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Galaxy A7 2018: três olhos e um tropeço - Review

O Galaxy A7 de 2018 é um dos modelos mais bonitos da Samsung para intermediários, com três câmeras na traseira e leitor de impressões digitais do lado

37 semanas atrás

Mais um ano, mais um smartphone Galaxy da linha A que chega com o objetivo de ser um intermediário mais atraente pra quem busca um celular que não é de entrada. Neste ano a linha A voltou a trazer algo novo para a Samsung, que está em dupla por aqui: leitor de impressões digitais na lateral e três (sim, TRÊS) câmeras na traseira.

Senta aí, tome um café e leia os parágrafos seguintes. Vou tentar explicar se tanta câmera em um celular intermediário faz jus ao nome de A, primeira letra do alfabeto e apenas um degrau abaixo do suprassumo da Samsung, que fica dividido entre as linhas S e Note. Principalmente: se vale a pena gastar R$ 2.199 em um intermediário. Bora lá.

Design

A Samsung já teve uma diretriz muito clara com a separação das linhas Galaxy J dos Galaxy A. Os J eram smartphones de plástico, com design mais antigo e menos atraentes, enquanto que os Galaxy A eram de vidro e com visual que pega emprestado alguns detalhes dos Galaxy S, que são bem mais caros. No andar do tempo isso se misturou e alguns recursos bacanas dos Galaxy A foram descartados, enquanto que os J receberam visual mais arrojado.

Em outras palavras: tá difícil distinguir um do outro, o que é bom pro pessoal que escolheu o Galaxy J e agora tem um aparelho mais bonito. E é pior para o Galaxy A, que perdeu algumas coisas.

A primeira delas é a porta USB, que não é a primeira vez que a fabricante coloca um microUSB por aqui. PÔ SAMSUNG, estamos num passo abaixo dos Galaxy S e temos uma porta USB antiga? O Galaxy A7 de 2016, primeira geração desta linha, utilizava microUSB, a geração seguinte passou para o lado USB-C da Força e, agora, na terceira geração, voltamos pro microUSB? Sacanagem!

Enfim, ainda sobre o design e sem destilar algum rancor na alma, este modelo deixou de ser mais arredondado e volta com ares mais quadrados. É o primeiro de sua linhagem com frente sem leitor de impressões digitais e, PASMEM OS SENHORES: o nome da fabricante não está mais na frente! Você só lê “Samsung” atrás, longe da vista, escondido e onde deveria estar desde sempre.

Outra mudança é que o leitor de impressões digitais está na lateral direita do aparelho, junto dos botões de controle de volume. É uma posição tradicional de aparelhos da Sony e que eu sempre amei. Serve bem pros destros, já que o dedão sempre fica neste mesmo nível, como para os canhotos - com eles, o dedo indicador já vai ficar ali por perto, é só encostar direitinho e pronto, tela desbloqueada.

O único porém deste local aparece quando o smartphone está em uma mesa, deitado. Assim como acontece com leitores que ficam na traseira (ou quase todos os Samsung mais modernos), você precisa levantar o celular pra desbloquear. Dá pra usar o reconhecimento facial, só que ele é menos seguro e preciso do que a leitura da impressão digital.

Todo o conjunto tem boa pegada (mesmo para um celular grande), o vidro na traseira garante maior aderência e as bordas também trabalham neste ponto. Um ponto positivo fica na gaveta para o SIM card, que tem espaço para todos - podem ficar, na paz, dois SIM cards e um cartão microSD (de até 512 GB).

Tela

Este é um grande passo na linha A, que começou lá com o A8 e veio pra cá. Do lado de dentro das bordas existe um painel Super AMOLED de 6 polegadas e que trabalha com 2220 x 1080 pixels de resolução - o Full HD esticado pra preencher a proporção de 18.5:9. O Super AMOLED continua como a tela que mais me agrada no mercado, entregando saturação forte (que pode ser ajustada, até pra diminuir a cor), garantia de leitura confortável sob luz solar direta e contraste infinito, já que a cor preta é um pixel desligado.

Diferente dos Galaxy J, até do modelo mais caro desta linha, a parte da frente do aparelho conta com um sensor que entende a luz externa e ajusta o brilho automaticamente e de modo bem eficaz. Nada de usar a câmera frontal, tem sensor pra isso.

Hardware

O Galaxy A7 de 2018 é um intermediário com números confortáveis. Ele vem com um processador Exynos 7885 Octa, que roda oito núcleos (duh!) em até 2.2 GHz e que é o mesmo do Galaxy A8. Trabalha com 4 GB de RAM e tem 64 GB de espaço interno. A GPU é uma Mali-G71 e isso garante que, por dentro, ele é um A8 em menor tamanho.

