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Galaxy A9 (2018): Visão Aquém do Alcance — Review

O novo Galaxy A9 da Samsung traz quatro câmeras na traseira, mas de performance mediana; antes fossem só duas, mas melhores

19 semanas atrás

O Galaxy A9 (2018) é um celular intermediário premium da Samsung com quatro câmeras na parte traseira: a principal, uma Grande Angular, uma teleobjetica com zoom de 2x, e uma com sensor de profundidade. Síndrome de Argos Panoptes à parte, ele conta com um design muito bonito, um processador potente, bastante RAM e memória interna, e uma bateria que dura o dia todo.

Afinal, todos os olhos desse aparelho mostraram a que vieram? Confira nos próximos parágrafos o que achei dele.

Design e Tela

Logo de cara, o Galaxy A9 passa uma excelente impressão. Com um design de corpo metálico, este é um celular um tanto grande e mais pesado (183 g), mas que não chega a ser desengonçado. O resultado final é muito elegante, principalmente na cor azul gradiente, como na minha unidade de testes.

A Samsung entretanto optou por colocar um vidro na parte traseira, que embora seja resistente, é um convite ao desastre no caso de uma queda, e acabar com um vitral de igreja. Por isso, é extremamente recomendado comprar uma capinha, já que a fabricante não envia uma com o gadget.

Galaxy A8 (2018)

Os botões Power e Liga/Desliga foram posicionados do lado direito, enquanto do lado esquerdo repousa solitário o botão da Bixby, a assistente virtual da Samsung. Muito provavelmente você vai esquecer que ele existe, já que ela ainda não fala português, e provavelmente irá aciona-lo por acidente quando estiver jogando, ou tirando uma foto.

Por outro lado, dá para configura-lo como um botão de ação, para abrir apps com um toque ou dois, e aí ele se torna bem mais útil.

Galaxy A8 (2018)

Galaxy A8 (2018)

O conector é o já padrão USB-C, e a Samsung ainda traz a porta P2 para fones de ouvido tradicionais, algo que consumidores de aparelhos de entrada e intermediários agradecem. A gigante coreana, salvo raras exceções dobráveis malfadadas, ainda não se convenceu de que eliminar a porta é o melhor curso de ação, e diferente do que a Apple pensa, ela não é um estorvo que ocupa espaço inútil. Ainda bem.

A tela, por sua vez está dentro do padrão de qualidade da Samsung: trata-se de um display Super AMOLED de 6,3 polegadas, proporção 18,5:9 e resolução de 2.220 x 1.080 pixels, com um excelente equilíbrio de cores e um brilho bastante forte. Embora não ocupe toda a parte frontal (há bordas superior e inferior, já que este celular não tem notch), ela é bem grande e espaçosa.

Galaxy A8 (2018)

Talvez, se a Samsung tivesse ao menos reduzido o "queixo na parte de baixo, o Galaxy A9 ficaria menor e mais leve, mas ele ainda é um aparelho muito, muito bonito. E você dificilmente verá pixels individuais na tela, mesmo forçando o olho, o que é sempre bom.

Software

O Galaxy A9 saiu da caixa rodando o Android 8.0 Oreo, mas ele já possui um update para o Android 9 Pie disponível, é ligar e atualizar. A interface One UI é extremamente bem comportada, e traz recursos muito interessantes.

O Dual Messenger, por exemplo, permite usar duas contas do WhatsApp ao mesmo tempo, o Pasta Segura, que protege arquivos com uma camada de criptografia, e o Modo Infantil, que embora faça mais sentido em tablets, permite que os pais criem perfis para seus filhos, administrem o tempo de uso e quais apps eles poderão usar.

Ele também possui suporte ao Samsung Pay, atrelado à sua impressão digital, e a combinação da One UI com o Android 9 Pie deixou o sistema mais inteligente. Por exemplo: ao clicar no botão de multitarefa, ele exibirá os ícones dos cinco últimos apps executados, mesmo que não haja nenhum em segundo plano. É um ajuste menor, mas inteligente.

Desempenho

Com um Snapdragon 660, de clock entre 1,8 e 2.2 GHz, 6 GB de RAM e 128 GB de espaço interno, o Galaxy A9 não faz feio nem para rodar apps mais pesados, inclusive jogos. Em meus testes, com títulos como Asphault 9: Legends, Dissidia Final Fantasy Opera Omnia, PUBG Mobile e Ragnarok M: Eternal Love, o bichinho até rodou tudo, embora perdas de frames tenham sido notadas. Caso o título permita, ajuste os gráficos para a qualidade média.

