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NASA confirma missão Dragonfly: vamos mandar um drone para Titã!

NASA confirma que missão para explorar Titã está em fase de projeto... Será?

18 semanas atrás

A NASA confirma seu novo grande projeto de exploração interplanetária: Titã, lua de Saturno e, talvez, o lugar mais interessante de todo o sistema solar. A revelação aconteceu no dia 28 de junho.

Infelizmente, Titã sempre foi negligenciada, a NASA por décadas viveu uma tara inexplicável por Marte e, recentemente, no máximo a Lua.

Não que seja errado errado, Marte é incrível, mas a NASA não tem a menor pressa, só começaram a falar em missões tripuladas depois de muita pressão, e ainda inventaram um novo programa lunar para adiar mais ainda o projeto marciano. Eles estão felizes em mandar robôs, mas sem grandes inovações. Este é o marte 2020, o próximo robô marciano da NASA. Parece idêntico ao Curiosity? E é.

A Marte 2020 sequer tem experimentos de detecção de vida. Pois é, a NASA AINDA não acha que é hora de mandar equipamentos para investigar diretamente a presença de micro-organismos no solo marciano.

A profusão de imagens de Marte acabaram saturando o público, criando a impressão errada de que Marte é "fácil".  Não é. Historicamente somente um terço das missões são bem-sucedidas, e mesmo os russos nunca conseguiram uma missão bem-sucedida ao planeta ironicamente vermelho.

Agora Marte sai do palco por um momento, dando lugar a Titã, Lua que foi visitada pela última vez em 2005, quando a sonda europeia Huygens pousou em Titã. Foi o pouso mais distante até hoje, e um feito de engenharia. Aqui um vídeo detalhando, com imagens reais os últimos momentos do pouso:

Titã, ao contrário da Lua é um mundo completo, com montanhas, oceanos, clima, ventos e lagos.

Em verdade, Titã é o único (fora a Terra) mundo do Sistema Solar onde um humano pode permanecer na superfície sem um traje espacial, mas é bom seguir o conselho da mãe e levar o casaquinho. Com temperatura média de -179°C Titã é mais frio que coração de ex.

Mesmo assim, é muito mais simples sobreviver por lá. Um habitat humano não precisaria de câmaras estanques, ambiente hermético nem nada. A atmosfera de Titã é composta 98.4% de Nitrogênio, gás que estamos razoavelmente acostumados a respirar. Neste momento, 78% do ar que você está usando é Nitrogênio. Bastaria um sistema para adicionar continuamente oxigênio ao ambiente do habitat e pronto, ar respirável.

Claro, não esqueça do aquecedor. De novo, -179°C.

Nessa temperatura muitos gases simplesmente congelam, por isso, os lagos de Titã são compostos de Metano Líquido. Isso, claro, soa meio assustador. Imagine você chegar num planeta e um oceano inteiro ser de um composto inflamável. Só que em Titã não há Oxigênio livre na atmosfera, se você quiser fogo tem que trazer seu próprio Oxigênio. É literalmente o oposto da Terra, mas funciona perfeitamente. O Cody inclusive fez um experimento queimando Oxigênio em uma atmosfera de Propano:

Ah sim, apesar do seu tamanho, Titã ainda é pequeno. Ele é maior que a Lua, maior que Mercúrio mas bem menor que a Terra, mas sua atmosfera é bem mais densa, equivale a 1.45x a nossa.

Qual a vantagem disso? Duas.

Primeira Vantagem:

A atmosfera muito densa funciona como um excelente escudo contra radiação, e Saturno é radioativo bagarai. Com essa camada protetora futuros colonos poderão usar trajes espaciais, veículos e habitats com paredes de espessura normal, sem o risco de terem filhos esquisitos.

Segunda Vantagem:

Velocidade Terminal. Pousar em Titã é muito, muito mais simples, tanto que a Huygens acertou de primeira. Você tem um mundo com gravidade superficial de 0.13g e uma atmosfera 1.45x mais densa que a nossa. Qualquer coisa reentrando (ok, tecnicamente entrando) vai ser desacelerada de forma bem mais eficiente, mas ao mesmo tempo delicadamente, pois o puxão gravitacional é bem mais fraco.

Quando um corpo cai em um planeta com atmosfera, ele é continuamente acelerado pela gravidade mas quanto mais rápido, mais o arrasto aerodinâmico se contrapõe, até o momento em que as duas forças se anulam, a aceleração tende a zero e ele passa a cair a uma velocidade constante.