Traduzindo isso para um uso do cotidiano, não notei engasgos. O A7 é realmente um intermediário com um pouco mais de potência, garantindo que tudo rode bem - até mesmo com número generoso de aplicativos abertos ao mesmo tempo. Rolar a timeline do Facebook, com Deezer aberto e tocando música no fundo, não foi problema. O mesmo aconteceu quando abri o Twitter e fiquei correndo as postagens, com o Facebook aberto no fundo e a música rolando também.

Não, ele não voa como os Galaxy S9 da vida, mas faz bem o trabalho pra quem custa a metade do preço de lançamento do S9. Dá pra dizer, com segurança e com base nos testes que fiz, que dá pra deixar um Google Maps ou Waze rodando na frente, com alguns apps no fundo e até um player de música, que nada para.

Em jogos, coloquei o pesado Asphalt 9 com os gráficos na configuração mais alta possível. Só notei alguma queda na taxa de quadros por segundo em poucos e raros momentos, algo que sumiu quando baixei a configuração para o passo anterior do máximo. Resolveu e, convenhamos, o A7 é um intermediário. Para um intermediário ele saiu bem com um jogo bem pesado, só que sem tudo nos 100%.

Ah, se você quer um parâmetro de comparação deste Exynos, lá vai: ele corresponde ao que é possível com a família 600 dos Snapdragon. Dos Snapdragon mais recentes, tipo 636 ou 660.

Software

Do lado do software, a Samsung vem apenas refinando o bom trabalho que é feito desde que ela abandonou a carroça chamada TouchWiz - faz tempo, mas me dá calafrios lembrar do caminhão de entulho que era. O visual de tudo é muito parecido com os modelos mais caros da marca e também com os mais baratos, entregando uma capacidade rara de criar uma identidade visual em toda a linha.
Até o menu de configurações e os ajustes iniciais são iguais em outros aparelhos, como a ordem deles, cores, disposição e nome dos recursos. Pode parecer bobeira, mas a continuidade do visual ajuda na hora de um usuário sair de um Samsung para um Samsung mais novo, sem ter a curva de aprendizado afetada.

Existem alguns pulos do gato neste modelo e que estão em outros mais potentes da marca sul-coreana, como o Samsung Pay (só por NFC) e o Dual Messenger, que nasceu justamente nos intermediários e é o responsável por duplicar alguns apps, como o WhatsApp e Facebook, atribuindo uma conta diferente para cada um. Dá pra fazer no Telegram, mas nativamente o app já permite isso.

Há temas de todos os tipos (alguns pagos!), Bixby com tela inicial tipo o extinto Google Now e também parte de reconhecimento de imagens, pasta segura que protege arquivos e apps com senha - nudes seguros ( ͡° ͜ʖ ͡°). Em apps pré-instalados a vida segue mais leve do que foi, com um pacote de aplicativos da Samsung, como o Max para economia de dados do plano, Health para acompanhar exercícios físicos, Facebook, pacote da Microsoft com Word, Excel, PowerPoint e OneDrive, junto de um app de rádio FM que funciona como se espera de um app destes.

A quantidade é menor do que a Samsung já teve e, agora com 64 GB, não chega a ocupar uma porcentagem muito grande da memória interna.

O Android que roda por aqui, durante o período de testes, era o 8.0 Oreo e com o patch de segurança de setembro. Certamente o A7 será atualizado para o Android 9, que mal chegou nos S9 da vida ainda. O que me preocupa é o patch de segurança defasado. Este review foi finalizado em dezembro, três meses depois do patch de segurança instalado no aparelho - e não tem nenhum update disponível hoje, dia 7 de dezembro.

Câmeras

O conjunto ótico na traseira do A7 é bastante chamativo. São três câmeras em uma linha reta vertical, com um flash LED logo abaixo delas. A configuração é a seguinte: a lente principal tem 24 megapixels em abertura de f/1.7, a secundária é de 8 megapixels, com lente de 120 graus e faz fotos com abertura de f/2.4, a terceira é de 5 megapixels e serve só para medir a distância do objeto fotografado.

A lente principal tem uma carta na manga chamada de pixel binning, que pega pixels próximos e junta tudo num só pra ter imagem com mais brilho e trabalha muito bem com o HDR, que já vem ligado por padrão e minha dica é que você nem toque nas configurações para remover a ferramenta.