Já outros menos elaborados, como Pokémon GO e Azur Lane, não houve queda de performance notável, embora ambos títulos sejam devoradores vorazes de energia.

Galaxy A8 (2018)

Vale mencionar mais uma vez que a Samsung deu outro bola dentro com este celular, ao colocar nele uma bandeja tripla: você poderá usar dois chips Nano SIM e o cartão microSD (até 512 GB) ao mesmo tempo, sem ter que escolher entre dois números e não expandir a memória, ou usar mais espaço e ter apenas um chip. Isso deveria ser padrão em todos os celulares, inclusive os premium.

O som do Galaxy A9 não é espetacular, você vai conseguir notar distorções mínimas com o volume no talo, mas no geral, ele possui uma performance muito boa. O recurso Dolby Atmos pode ser usado com os fones de ouvido (os enviados com o aparelho são OK), e ter um leve efeito de áudio 3D, mas nada muito surpreendente, apenas um gimmick legal.

E tem a bateria. Com 3.800 mAh, é esperado que ela aguente o tranco por mais tempo, e é exatamente o que acontece aqui: em meus testes, eu tirei o celular da tomada às 8:00, usei duas horas de navegação, uma hora de streaming de música a podcasts no 4G pelo alto falante, e outra hora fazendo o mesmo, mas usando uma caixa de som Bluetooth, 30 minutos de YouTube, uma hora de Netflix, duas horas de navegação e redes sociais, e meia hora de games, sempre com o brilho no máximo.

Às 23:00, a bateria cravou 28%, uma marca impressionante. Com isso, dá para dizer que você dificilmente irá esgotar sua carga em um dia de uso normal a moderado, e se ativar o modo Economia de Energia, dá para ficar longe da tomada por quase 48 horas.

Para encerar, o carregador rápido de 18 W permitiu que a bateria do Galaxy A9 fosse de 0 a 100% em uma hora e 50 minutos, uma excelente marca.

Câmeras

Hora de falar do principal. O Galaxy A9 possui quatro câmeras na traseira, e segundo a Samsung, elas permitem que o usuário tire uma grande variedade de fotos, todas com excelente qualidade. No entanto, não foi o que vimos aqui.

O sensor principal, o terceiro de cima para baixo, possui 24 megapixels, abertura f/1,7 e é a que você vai usar na maioria das situações. Ela é apenas correta, tiraa boas fotos de dia, balança um pouco em situações com pouca luz ou à noite, mostra perda de definição nas bordas, o de sempre.

O HDR quase não é necessário aqui, é preferível deixa-lo no automático e deixar o bichinho fazer o trabalho sozinho, já que o equilíbrio das cores já é excelente.

O quarto sensor, que é o de profundidade, é acionado para trabalhar junto com a câmera principal na hora de utilizar o Modo Retrato, para destacar um elemento à frente e desfocar o fundo. Com 5 megapixels e abertura f/2,2, dá para ser feliz fazendo suas capturas e ajustando o desfoque manualmente, com mais ou menos definição.

Graças ao sensor dedicado, que não é empregado em nenhuma outra tarefa, os resultados são acima da média em comparação a concorrentes, sem selecionar elementos estranhos ou recortar o assunto da foto de forma errada.

A primeira câmera é a Grande Angular: embora possua apenas 8 megapixels, ela conta com um ângulo de 120 graus, que permite algumas brincadeiras interessantes, na hora de fotografar cenários amplos. O ponto negativo, a meu ver é a abertura f/2,4, que por ser menor, ela capta menos luz, e por isso, as imagens podem ficar mais escuras.

Usar o recurso em situações com pouca luminosidade é pedir para passar raiva, logo, é bem provável que você só utilize a Grande Angular de dia ao ar livre, com o Sol a pino, ou em ambientes fechados com muita luz.

Por fim temos a segunda câmera de cima para baixo, que é a teleobjetiva. Ela possui 10 megapixels, f/2,4 como a Grande Angular, e um zoom óptico de 2x que sendo justo, funciona. O porém, é que a combinação de um sensor não tão bom com uma abertura de diafragma menor, resulta em imagens aproximadas com detalhes de menos.

Para complicar tudo, o A9 tende a clarear artificialmente as fotos captadas com zoom, para melhorar o aspecto geral, mas não adianta muito se você estiver tentando capturar um objeto muito distante. Lembre-se, 2x não faz milagres, e tentar aproximar mais do que isso faz o aparelho pular para o zoom digital.

Para melhores resultados, você terá que ajustar a luminosidade pelo app da câmera manualmente, e tentar mais de uma vez até conseguir uma foto de qualidade.

