca quis um quarto filme dessa franquia, mas agora que foi feito, eu já não consigo imaginá-la sem ele.

Lançada no dia 20 de junho, a animação de Josh Cooley conseguiu atingir a sua missão de dar continuidade a uma trilogia que já era totalmente fechada, já que Toy Story 3 é simplesmente incrível, e tinha sido uma conclusão perfeita para a saga dos brinquedos de Andy.

O filme acompanha a história de Woody, Buzz e seus amigos, agora morando na casa da Bonnie, a criança que ganha de Andy a tão querida caixa de brinquedos. O começo do filme é ótimo, quando Bonnie faz um novo amigo na escola, no sentido literal, Garfinho/Forky. Woody participa da sua criação ao ir com ela na escola para dar uma força, ao perceber que aquele momento era delicado para sua nova dona.

Em primeiro lugar, esse filme tinha o desafio de mostrar que precisava ser feito, assim como Garfinho, que precisa descobrir qual o sentido da sua vida, que para ele é ir para o lixo, do qual acredita fazer parte.

A fixação de Garfinho por ser lixo e não um brinquedo rende as melhores risadas do filme, e também os seus pensamentos mais profundos. É inevitável não pensar em como Woody se sente ao tentar salvar seu amigo, enquanto tenta justificar a sua própria existência, agora sem Andy e com Bonnie não ligando para ele.

Acho que essa questão já é muito bem resolvida no começo do filme, com toda a trama da criação do brinquedo por Bonnie, e a forma como ela se envolve com ele, antes mesmo dele entender a sua importância para ela.

Feito de um garfo de plástico, com braços de limpador de cachimbo e pés com palitos de picolé e olhos que insistem em cair, Garfinho é todo estranho, mas exala humanidade pelo excelente trabalho dos animadores e também do seu ator e dublador (na versão que assisti, ele e o dublador de Woody dão um show).

Garfinho é interpretado por Tony Hale, que deve dar um show, pois seu dublador faz exatamente isso. Randy Newman está de volta com duas novas músicas na trilha sonora, como não podia deixar de ser, além de uma nova versão de You've Got a Friend in Me (Amigo Estou Aqui).

Esse questionamento existencial do personagem é uma das coisas mais legais do filme, assim como as explicações pacientes de Woody para que ele finalmente entenda quem é, e principalmente, qual o seu valor. Enquanto tenta convencê-lo, Andy também se questiona sobre seu próprio valor, já que Bonnie o tem rejeitado por outros brinquedos.

Woody mostra a Garfinho que ele tem o nome de Bonnie escrito em seu pé, o que mostra que ele é um brinquedo, e não um monte de entulho, mas essa ficha demora até cair.

O meu grande questionamento sobre esse filme também era basicamente esse, se ele realmente precisava existir. Depois de assistir a Toy Story 4, reconheço que precisava sim, já que ele conseguiu superar minhas expectativas, e assim como nos outros filmes, teve como ponto alto um excelente roteiro, que brilha em vários momentos.

O roteiro foi escrito por Stephanie Folsom e Andrew Stanton, que acertaram em várias coisas, mas não em todas. O maior problema do filme pra mim é o fato de que ele transforma Buzz no brinquedo bobo dos primeiros filmes, algo que ele já tinha deixado de ser faz tempo, mas tudo bem, entendo a decisão de focar em outras partes da história, e também a necessidade de um alívio cômico, embora o filme já tenha vários. Pra mim o Buzz merecia mais boa vontade dos roteiristas, mas isso não afeta a experiência e a viagem que fazemos com os brinquedos nesse filme.

Esse filme não foi feito para superar Toy Story 3, e falando sinceramente, esse não me parece ter sido o propósito dos seus realizadores, mas nem de longe. O quarto filme se sai bem por conta própria, trilhando o seu próprio caminho.

O reencontro de Woody com Betty (Bo Beep no original) é emocionante, e no filme, ela está totalmente heróica, além de contar com um carro criado por ela e dirigido por seus três alívios cômicos pessoais, as ovelhas que a acompanhavam na luminária que ela fazia parte.

Os vilões da trama são Gabby Gabby e seus marionetes ventriloquistas, que lembram muito o boneco da clássica série Twilight Zone, e as cenas com eles na loja de antiguidades são excelentes e bem sinistras, assim como o sequestro de Garfinho. No final das contas, ela não era tão má assim, e tinha lá seus motivos para agir dessa forma.

A versão que eu assisti foi a dublada, pois a o filme legendado não estava mais sendo exibido na minha cidade, mas todos estão muito bem nos seus papéis. Guilherme Briggs faz a voz de Buzz, e como sempre, está perfeito no papel, ainda que seu personagem não apareça tanto na trama. Já o dublador de Woody, Marco Ribeiro, merece um prêmio pelo que faz no filme.

Os novatos Marco Luque e Antonio Tabet não chegam a comprometer, mas pensando no fato da dupla Coelhinho e Patinho no original ter as vozes por Keegan-Michael Key e Jordan Peele, não dá pra comparar, principalmente pelos dois contarem com uma parceria antiga e terem uma química que acaba sendo impossível de ser atingida pelos dubladores nacionais.

Outro ponto bem legal de Toy Story 4 é a inclusão de Keanu Reeves em seu elenco, como o motoqueiro Duke Caboom, mas por enquanto só ouvi o seu dublador, que está ótimo. Estou bem curioso para ver a atuação de Christina Hendricks no original como Gabby Gabby, mas tenho certeza que ela deu um show, assim como a sua dubladora nacional.

No final da sua jornada, Woody descobre que não precisa de um dono para ser feliz, ou sequer para ser considerado um brinquedo. A aventura, para ele, começa realmente agora.

Tecnicamente, como não podia deixar de ser, Toy Story 4 é o mais incrível de todos os filmes, e tem detalhes realistas como os pelos do gato que ficaram realmente espetaculares. Existem (como sempre) várias referências, e uma das cenas, nossos brinquedos favoritos encontram vários personagens antigos da Pixar, incluindo o clássico soldadinho de chumbo do curta Tin Toy, de 1988.

Toy Story 4 segue em cartaz nos cinemas brasileiros e se você não assistiu, está perdendo. Altamente recomendável!

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