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Qual é a desse Samsung Galaxy S10e?

O Galaxy S10e é mais barato do que o S10 normal, encaixa melhor nas mãos e tem exatamente o mesmo processador e GPU. Vale a pena?

11/07/2019 às 14:39

Depois de ter passado um mês com o Galaxy S10 Plus nas mãos, mais um mês com o Huawei P30 Pro, chegou a hora de contar pra vocês qual que foi a minha experiência com o Galaxy S10e, o smartphone menos-potente-mas-ainda-assim-muito-potente da linha Galaxy S10.

Galaxy S10e de frente

Convenhamos que o nascimento do Galaxy S10e está atrelado ao sucesso que vive o iPhone XR, que é uma versão consideravelmente menos cara do que o iPhone XS. No caso da Samsung a mesma matemática funciona: o S10e tem o mesmo processador, na mesma velocidade, mesma placa de vídeo e tecnologia de tela dos outros Galaxy S10.

Na conta pra fechar o preço menor a Samsung tirou uma das câmeras traseiras, diminuiu o display e a resolução, colocou o leitor de impressões digitais fora da tela, além de trabalhar com cores mais vivas na parte externa - que não tem a curvatura tradicional dos Galaxy S.

Depois de mais de 30 dias com um no bolso, como meu celular (sem essa de principal, já que era o único que andou comigo), posso afirmar que ele é o Galaxy S10 que você precisa levar em conta na hora da compra. Ainda não tá seguindo minha ideia? Vem comigo nos próximos parágrafos que eu te conto mais.

Primeiro contato

Caixa do Galaxy S10e

Por fora, a caixa é exatamente a mesma e com os mesmos acessórios que estão em todos os Galaxy S10 do mundo - o que significa carregador rápido, cabo USB-C, adaptador USB-C para USB-A e fone de ouvido. Quando você tem o smartphone nas mãos, percebe que ele é diferente.

Primeiro pelo tamanho, que é quase que o mesmo que o iPhone X lançado em 2017 e que significa que ele é ainda menor do que o S10 normal. Menor e sete gramas mais leve do que seu irmão mais caro. Compacto e colorido, principalmente nessa cor amarela que, coincidentemente, é quase que a mesma que a Apple colocou no iPhone XR e isso vai até mesmo pro aro externo, que também é da mesma cor da traseira.

Pegada confortável

O que mais me chamou atenção foi o tamanho e é por isso que continuo no assunto. O S10e encaixa como uma luva nas minhas mãos, que não são das menores e nem das maiores. A sensação de utilizar mais da One UI com apenas uma mão é algo que não sinto desde que os smartphones resolveram que quanto maior a tela, melhor é o produto - maldito pensamento de tamanho cada vez maior.

A tela é menor? É e a resolução desceu junto. Faz diferença? Faz, mas pro sentido de conforto e não pra algo negativo.

Finalizando a parte de fora e que chama atenção, a Samsung resolveu dar um passo pra trás quando criou o Galaxy S10e, com uma alteração que pode deixar amantes da marca insatisfeitos. Não foi meu caso. O que a Samsung fez foi deixar o S10e liso, sem qualquer lateral curvada na frente e muito menos na parte traseira. Foi um movimento incomum pra assinatura que está nos Galaxy S desde o S6 Edge, lançado em 2015 e que virou única opção nos aparelhos em 2017 com o S8.

Corpo liso, sem curvaturas

O curioso é que, mesmo sem a curvatura lateral, a One UI continua exibindo o atalho chamado de Tela Edge e que foi criado pra tirar mais proveito da curvatura. Vai entender.

Tela menor perde qualidade?

Não. O display é basicamente o mesmo dos outros modelos, só que com apenas uma câmera frontal (assim como o S10, que não é Plus) e sem o leitor de impressões ultrassônico. A exibição de cores é, literalmente, a mesma. O Super AMOLED por aqui ganhou nome de Dynamic AMOLED e continua como a melhor tela de todos os celulares pra quem quer leitura em ambientes muito claros.

Ótima pra cores, mas com aquela teimosia de deixar tudo mais saturado - felizmente dá pra alterar isso e baixar essa fome por pixels de cor forte. Saturação um cadim mais forte é interessante e eu aceito até mesmo que ela vá pro lado quente das cores, mas a tela passa um pouco demais pro lado mais colorido. Entendeu?

Na hora de ver um filme, uma série, ou selecionar um podcast maneiro no seu agregador predileto, nem mesmo a resolução menor atrapalha. Só tem um, UM cenário onde isso pode fazer diferença: com mais resolução, apps como Google Maps e Waze exibem mais ruas de uma só vez. É uma questão de duas ou três ruas extras no horizonte. Vai te fazer perder a rota? Não. Vai te fazer ter visão além do alcance? Vai e é só isso mesmo.

Por dentro, o que muda?

Pouco, pouquíssimo. Como disse antes, o S10e vem com o mesmo Exynos 9820 de oito núcleos que acompanha todos os outros S10, junto da mesma GPU (Mali-G76 MP12), mas com um corte de 2 GB de RAM, que acaba resultando em 6 GB de RAM - exatamente a mesma quantidade deste tipo de memória que o S9 Plus tinha. Como a resolução caiu, há menos trabalho pra todo o conjunto e a RAM mais magra não é sequer notada - sério, 6 GB do S10e é muito mais do que você vai precisar.

Ah, claro, o espaço interno não pode chegar em MEIO TERA, mas eu acho que 128 GB do modelo que testei é mais do que o suficiente pra mais de 95% das pessoas que pensam em um topo de linha. Eu, com uma penca de apps e fotos, não consegui passar de 60 GB. Se ainda assim você sentir falta de espaço, sempre tem o slot pra cartão microSD que permite até 512 GB em um cartão só.