Foto normal, com HDR

Foto normal, com HDR

Mesma foto, com ângulo maior e ainda com HDR

Mesma foto, com ângulo maior e ainda com HDR

O resultado das fotos é bastante positivo, com boa reprodução de cores em ambientes bem iluminados, baixo nível de ruído e pós-processamento pouco visível. A lente de 120 graus dá um ar de GoPro, já que distorce as bordas para colocar mais objetos na mesma cena. A foto é mais escura com essa lente e em ambientes noturnos o resultado é ruim, mas de dia fica interessante e a possibilidade de novos ângulos é realmente promissora.

Ângulo maior permite enquadramentos criativos

Em locais escuros, mesmo a lente mais clara da câmera principal não consegue fugir do ruído com maestria. As fotos ficam boas sim, mas com detalhes que somem de alguns momentos, como na foto dos tijolos bem lisos, que não são lisos, do subsolo do Teatro Municipal de São Paulo.

Pouca luz faz objetos perderem textura

Neste cenário, noturno, o aplicativo de câmera insiste em deixar o brilho lá pra cima e estoura muitas luzes.

Muita luz, Samsung!

É só diminuir um pouco a entrada de luz no próprio app e agora dá até pra bisbilhotar a janela do vizinho - não faça isso.

Luz ajustada, melhor

Ah, tem selfie e é de 24 megapixels, com modo retrato e tudo mais. Funciona bem.

Conclusão

O Galaxy A7 de 2018 chegou ao Brasil em novembro e com preço de R$ 2.199 para a versão que testei, que vem com 64 GB de memória. Para dobrar o espaço interno o valor sobe para R$ 2.499. No momento da publicação desta análise, no fim de dezembro de 2018, eu consegui encontrar o Galaxy S9 por R$ 2,7 mil. Ele vem com 128 GB de memória é é melhor do que o A7 em literalmente todos os pontos possíveis.

Se você vai gastar R$ 2.499 em um intermediário, com o topo de linha da mesma fabricante custando somente R$ 200 extras, não vale. O S9 é mais negócio, principalmente pela garantia de durar muito mais tempo na mão, de ser melhor em tudo e ter mais atualizações de Android garantidas.

No varejo, o A7 pode ser encontrado por R$ 1,9 mil para a versão de 64 GB. Ainda é um pouco salgado, mas começa a fazer sentido. Ele tem corpo bonito, tem Samsung Pay, tela bacana e tira boas fotos. Se você esperar um pouco, até que ele alcance uns R$ 1,6 mil ou R$ 1,7 mil, começa a ser bastante interessante.

Especificações do Galaxy A7 2018

  • Processador: SoC Exynos 7885 Octa, octa-core com dois Cortex-A73 com 2,2 GHz de clock e seis Cortex-A53 com 1,6 GHz, GPU Mali-G71;
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Armazenamento interno: 64 GB ou 128 GB;
  • Armazenamento externo: entrada dedicada para cartão microSD de até 512 GB;
  • Tela: display Super AMOLED de 6 polegadas, proporção 18.5:9 e resolução de 2220 x 1080 pixels (411 ppi);
  • Câmeras traseiras: 24 megapixels, abertura ƒ/1,7; 8 megapixels, abertura ƒ/2,4 e 5 megapixels, abertura ƒ/2,2, autofoco, Flash LED, HDR e capacidade de filmar em 1080p a 30 fps;
  • Câmera selfie: 24 megapixels, abertura ƒ/2,0 e captura de vídeos em 1080p a 30 fps;
  • Sensores: acelerômetro, giroscópio, bússola, luz e leitor de impressões digitais;
  • Conectividade: 4G Dual-SIM, Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, Bluetooth 5.0, AD2P, LE, A-GPS, GLONASS, BDS;
  • Bateria: 3.300 mAh;
  • Portas: microUSB 2.0 e P2 para fone de ouvido;
  • Sistema operacional: Android 8.0 Oreo;
  • Dimensões: 159,8 x 76,8 x 7,5 mm;
  • Peso: 168 g.

Pontos Fortes:

  • Bateria segura um dia inteiro, com folga;
  • Câmera de ângulo aberto proporciona novos ângulos;
  • Leitor de impressões digitais em ótimo local;
  • Sem o nome da fabricante na frente!

Pontos Fracos:

  • microUSB no final de 2018?
  • Câmera é ruim em ambientes escuros;
  • Preço é quase idêntico ao Galaxy S8, que é melhor em literalmente tudo.

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