Na Terra, a velocidade terminal de um paraquedista é de 200Km/h (antes de abrir o paraquedas, óbvio). Em Titã, essa velocidade é de... 24Km/h. Em Marte, a velocidade terminal é de 869Km/h. Ou seja: muita gravidade e pouca atmosfera, ferrou. Por isso, as sondas humanas precisam de tantos balões, paraquedas supersônicos, retrofoguetes e reza braba pra pousar.

Feito pra Dragonfly

Essa combinação de baixa gravidade e atmosfera densa proporciona ainda outras vantagens. Titã é o único lugar do Sistema Solar (por enquanto) onde um humano pode voar usando asas artificiais, como um pássaro.

Claro, isso é coisa para um futuro distante, mas por enquanto temos coisas que voam que se beneficiariam imensamente das condições de Titã:

Isso mesmo, drones!

A capacidade de um simples drone doméstico como um Mavic Air é pura ficção científica para quem estava vivo 20 anos atrás. Mesmo meu droninho de brinquedo (não é o da foto) usa recursos sofisticados para se manter estável, tornando a pilotagem algo tão simples que qualquer idiota consigo pilotar.

A NASA confirma que a Dragonfly irá pegar a tecnologia atual de drones e jogar tudo no 11.

O drone terá oito motores, em formato de quadcóptero, assim mesmo que perca um deles, conseguirá se manter, ao contrário daquela porcaria do porta-aviões da SHIELD. Voará a 36km/h com uma altitude máxima de 4km, totalmente autônomo, pois com ping de 4740000ms  ficaria meio difícil pilotar remotamente.

POWERRR!!!

A Huygens funcionou por apenas 90 minutos depois do pouso, por um motivo sincero: não tinha energia além das baterias. Mesmo que o Sol em Saturno não fosse extremamente fraco, painéis solares em Titã ainda seriam mais ineficientes ainda, por causa das nuvens. A NASA confirma que a saída para a Dragonfly será arrumar energia de outra forma, e é a forma que funciona para a Curiosity: o Gerador Nuclear Termoelétrico, o popular MMRTG.

Óbvio que o MMRTG não consegue alimentar a Drangonfly sozinho, cada um dos rotores tem 1 metro de diâmetro, e ele ainda tem que suprir energia para os sistemas de navegação, rádio de alta potência e para o principal componente da sonda, o sistema de aquecimento, pois os projetistas, que nunca escutam as mães, esqueceram de incluir um casaquinho.

A NASA confirma que a Dragonfly irá voar durante o dia e descansará durante as noites, que em Titã duram 192 horas. Durante esse tempo recarregará as baterias, transmitirá as imagens e dados para a Terra, rodará o AVAST e sabe-se lá o que mais uma sonda dessas faz quando não está trabalhando. Planejar a morte de todos os humanos, talvez?

YAY CIÊNCIA!

A NASA confirma que a DragonFly vai levar uma penca de instrumentos científicos, ela vai ser capaz de identificar composição do solo e amostras de ar, analisar amostras em busca de indícios de processos biológicos, fazer experimentos de sismologia e usar todo tipo de câmeras, de panorâmicas a microscópios. Se houver algo muito pequeno rastejando na superfície de Titã, nós conseguiremos ver!

Os alvos principais são regiões onde sondas orbitais identificaram um estranho e alienígena composto em Titã: Água.

Não se sabe se foram meteoros ou criovulcões trazendo água do interior da Lua, mas essas regiões são o ponto principal onde a vida pode ter se desenvolvido, caso Titã não tenha desenvolvido uma biologia própria independente de Oxigênio, é um bom plano B procurar por vida como a conhecemos.

Quando

Essa é a parte chata. Eu já falei que Titã é longe? Pois é. A DragonFly ainda não existe, ela tem que ser refinada enquanto projeto e, então, construída. O lançamento está previsto para 2026, não vão definir ainda qual foguete será usado, isso acontece faltando 3 anos, em geral. Até lá não sabemos se será o SLS, o New Glenn do Jeff Bezos, a Starship do Elon Musk ou o foguete que o Brasil está projetand-quá, sorry nem consigo terminar a piada.

Já a chegada, a NASA confirma que só em 2034. Eu falei, é longe.

A parte realmente chata é quando a gente atinge uma certa idade e não acha 15 anos tanto tempo assim. Imagino como os cientistas millenials estão roendo as unhas. Bem, floquinhos, se estão incomodados, criem logo o Motor Epstein.

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