A bateria sofre com o corte de gastos?

SIM! Jesus, como sofre. Este é o pior ponto negativo que o S10e tem, um erro crasso que a Samsung cometeu e que não foi aconteceu do outro lado da comparação da concorrência - no iPhone XR. Por lá o corpo menor, junto da tela de menor resolução, trouxeram autonomia invejável pros outros iPhones. Por aqui, rapaz, isso não aconteceu.

 

O S10e tem apenas 300 mAh a menos do que o S10 normal e parece que a autonomia cai pela metade. Sério, é impossível passar um dia inteiro de uso comum com apenas uma carga. Entena uso comum por isso: 4G o tempo todo, junto de Wi-Fi e Bluetooth ligado pra alimentar um smartwatch, algumas horas de navegação na web, duas horas de reprodução de podcast pelo fone de ouvido com fio, algumas fotos, uma meia hora jogando e cinco horas de tela ligada.

No fim da tarde, começo da noite, o smartphone já reclama de pouca bateria. Vai pra balada depois do trabalho? Carregue o S10e antes, pra poder pedir um Uber depois do rolê. Ele morre antes.

Faz tempo que eu não me encontrava com um Galaxy S com autonomia tão baixa, tão pífia. Um erro que certamente não será corrigido com atualização de software e que nem mesmo as melhorias do Android 9 no consumo de energia conseguem ajudar.

Ao menos o carregador de 15 watts que vem na caixa é veloz e com pouco menos de uma hora de tomada a bateria vai de 0% pra 100%.

E no software, como fica?

Olha, você tem exatamente a mesma coisa que eu já falei no S10 Plus. Recomendo que clique aqui pra ler o que disse pra ele. Um resumo pra quem não quiser clicar: a One UI é uma evolução e tanto pra Samsung Experience, que nasceu dos problemas crônicos que existiam pra todo lado na TouchWiz. A Samsung evoluiu bastante nos últimos anos, ao ponto de me fazer nem mesmo considerar a instalação de um launcher diferente.

Os apps próprios são bem inteligentes, como a galeria de fotos que sabe organizar bem sua biblioteca (o Google Fotos faz melhor, mas se você preferir uma solução local o app da Samsung vai muito bem), a pasta segura pra guardar aquelas fotos-que-você-quer-esconder é bastante importante e o sistema permite até mesmo configurar mais de uma linha no WhatsApp, por exemplo.

Ele meio que clona o app e faz o que deveria ser padrão pro mensageiro: smartphone dual-SIM, como o Galaxy S10e, pode ter duas linhas do WhatsApp. Isso também vale pra outros mensageiros, como o Telegram e o Messenger, além de contas diferentes pro Facebook e outras redes sociais.

Ah, claro, tudo isso roda acima do Android 9 Pie e que certamente será atualizado pra mais duas versões, como a Samsung já faz em seus modelos mais caros. Ou seja, você compra o Galaxy S10e com o Android 9 e é bem provável que ele vá até o Android 11, que nem tem nome ou coisa do tipo.

E tem a Bixby, que até hoje não entende lhufas do nosso português (nem mesmo de Portugal) e é isso ai.

Perdeu um olho, mas e as fotos? Como ficam?

Se você já viu as fotos que eu tirei com o S10 Plus, lá no primeiro post de 30 dias com um smartphone, replique aqui. É exatamente a mesma coisa, já que ambos utilizam o mesmo sensor, a mesma lente de abertura variável que vai de f/1,5 pra f/2,4 com 12 megapixels e estabilização ótica de imagem. Tudo igual, mas sem a lente que faz o zoom ótico de duas vezes.

Foto com a lente normal

Agora com a grande angular

Se você ficou com preguiça de clicar no link que coloquei nos parágrafos acima, vai um resumo: as fotos são fantásticas. Cores com ótimo balanço, HDR na medida e quase que sem ruído, sem aberrações cromáticas em praticamente qualquer ambiente.

O S10e não faz a magia negra do P30 Pro com as fotos noturnas, mesmo tendo um modo pra isso - e que a Samsung poderia simplesmente não instalar, já que é uma piada.

Foto no modo automático

Foto no modo noturno

Tirando este detalhe, o Galaxy S10e será uma câmera incrível nas suas mãos, rápido e inteligente o suficiente pra que a imensa maioria das fotos saiam quase que perfeitas, mesmo sem ajustar recurso nenhum - como tempo de exposição, ISO, foco e outros parâmetros que podem ser configurados no modo Pro.

Vale a pena?

Se você quer o “Galaxy do momento”, vale. Vale cada centavo. Ele custa, na data de publicação deste review, aproximadamente R$ 500 a menos do que o S10 normal e entrega basicamente a mesma coisa, perdendo apenas na autonomia de bateria - compre uma bateria externa com o dinheiro que sobrou, você vai precisar. O que mais me agradou foi ter um smartphone que não quer ser ainda maior do que os outros aparelhos, sem abrir mão de poder de fogo.

A única empresa que faz algo parecido é a Sony e seus Xperia nas versões Compact, mas como ela saiu do Brasil e não tem qualquer plano pra voltar, você tem apenas o Galaxy S10e como opção quando pensa assim, como eu. O que me chamou atenção é que nem mesmo no acabamento a Samsung baixou a qualidade externa, algo que a Sony fez várias vezes nestes modelos - um deles, o Xperia XZ2 Compact, tem a traseira em plástico (!!).

Enfim, vá firme e compre. Se você ainda não comprou o smartphone topo de linha que procura, coloque o Galaxy S10e na lista de possibilidades. Ele só perde pro S10 Plus, na minha opinião, se você exige tela maior. Só neste caso - que vai te custar uns vinténs extras, claro.

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