Sem cozinhar o galo demais, no conjunto da obra as quatro câmeras do Galaxy A9 não superam as três do A7 (que não tem a teleobjetiva), e passam longe das presentes no Galaxy S10+ e seus sensores estado-da-arte, afinal, este ainda é um celular com características intermediárias.

Resumindo, não dá para ter tudo.

A câmera selfie, por sua vez é bem legal. Ela possui 24 megapixels, abertura f/2,0 e HDR, conta com um Modo Retrato por software, e um bom equilíbrio de cores. Com uma abertura maior, até dá para brincar em ambientes com menos luz (não exagere), desde que você fique atento aos algoritmos de embelezamento, que costumam pesar a mão.

No geral, ela será bastante usada para selfies em grupo, graças ao mesmo ângulo de visão da câmera principal, mas em termos gerais, ela ainda é uma câmera para ser usada com o máximo de luz disponível.

Para mais fotos, acesse o Flickr.

Conclusão

Para um aparelho que destaca as câmeras como seu principal recurso, o Galaxy A9 (2018) pisou na bola: elas não são ruins, mas mesmo em grande quantidade, e com cada uma dedicada a um tipo de foto, os resultados não são nada impressionantes.

Parece sacanagem dizer isso, mas a Samsung poderia ter feito melhor com sensores a menos, mas mais caprichados. Vide o Galaxy A7 (2018).

Galaxy A8 (2018)

Isso não faz dele um celular ruim: com uma bateria de grande duração, um hardware que dá conta de tarefas pesadas e não sua muito no multitarefa, e bastante espaço interno, o Galaxy A9 é uma ótima opção de gadget intermediário, se você não estiver comprando-o por causa das câmeras. Aí, meu caro, você vai se decepcionar.

E falando em intermediários, vamos ao preço: o valor sugerido original de R$ 3.199 era uma insanidade, ainda mais dada a performance das câmeras. Hoje, entretanto, ele já pode ser encontrado por cerca de R$ 1.800 a vista, o que faz dele uma opção a outros de mesma categoria, como o Moto G7 Plus, sendo que o celular da Samsung é ligeiramente mais poderoso.

Se você quer um celular potente para o dia a dia  sem gastar muito, o Galaxy A9 (2018) é uma excelente pedida; agora, se está procurando qualidade estelar na hora de tirar fotos, é melhor comprar um aparelho topo de linha, mesmo de uma geração passada. O Galaxy S9, por exemplo, é uma alternativa a considerar.

Galaxy A9 (2018) — Especificações

  • Processador: SoC Snapdragon 660 da Qualcomm, octa-core Kryo 260 com quatro núcleos de 2,2 GHz, e quatro de 1,8 GHz;
  • GPU: Adreno 512;
  • Memória RAM: 6 GB;
  • Armazenamento interno: 128 GB;
  • Armazenamento externo: entrada dedicada para cartão microSD de até 512 GB;
  • Tela: Super AMOLED de 6,3 polegadas, proporção 18,5:9 e resolução de 2.220 x 1.080 pixels (391 ppi);
  • Câmera traseira: conjunto quádruplo, com:
    • Principal de 24 megapixels, abertura f/1,7 e autofoco com detecção de fase;
    • Grande Angular de 8 megapixels e abertura f/2,4;
    • Teleobjetiva de 10 megapixels, abertura f/2,4 e zoom óptico de 2x;
    • Sensor de profundidade de 5 megapixels e abertura f/2,2;
    • Flash LED, HDR, capacidade de filmar em 4K a 30 fps;
  • Câmera selfie: 24 megapixels, abertura f/2,0, HDR, captura de vídeos em 1080p a 30 fps;
  • Sensores: proximidade, acelerômetro, giroscópio, luminosidade, bússola e leitor de impressões digitais;
  • Conectividade: 4G/LTE Dual-SIM, Wi-Fi 802.11a/b/g/n/ac, Bluetooth 5.0, AD2P, BLE, NFC, A-GPS, GLONASS, BDS, GALILEO;
  • Bateria: 3.800 mAh;
  • Portas: USB 2.0 Type-C e P2 para fone de ouvido;
  • Sistema operacional: Android 8.0 Oreo, com atualização já disponível para o Android 9 Pie;
  • Dimensões: 162,5 x 77 x 7,8 mm;
  • Peso: 183 g.

Pontos Fortes:

  • Design em metal e vidro o deixou bonitão;
  • Bateria de excelente autonomia;
  • 128 GB de espaço interno? Yes, please;
  • Performance muito boa até para usuários mais exigentes.

Ponto Fraco:

  • Câmeras demais, qualidade fotográfica de menos.

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